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2000148-38.2023.9.13.0005

Procedimento Comum CívelReintegraçãoRegimeMilitarDIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO
TJMMG1° GrauEm andamento
Data de Distribuicao
04/06/2024
Valor da Causa
R$ 5.000,00
Orgao julgador
Juiz Substituto da 4ª Auditoria - Cível
Partes do Processo
Nenhuma parte cadastrada
Advogados / Representantes
Nenhum advogado cadastrado
Movimentacoes

Publicacao/Comunicacao Intimação - Ato ordinatório ATO ORDINATÓRIO <!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.01//EN" "http://www.w3.org/TR/html4/strict.dtd"><html lang="pt-br"><head><meta http-equiv="Pragma" content="no-cache" /><meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=iso-8859-1"/></head><style>body{ padding: 10px; font-family: Times New Roman; font-size:13pt }; #divHeader{ line-height:25px; margin-bottom:30px }; #divBody{ max-width:90%; text-align:justify }</style><body><div id="divHeader"><b>APELAÇÃO CÍVEL Nº 2000148-38.2023.9.13.0005/MG (originário: processo nº 20001483820239130005/JME)<table border="0"><tr><td>RELATOR</td><td>: JAMES FERREIRA SANTOS</td></tr><tr><td>APELANTE</td><td>: TOME CLAYTON DOS REIS (AUTOR)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: MARCOS LOPES BARBA (OAB MG217850)</td></tr></table></b></div><div id="divBody"><center><p>ATO ORDINATÓRIO</p></center> <p>Intimação realizada no sistema eproc.</p><p>O ato refere-se ao seguinte evento:</p><p>Evento 40 - 23/03/2026 - 433 Recurso especial não admitido</p></div></body></html>

24/03/2026, 00:00

Publicacao/Comunicacao Intimação Acórdão - <html> <head> <meta> <style></style> </head> <body> <article> <header> <div></div> <div></div> </header> <section><b>Apela&ccedil;&atilde;o c&iacute;vel N&ordm; 2000148-38.2023.9.13.0005/JME</b></section> <section><b><table><tr><td>RELATOR</td><td>: Desembargador JAMES FERREIRA SANTOS</td></tr><tr><td>APELANTE</td><td>: TOME CLAYTON DOS REIS (AUTOR)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: MARCOS LOPES BARBA (OAB MG217850)</td></tr></table></b></section> <section> <p align="center">EMENTA</p> </section> <section> <p>APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL &ndash; PRELIMINAR DE INTEMPESTIVIDADE SUSCITADA DE OF&Iacute;CIO PELO RELATOR &ndash; INOBSERV&Acirc;NCIA DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL &ndash; INTEMPESTIVIDADE CONFIGURADA &ndash; APELA&Ccedil;&Atilde;O N&Atilde;O CONHECIDA.</p></section> <section> <p align="center">AC&Oacute;RD&Atilde;O</p> </section> <section> <p>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os desembargadores da Segunda C&acirc;mara, por unanimidade, em n&atilde;o conhecer do recurso interposto.</p> <p> </p> <p><strong>RELAT&Oacute;RIO</strong></p> <p>Trata-se de apela&ccedil;&atilde;o interposta pelo ex-Cb PM Tom&eacute; Clayton dos Reis, contra senten&ccedil;a de primeiro grau de jurisdi&ccedil;&atilde;o que julgou improcedentes os pedidos defensivos.</p> <p>Extrai-se do Processo Administrativo n. 114.2716/2021 que,</p> <p> </p> <p>1.1 o n&deg; 142.368-0, Cb PM Tom&eacute; Clayton dos Reis, do 21&deg; BPM/ 4 RPM, transgrediu norma disciplinar, conforme apurado na Sindic&acirc;ncia Administrativa Disciplinar (SAD) com Portaria de Instaura&ccedil;&atilde;o n&deg; 116.515/2020-21&deg; BPM/4&ordf; RPM, pois no dia 02/11/2020, por volta das 22h35min, ap&oacute;s a Sala de Opera&ccedil;&otilde;es da 111&ordf; Cia PM/21&deg; BPM anunciar, via rede r&aacute;dio, que ocorrera uma tentativa de roubo na Rodovia MG 447, a equipe policial que o acusado compunha deslocou para pr&oacute;ximo ao estabelecimento "Agrocarlos", onde realizaram um cerco/bloqueio na via. Contudo, o Cb PM Tom&eacute; Clayton dos Reis ao visualizar uma motocicleta com as mesmas caracter&iacute;sticas repassadas pela SOF, teria efetuado um disparo com a arma de fogo da carga da PMMG, em tese, na roda do ve&iacute;culo, sob alega&ccedil;&atilde;o de que o motociclista n&atilde;o respeitou a ordem de parada, conduzindo o ve&iacute;culo em alta velocidade e em dire&ccedil;&atilde;o ao acusado. Ao parar, o cidad&atilde;o fora abordado pelos militares e nada de il&iacute;cito fora constatado, sendo o C.L.V. liberado no local, bem como o seu ve&iacute;culo, que, em tese, teria sido alvejado no pneu; sem que nenhuma informa&ccedil;&atilde;o referente aos fatos fosse noticiada ao CPCia do turno ou &agrave; SOF, caracterizando, em tese, o cometimento das transgress&otilde;es disciplinares de natureza grave previstas no artigo 13, inciso I (praticar ato atentat&oacute;rio &agrave; dignidade da pessoa ou que ofenda os princ&iacute;pios da cidadania e dos direitos humanos, devidamente comprovado em procedimento apurat&oacute;rio) e no inciso XVI (retardar ou deixar de praticar ato de of&iacute;cio), da Lei Estadual n&deg; 14.310/2002, a qual Disp&otilde;e sobre o C&oacute;digo de &Eacute;tica e Disciplina dos Militares do Estado de Minas Gerais (CEDM);</p> <p>1.2 ressai ainda do processo em apenso que logo a seguir a libera&ccedil;&atilde;o de C.L.V, fora repassado pela SOF que no bairro Alto da Boa Vista um indiv&iacute;duo conhecido como "Cl&aacute;udio Peixe" teria sido baleado (cidad&atilde;o da abordagem descrita no item anterior); assim foram empenhadas duas viaturas policiais no fato, entretanto a guarni&ccedil;&atilde;o do acusado chegou primeiro a resid&ecirc;ncia da v&iacute;tima, conduzindo-a ao Hospital S&atilde;o Jo&atilde;o Batista, sob alega&ccedil;&atilde;o de dor na perna direita causada por disparo de arma de fogo; enquanto a outra equipe policial permaneceu no local aguardando a remo&ccedil;&atilde;o da motocicleta pelo autossocorro, sendo lavrado pela equipe do acusado o REDS n. 2020-052977200-001 com natureza "Dire&ccedil;&atilde;o perigosa de ve&iacute;culo" e constando C.L.V. como autor. No hospital fora verificado um ferimento superficial na perna direita do ofendido, o qual ap&oacute;s assinar o TCO fora liberado;</p> <p> 1.3 em raz&atilde;o dos fatos fora lavrado o REDS n. 2020-052998115-001 e o Auto de Pris&atilde;o em Flagrante (APF) de portaria n. 115.636/2020 - 21&deg; BPM em desfavor do n. 142.368-0, Cb PM Tom&eacute; Clayton dos Reis pela pr&aacute;tica, em tese, dos delitos militares previstos nos artigos 259 (dano) e 210 (les&atilde;o culposa) do C&oacute;digo Penal Militar;</p> <p>1.4 diante da gravidade da falta, estando o militar no conceito "C" e advertido de submiss&atilde;o Processo Administrativo Disciplinar (PAD), conforme cientifica&ccedil;&atilde;o publicada no BIAR n. 18 de 23/03/2016 - 21&deg; BPM/4RPM, e ci&ecirc;ncia do graduado, nos termos do artigo 43, do CEDM, encontra-se o acusado em situa&ccedil;&atilde;o que o incapacita para a perman&ecirc;ncia nas fileiras da Institui&ccedil;&atilde;o, motivo pelo qual deve responder ao presente Processo Administrativo Disciplinar, em que lhe ser&atilde;o assegurados os postulados constitucionais da ampla defesa e do contradit&oacute;rio;</p> <p>1.5 em raz&atilde;o do descrito acima, o militar encontra-se incurso no inciso I, do art. 64 do CEDM, devendo ser submetido a Processo Administrativo Disciplinar, nos termos do art. 63 do CEDM.</p> <p> </p> <p>Diante disso, o autor foi submetido ao Processo Administrativo- Disciplinar (PAD) em destaque, tendo sido, ao final, punido com a pena de demiss&atilde;o (Portaria Inicial do PAD &ndash; em Evento 1&ndash; DOC24).</p> <p>Na presente a&ccedil;&atilde;o, a defesa alegou que &ldquo;<em>devido &agrave;s diversas circunst&acirc;ncias externas e a sobrecarga sofrida dentro da Institui&ccedil;&atilde;o Militar, com v&aacute;rias movimenta&ccedil;&otilde;es de turnos e locais de empenho, o Autor, em meados do ano de 2012, come&ccedil;ou a enfrentar consequ&ecirc;ncias f&iacute;sicas e psicol&oacute;gicas&rdquo; </em>causadas pela realidade dura do dia a dia profissional, fato que o fez encontrar al&iacute;vio no &aacute;lcool e nas drogas.</p> <p>Segundo a defesa, &ldquo;<em>a situa&ccedil;&atilde;o enfrentada pelo Autor ilustra um ciclo problem&aacute;tico de desafios de sa&uacute;de mental, consequ&ecirc;ncias disciplinares e a dificuldade de navegar no sistema enquanto lidava com suas condi&ccedil;&otilde;es</em>.&rdquo;. Disse, ainda, a defesa que o ex-militar teve que se ausentar repetidamente do trabalho devido a problemas de sa&uacute;de mental e, apesar de estar amparado por atestados m&eacute;dicos, essas aus&ecirc;ncias levaram &agrave; instaura&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios processos de comunica&ccedil;&atilde;o disciplinar.</p> <p>Mencionou que, diante das diversas penalidades disciplinares aplicadas e da classifica&ccedil;&atilde;o resultante no conceito C, o autor foi submetido ao PAD em ep&iacute;grafe.</p> <p>Arguiu, preliminarmente, que &ldquo;<em>a Sindic&acirc;ncia Administrativo-Disciplinar de Portaria n. 116515/2020, que levou o Autor a PAD, n&atilde;o foi submetida &agrave; an&aacute;lise do CEDMU. Tal falha processual &eacute; grave, tendo em vista que o CEDMU &eacute; o &oacute;rg&atilde;o respons&aacute;vel por assegurar a correta aplica&ccedil;&atilde;o das normas disciplinares e a observ&acirc;ncia dos direitos e garantias dos militares</em>.&rdquo;.</p> <p>Afirmou que &ldquo;<em>no caso em tela, referente &agrave; Sindic&acirc;ncia Administrativo-Disciplinar em quest&atilde;o, podemos observar a aus&ecirc;ncia de tr&acirc;nsito em julgado de falta grave, pois al&eacute;m do processo n&atilde;o passar pelo crivo do Colegiado (CEDMU), n&atilde;o teve direito a recursos, o que descaracteriza a configura&ccedil;&atilde;o de uma nova falta grave, conforme exige o Art. 64 do CEDM</em>.&rdquo;</p> <p>Dessa maneira, sustentou que houve a viola&ccedil;&atilde;o expressa do princ&iacute;pio da presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia.</p> <p>Ainda em sede de preliminar, arguiu que o autor, que estava classificado no conceito C e enfrentava restri&ccedil;&otilde;es devido a quest&otilde;es de sa&uacute;de (depend&ecirc;ncia qu&iacute;mica e uso de &aacute;lcool) desde 2012, quando foi descoberto que era dependente qu&iacute;mico, conforme portaria de Sindic&acirc;ncia Regular Reservada (SRR), anexa, e diversos extratos de licen&ccedil;as e dispensas m&eacute;dicas publicados em boletim interno, atestados m&eacute;dicos, guia de interna&ccedil;&atilde;o em cl&iacute;nica psiqui&aacute;trica &ndash; tudo de conhecimento da Junta M&eacute;dica de Sa&uacute;de (JCS) &ndash;, n&atilde;o poderia ser empenhado em atividades operacionais.</p> <p>Disse, tamb&eacute;m, com base nas disposi&ccedil;&otilde;es das Resolu&ccedil;&otilde;es n. 5.135/2021 e n. 4.085/2010 da Pol&iacute;cia Militar de Minas Gerais (PMMG), que o <em>&ldquo;escalonamento do Requerente para atividades operacionais foi uma viola&ccedil;&atilde;o clara das normativas internas da PMMG, levando em considera&ccedil;&atilde;o seu estado de sa&uacute;de e sua classifica&ccedil;&atilde;o no conceito C.&rdquo;.</em></p> <p>Quanto &agrave; terceira preliminar arguida, a defesa sustenta que o laudo pericial confeccionado pela junta m&eacute;dica n&atilde;o leva em conta, de maneira adequada, o contexto completo do requerente, incluindo a influ&ecirc;ncia de seu estado de sa&uacute;de mental na &eacute;poca dos eventos geradores da Portaria N&deg; 114276/21 - PAD/4&ordf; Regi&atilde;o de Pol&iacute;cia Militar (RPM). Sustentou, ainda, que <em>&ldquo;a Junta m&eacute;dica realizou uma an&aacute;lise superficial do estado mental do Autor, n&atilde;o aprofundando na avalia&ccedil;&atilde;o dos efeitos cumulativos e interativos de sua condi&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica e uso de subst&acirc;ncias.&rdquo;</em></p> <p>Aduziu que &ldquo;<em>as conclus&otilde;es do laudo, que apontam a aus&ecirc;ncia de transtorno mental alienante e invalidante, parecem desconsiderar o impacto profundo que o uso prolongado de subst&acirc;ncias psicoativas pode ter sobre a capacidade mental e emocional do Autor.&rdquo;.</em></p> <p>Asseverou que &ldquo;<em>o laudo produzido n&atilde;o reflete a complexidade do hist&oacute;rico de sa&uacute;de do Requerente, incluindo sua luta contra a depend&ecirc;ncia qu&iacute;mica e os transtornos mentais</em>&rdquo;, e destacou &ldquo;<em>o impacto dos transtornos mentais e comportamentais de que sofre o Autor, conforme diagnosticados pelos CIDs F41.1, F41.2, F41.3, F41.0, F19, F10, F32.2, e F43</em>&rdquo;.</p> <p>Registrou que a Administra&ccedil;&atilde;o Militar tinha conhecimento dos problemas de sa&uacute;de (depend&ecirc;ncia qu&iacute;mica/&aacute;lcool) e da depress&atilde;o que acometia o autor e que, em virtude desses problemas de sa&uacute;de, foram instaurados diversos procedimentos administrativos para a apura&ccedil;&atilde;o de transgress&otilde;es relativas, em sua maioria, a faltas ao servi&ccedil;o em per&iacute;odos coincidentes com as licen&ccedil;as gozadas pelo ex-militar.</p> <p>Assim, defendeu que h&aacute; flagrante necessidade de realiza&ccedil;&atilde;o de nova per&iacute;cia psicopatol&oacute;gica, por uma equipe multidisciplinar especializada.</p> <p>Por fim, defendeu, preliminarmente, que h&aacute; possibilidade de interfer&ecirc;ncia do Poder Judici&aacute;rio no m&eacute;rito administrativo, quando houver ofensa aos princ&iacute;pios da proporcionalidade e da razoabilidade, bem como da legalidade.</p> <p>No m&eacute;rito, aduziu que o inciso XVI do artigo 13 do C&oacute;digo de &Eacute;tica e Disciplina dos Militares de Minas Gerais (CEDM) refere-se ao retardamento indevido no cumprimento de um ato de of&iacute;cio e que, no caso em an&aacute;lise, todas as a&ccedil;&otilde;es foram realizadas com a prontid&atilde;o e a dilig&ecirc;ncia exigidas pelas circunst&acirc;ncias.</p> <p>Disse que o "ato de of&iacute;cio" em quest&atilde;o &ndash; a pris&atilde;o em flagrante &ndash; foi influenciado por fatores operacionais e informa&ccedil;&otilde;es, em tempo real, que guiaram a conduta dos militares. Disse, ainda, que os testemunhos do Cb PM Izidoro e do Sargento PM Gilson Ricardo da Silva Freitas, fl. 390 a 393, confirmam que entre a libera&ccedil;&atilde;o do local dos fatos e a efetiva pris&atilde;o de Claudio Peixe o lapso temporal foi inferior a dez minutos, demonstrando a r&aacute;pida a&ccedil;&atilde;o e a dilig&ecirc;ncia dos militares envolvidos.</p> <p>Asseverou que &ldquo;<em>o pr&oacute;prio indiv&iacute;duo abordado, Cl&aacute;udio Peixe, fl. 440 a 442, confirmou a rapidez da a&ccedil;&atilde;o policial, com a chegada das viaturas em sua resid&ecirc;ncia em menos de cinco minutos ap&oacute;s os fatos</em>.&rdquo;</p> <p>Assim, compreendeu, que as provas testemunhais e as evid&ecirc;ncias apresentadas confirmam que a conduta do militar foi uma resposta imediata e necess&aacute;ria &agrave;s circunst&acirc;ncias, e n&atilde;o uma a&ccedil;&atilde;o premeditada ou com inten&ccedil;&atilde;o de descumprir normativas.</p> <p>Afirmou que a jurisprud&ecirc;ncia reconhece a import&acirc;ncia do dolo como elemento para a configura&ccedil;&atilde;o de transgress&otilde;es disciplinares graves e que, sem a comprova&ccedil;&atilde;o de inten&ccedil;&atilde;o dolosa, a conduta n&atilde;o pode ser qualificada como transgress&atilde;o grave, de acordo com o art. 13, XVI, do CEDM.</p> <p>Assim, concluiu que o militar agiu em pleno cumprimento de suas obriga&ccedil;&otilde;es legais e funcionais, sem qualquer atraso ou omiss&atilde;o indevida, devendo a puni&ccedil;&atilde;o ser anulada.</p> <p>Mais adiante, defendeu que o autor n&atilde;o cometeu ato atentat&oacute;rio &agrave; honra pessoal, nem mesmo em desfavor do decoro da classe, e n&atilde;o cometeu nova transgress&atilde;o disciplinar de natureza grave, de modo que, em que pese estar classificado no conceito &ldquo;C&rdquo;, &eacute; not&oacute;rio que vem lutando pela recupera&ccedil;&atilde;o de sua classifica&ccedil;&atilde;o, sendo razo&aacute;vel e proporcional o arquivamento dos autos ou a suspens&atilde;o da pena de demiss&atilde;o.</p> <p>Al&eacute;m disso, mencionou que a demiss&atilde;o do autor foi desproporcional e desarrazoada.</p> <p>Noutro giro, defendeu a aplica&ccedil;&atilde;o dos arts. 96, 140 e 143 da Lei n. 5301, de 16/10/1969.</p> <p>Ao final, pugnou para que, <em>in verbis</em>:</p> <p> </p> <p>A) Seja deferida prontamente a TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA &ldquo;INAUDITA ALTERA PARTE&rdquo;, no sentido de garantir ao Autor o direito de ser reintegrado no cargo de cabo da Policia Militar do Estado de Minas Gerais na unidade a que pertencia antes da decis&atilde;o do PAD, sem sofrer qualquer preteri&ccedil;&atilde;o ou discrimina&ccedil;&atilde;o, devendo a liminar prevalecer at&eacute; julgamento do m&eacute;rito desta a&ccedil;&atilde;o, porque em nada tal decis&atilde;o prejudica o Estado R&eacute;u</p> <p>B) Requer-se a reintegra&ccedil;&atilde;o imediata do Autor ao cargo de Policial Militar, com restabelecimento de todos os direitos e vantagens.</p> <p>C) Requer anula&ccedil;&atilde;o da penalidade de demiss&atilde;o imposta ao Requerente, por ser uma medida desproporcional e irrazo&aacute;vel em face das circunst&acirc;ncias do caso.</p> <p>D) Requer-se a realiza&ccedil;&atilde;o de nova per&iacute;cia psicopatol&oacute;gica por uma equipe multidisciplinar especializada, capaz de realizar uma avalia&ccedil;&atilde;o abrangente e precisa da condi&ccedil;&atilde;o mental do requerente, considerando todos os fatores relevantes.</p> <p>E) A cita&ccedil;&atilde;o do Estado de Minas Gerais, na pessoa do seu representante legal, o Procurador Geral do Estado, para conhecimento da presente a&ccedil;&atilde;o e, querendo, apresentar sua defesa no prazo legal;</p> <p>F) Seja declarado nulo o ato administrativo que demitiu o Autor da PMMG. G) A condena&ccedil;&atilde;o da parte r&eacute; ao pagamento das custas processuais e honor&aacute;rios advocat&iacute;cios; A produ&ccedil;&atilde;o de todas as provas admitidas em direito.</p> <p> </p> <p>Deu &agrave; causa o valor de R$5.000,00 (cinco mil reais).</p> <p>O juiz de direito titular da 1&ordf; Auditoria Judici&aacute;ria Militar Estadual (AJME) recebeu a inicial, conforme a decis&atilde;o constante no evento n. 4, indeferiu o pedido de antecipa&ccedil;&atilde;o de tutela, deferiu o benef&iacute;cio da assist&ecirc;ncia judici&aacute;ria e determinou a cita&ccedil;&atilde;o do r&eacute;u.</p> <p>A defesa interp&ocirc;s agravo de instrumento com requerimento liminar em face da decis&atilde;o que n&atilde;o concedeu a tutela antecipada requerida (evento 17 &ndash; AGRAVO1). O referido recurso foi julgado pela colenda Segunda C&acirc;mara, que negou o pedido liminar e, ao final, negou provimento ao recurso, conforme decis&otilde;es de eventos 21-AGRAVO3 e 44-AC&Oacute;RD&Atilde;O1.</p> <p>O Estado de Minas Gerais apresentou contesta&ccedil;&atilde;o (Evento n. 27), combatendo detidamente todos os argumentos lan&ccedil;ados pela defesa do ex-militar.</p> <p>Disse que n&atilde;o h&aacute; qualquer v&iacute;cio na Sindic&acirc;ncia Administrativo-Disciplinar (SAD) de n. 116.515/2020, instaurada para apura&ccedil;&atilde;o de fatos tidos como transgressivos na data de 02/11/2020, os quais imputaram ao autor, concomitantemente, as penalidades previstas no artigo 13, I e XVI, do CEDM.</p> <p>Disse que a Sindic&acirc;ncia Disciplinar teve seu devido andamento, conforme se depreende dos autos trazidos em anexo, tendo sido oportunizado ao sindicado o contradit&oacute;rio, a ampla defesa e o devido processo legal.</p> <p>Desta forma, esclareceu que, em raz&atilde;o do conceito negativo do autor, a potencial penalidade que lhe seria aplicada ao final da SAD, por possibilitar sua demiss&atilde;o da Institui&ccedil;&atilde;o, deveria ocorrer regularmente por PAD, auferindo-se ao mesmo, chance de se defender e de exercer seus preceitos fundamentais, motivo pelo qual n&atilde;o houve, na SAD n. 116.515/2020, voto do Conselho de &Eacute;tica e Disciplina dos Militares da Unidade (CEDMU), tendo este ocorrido regularmente no PAD, conforme manifesta&ccedil;&atilde;o do Comiss&atilde;o de Processo Administrativo-Disciplinar (CPAD).</p> <p>Apesar de a Sindic&acirc;ncia Administrativa servir como pontap&eacute; para instaura&ccedil;&atilde;o do PAD, disse que foram colhidas novas provas, feitas novas inquiri&ccedil;&otilde;es, bem como realizada avalia&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica pelo pr&oacute;prio CEDMU, em fls. 540 do Evento 1- COP81, raz&atilde;o pela qual seu argumento, de que o v&iacute;cio por aus&ecirc;ncia de avalia&ccedil;&atilde;o na SAD, por parte do CEDMU, evidenciaria nulidade, n&atilde;o merecem prosperar.</p> <p>Afirmou que n&atilde;o existem quaisquer indicativos de omiss&atilde;o da conduta estatal, nem mesmo de neglig&ecirc;ncia, que possibilitem a pavimenta&ccedil;&atilde;o dos argumentos de nulidade e eventual responsabiliza&ccedil;&atilde;o civil objetiva da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica.</p> <p>Mencionou que &ldquo;<em>a Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica Militar tinha conhecimento do quadro cl&iacute;nico do acusado, chegando ao seu conhecimento, apenas em 2021 acerca do uso de subst&acirc;ncias qu&iacute;micas entorpecentes, de modo que passando por per&iacute;cia psicopatol&oacute;gica durante o regular andamento do PAD, restou constatado que o uso de subst&acirc;ncia qu&iacute;mica n&atilde;o afetava a capacidade mental e discernimento, de modo que sem qualquer doen&ccedil;a mental invalidante ou alienante, capazes de absolver a transgress&atilde;o por ele praticada.&rdquo;.</em></p> <p>Destacou que a JCS &eacute; &oacute;rg&atilde;o competente e exclusivo para a verifica&ccedil;&atilde;o do quadro cl&iacute;nico dos integrantes da PMMG e do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, sendo a per&iacute;cia meio para averiguar o estado mental dos policiais, conforme determina a Resolu&ccedil;&atilde;o Conjunta de Sa&uacute;de n. 4278, de 10/10/2013.</p> <p>Destacou, ainda, que n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio outro laudo psicopatol&oacute;gico, tendo em vista que a sua &uacute;ltima avalia&ccedil;&atilde;o pericial ocorreu em 08/08/2023, mediante teleconfer&ecirc;ncia, em que n&atilde;o foram constatadas quaisquer altera&ccedil;&otilde;es do seu exame de estado mental, tendo o ex-militar informado que se encontrava abstra&iacute;do do consumo de coca&iacute;na, al&eacute;m de n&atilde;o estar mais em tratamento psicol&oacute;gico.</p> <p>Sustentou &ldquo;<em>que a parte autora n&atilde;o comprovou, cabalmente, qualquer uma das supostas irregularidades e v&iacute;cios apontados na exordial, o que, por for&ccedil;a do art. 373, I do CPC, lhe incumbia.&rdquo;</em></p> <p>Registrou que o regime jur&iacute;dico-constitucional n&atilde;o autoriza ao Poder Judici&aacute;rio a an&aacute;lise do m&eacute;rito dos atos administrativos, ficando o referido Poder restrito &agrave; an&aacute;lise de legalidade e respeito aos princ&iacute;pios e preceitos constitucionais, tal qual ocorreu no caso dos autos, sob pena de infring&ecirc;ncia ao princ&iacute;pio da triparti&ccedil;&atilde;o dos Poderes consagrado pelo art. 2&ordm; da Carta Maior.</p> <p>Ao final, requereu que sejam julgados improcedentes os pedidos formulados na inicial.</p> <p>A defesa apresentou impugna&ccedil;&atilde;o &agrave; contesta&ccedil;&atilde;o, conforme se nota do evento n. 32</p> <p>Na fase de especifica&ccedil;&atilde;o de provas, a defesa <strong>a</strong>costou aos autos os documentos comprobat&oacute;rios constantes dos eventos 38-ESPECIFICA&Ccedil;&Atilde;O DE PROVAS 1 e 2, bem como requereu a realiza&ccedil;&atilde;o de nova per&iacute;cia m&eacute;dica perante a <strong>JCS</strong> e por profissionais particulares<strong>,</strong> com a realiza&ccedil;&atilde;o de exames neuropsicol&oacute;gicos e avalia&ccedil;&otilde;es complementares, al&eacute;m da oitiva dos m&eacute;dicos respons&aacute;veis pelo acompanhamento cl&iacute;nico do ex-militar,<strong> </strong>conforme requerido no evento 34-MANI3. Por sua vez, o<strong> </strong>Estado de Minas Gerais manifestou-se no sentido de n&atilde;o haver provas a produzir.</p> <p>No evento 45-DEC1, foi proferida decis&atilde;o que<strong> </strong>indeferiu o pedido de produ&ccedil;&atilde;o de prova pericial e testemunhal, ao fundamento de que tais dilig&ecirc;ncias<strong> </strong>n&atilde;o guardam pertin&ecirc;ncia com a causa de pedir<strong> </strong>objeto dos autos, destacando-se que<strong> </strong>ao Poder Judici&aacute;rio compete t&atilde;o somente o controle de legalidade dos atos administrativos, sendo-lhe vedado adentrar no<strong> </strong>m&eacute;rito administrativo, em observ&acirc;ncia ao<strong> </strong>princ&iacute;pio do controle de juridicidade.</p> <p>Insatisfeita com a decis&atilde;o que indeferiu o pedido de realiza&ccedil;&atilde;o de nova per&iacute;cia m&eacute;dica, a defesa interp&ocirc;s agravo de instrumento, que n&atilde;o foi conhecido por este julgador (evento n. 59).</p> <p>Em alega&ccedil;&otilde;es finais, as partes reiteraram as suas teses (evento 51-PET e evento 56-ALEGA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS1).</p> <p>A senten&ccedil;a se encontra no evento n. 64.</p> <p>O douto magistrado sentenciante rejeitou as preliminares arguidas, bem como julgou improcedentes os pedidos do autor, condenando-o ao pagamento das custas processuais e dos honor&aacute;rios advocat&iacute;cios, estes fixados em 10% sobre o valor atualizado da causa. Considerando que ao autor foi deferido o benef&iacute;cio da justi&ccedil;a gratuita, suspendeu a exigibilidade dessas verbas, nos termos do art. 98, &sect;3&ordm;, do C&oacute;digo de Processo Civil (CPC).</p> <p>Irresignada, a defesa do militar apresentou recurso de apela&ccedil;&atilde;o alegando que a senten&ccedil;a proferida pelo Ju&iacute;zo <em>primevo</em> merece reforma, uma vez que a decis&atilde;o guerreada n&atilde;o est&aacute; condizente com as provas e os demais elementos probat&oacute;rios colhidos.</p> <p>Preliminarmente, arguiu a aus&ecirc;ncia de tr&acirc;nsito em julgado de nova falta grave objeto de sindic&acirc;ncia e a nulidade do PAD, por v&iacute;cio de origem.</p> <p>Sustentou que o apelante foi surpreendido com um PAD que culminou em pena capital funcional (demiss&atilde;o), sem sequer ter sido formalmente punido por nova falta grave, ou ao menos submetido a julgamento administrativo anterior.</p> <p>Diante deste fato, que considera v&iacute;cio insan&aacute;vel, requereu o reconhecimento da nulidade absoluta do PAD de Portaria n. 114.276/2021, com a consequente reintegra&ccedil;&atilde;o do apelante ao cargo p&uacute;blico, por afronta direta ao art. 64, inciso I, da Lei n. 14.310/2002, bem como aos princ&iacute;pios constitucionais do contradit&oacute;rio, da ampla defesa e da legalidade.</p> <p>Ainda em sede preliminar, reiterou que o ora apelante n&atilde;o poderia ser escalado para o trabalho operacional armado, tendo em vista que possu&iacute;a veda&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica, restri&ccedil;&atilde;o funcional e conceito disciplinar &ldquo;c&rdquo;.</p> <p>Reiterou tamb&eacute;m, ainda preliminarmente, o pedido de nova per&iacute;cia m&eacute;dica, inclusive, por m&eacute;dico particular, uma vez que, a seu ver, o padr&atilde;o de julgamento adotado pela JCS revela superficialidade, especialmente porque n&atilde;o foram realizados exames neuropsicol&oacute;gicos ou avalia&ccedil;&otilde;es multidisciplinares mais completas, que poderiam aferir o grau real de comprometimento emocional e psicol&oacute;gico do apelante.</p> <p>No m&eacute;rito, ressaltou que &ldquo;<em>n&atilde;o h&aacute; nos autos qualquer ind&iacute;cio de que o Apelante tenha agido com a inten&ccedil;&atilde;o de ofender ou violar a dignidade da v&iacute;tima</em>.&rdquo;.</p> <p>Afirmou que a conduta do apelante foi orientada pelas diretrizes operacionais da PMMG, observando os padr&otilde;es &eacute;ticos e profissionais esperados em situa&ccedil;&otilde;es de risco potencial.</p> <p>Lembrou que o CEDMU considerou que n&atilde;o houve qualquer transgress&atilde;o grave e entendeu pela continuidade do ent&atilde;o militar na corpora&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Aduziu que &ldquo;<em>a CPAD concluiu que n&atilde;o houve atraso indevido nem omiss&atilde;o de ato de of&iacute;cio, reconhecendo que o ato foi efetivamente praticado pelo militar dentro de um lapso razo&aacute;vel. Aduziu, tamb&eacute;m, que que o pr&oacute;prio Conselho de &Eacute;tica e Disciplina Militar da Unidade (CEDMU), por unanimidade de votos, tamb&eacute;m reconheceu que o Apelante n&atilde;o incorreu nas transgress&otilde;es previstas no art. 13, incisos I e XVI do CEDM, refor&ccedil;ando a inexist&ecirc;ncia de qualquer conduta atentat&oacute;ria &agrave; dignidade da pessoa humana ou de omiss&atilde;o funcional.&rdquo;</em></p> <p>Reiterou que a atua&ccedil;&atilde;o do apelante foi eficiente, tempestiva e conforme os padr&otilde;es exigidos, n&atilde;o sendo poss&iacute;vel imputar-lhe qualquer des&iacute;dia ou irregularidade.</p> <p>Defendeu a desclassifica&ccedil;&atilde;o da transgress&atilde;o do art. 13, XVI para o art. 14, VIII do CEDM, por ser este, no seu entendimento, mais condizente com a realidade f&aacute;tica dos autos.</p> <p>Sustentou que a pena de demiss&atilde;o se revela excessiva, arbitr&aacute;ria e injusta, devendo ser anulada ou, subsidiariamente, substitu&iacute;da por san&ccedil;&atilde;o compat&iacute;vel com os fatos efetivamente comprovados e proporcional &agrave; gravidade da infra&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Asseverou que, embora um laudo eventual tenha indicado &ldquo;aptid&atilde;o&rdquo; para o servi&ccedil;o, v&aacute;rios documentos m&eacute;dicos posteriores e sucessivos afastamentos por quest&otilde;es psiqui&aacute;tricas, al&eacute;m de registros de interna&ccedil;&atilde;o por reca&iacute;da, demonstram que o apelante n&atilde;o estava em condi&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas adequadas para atividades operacionais armadas.</p> <p>Dessa forma, acredita que a omiss&atilde;o estatal, nesse ponto, gera responsabilidade objetiva, por falha no dever de prote&ccedil;&atilde;o do servidor p&uacute;blico, conforme o art. 37, &sect; 6&ordm;, da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, bem como viola os princ&iacute;pios constitucionais da dignidade da pessoa humana (art. 1&ordm;, III), da legalidade (art. 37, <em>caput</em>) e da veda&ccedil;&atilde;o &agrave; responsabiliza&ccedil;&atilde;o disciplinar sem a devida capacidade subjetiva.</p> <p>Assim, defendeu que houve falha grave do Estado, que, ao ignorar os laudos e boletins restritivos, contribuiu diretamente para os fatos apurados no PAD.</p> <p>Por fim, mencionou que &ldquo;<em>a resposta adequada do Estado, como determina a Constitui&ccedil;&atilde;o e a jurisprud&ecirc;ncia dos Tribunais Superiores, seria o acolhimento institucional, a reabilita&ccedil;&atilde;o funcional e a readapta&ccedil;&atilde;o administrativa &mdash; jamais a exclus&atilde;o disciplinar sum&aacute;ria.&rdquo;</em>.</p> <p>Ao final, requereu o provimento do recurso de apela&ccedil;&atilde;o, para a reforma da senten&ccedil;a de primeiro grau e o julgamento procedente dos pedidos formulados na inicial.</p> <p>Intimado, o Estado de Minas Gerais apresentou contrarraz&otilde;es requerendo o desprovimento do recurso interposto e a manuten&ccedil;&atilde;o da senten&ccedil;a em seus exatos termos (evento n. 90).</p> <p>Registro que deixei de abrir &ldquo;vista&rdquo; dos autos &agrave; douta Procuradoria de Justi&ccedil;a, considerando a aus&ecirc;ncia das hip&oacute;teses de sua interven&ccedil;&atilde;o, previstas na Recomenda&ccedil;&atilde;o n. 01, de 03/09/2001, do Conselho Superior do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Estado de Minas Gerais, publicada no <em>Minas Gerais</em> de 05/09/2001.</p> <p>&Eacute; o relat&oacute;rio.</p> <p> </p> <p><strong>VOTOS</strong></p> <p><strong>DESEMBARGADOR JAMES FERREIRA SANTOS, RELATOR</strong></p> <p>Trata-se de apela&ccedil;&atilde;o, interposta por ex-Cb PM Tom&eacute; Clayton dos Reis, contra senten&ccedil;a de primeiro grau de jurisdi&ccedil;&atilde;o que julgou improcedentes os pedidos defensivos.</p> <p>Ap&oacute;s detida an&aacute;lise dos autos e dos pressupostos que regem a admissibilidade recursal, concluo que o recurso n&atilde;o merece ser conhecido, diante de sua manifesta intempestividade.</p> <p>Conforme se observa, a intima&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica do apelante acerca da senten&ccedil;a impugnada foi expedida em 17/12/2024 (ter&ccedil;a-feira) (Evento 65 &ndash; Processo Origin&aacute;rio).</p> <p>Considerando-se a suspens&atilde;o dos prazos processuais entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, nos termos do art. 220 do C&oacute;digo de Processo Civil, tem-se que a intima&ccedil;&atilde;o se aperfei&ccedil;oou em 21/01/2025 (ter&ccedil;a-feira), de modo que o prazo recursal teve in&iacute;cio em <strong>22/01/2025 (quarta-feira).</strong></p> <p>Em face da senten&ccedil;a, poderia o apelante opor embargos de declara&ccedil;&atilde;o no prazo de cinco dias &uacute;teis (at&eacute; 28/01/2025) ou interpor apela&ccedil;&atilde;o no prazo de quinze dias &uacute;teis (at&eacute; 11/02/2025).</p> <p>Ocorre que os embargos de declara&ccedil;&atilde;o foram opostos apenas em 11/02/2025 (ter&ccedil;a-feira) (Evento 69 &ndash; Processo Origin&aacute;rio), sendo, por isso, manifestamente intempestivos, motivo pelo qual n&atilde;o foram conhecidos (Evento 76 &ndash; Processo Origin&aacute;rio).</p> <p>Nesse sentido, &eacute; consabido que, segundo a jurisprud&ecirc;ncia dos Tribunais Superiores, embargos de declara&ccedil;&atilde;o intempestivos n&atilde;o t&ecirc;m o cond&atilde;o de interromper o prazo para a interposi&ccedil;&atilde;o de outros recursos.</p> <p>Desse modo, como os embargos de declara&ccedil;&atilde;o intempestivos n&atilde;o interrompem o prazo recursal, a apela&ccedil;&atilde;o poderia ter sido interposta at&eacute; 11/02/2025 (ter&ccedil;a-feira). Todavia, o recurso somente foi protocolado em 15/05/2025, muito ap&oacute;s o decurso do prazo legal (Evento 82 &ndash; Processo Origin&aacute;rio), motivo pelo qual n&atilde;o deve ser conhecido.</p> <p>Diante do exposto, de of&iacute;cio, <strong>n&atilde;o conhe&ccedil;o </strong>do recurso interposto.</p> <p>Nos termos do art. 85, &sect; 11, do CPC, majoro os honor&aacute;rios advocat&iacute;cios fixados na primeira inst&acirc;ncia, estabelecendo-os em 15% (quinze por cento) sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 85, &sect;11, do CPC, ficando suspensa sua exigibilidade em raz&atilde;o da gratuidade de justi&ccedil;a deferida ao apelante.</p> <p>&Eacute; como voto.</p> <p> </p> <p><strong>DESEMBARGADOR FERNANDO ARMANDO RIBEIRO</strong></p> <p>Exmos. Srs. desembargadores,</p> <p>Ap&oacute;s o exame dos autos, verifico que a apela&ccedil;&atilde;o interposta por Tom&eacute; Clayton dos Reis &eacute; <strong>intempestiva</strong>, raz&atilde;o pela qual submeto &agrave; aprecia&ccedil;&atilde;o dos meus pares a <strong>preliminar de n&atilde;o conhecimento </strong>do recurso.</p> <p>Conforme se observa, a intima&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica do apelante acerca da senten&ccedil;a impugnada foi expedida em 17/12/2024 (ter&ccedil;a-feira) (Evento 65 &ndash; Processo Origin&aacute;rio).</p> <p>Considerando a suspens&atilde;o dos prazos processuais entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, nos termos do art. 220 do C&oacute;digo de Processo Civil, tem-se que a intima&ccedil;&atilde;o se aperfei&ccedil;oou em 21/01/2025 (ter&ccedil;a-feira), de modo que o prazo recursal teve in&iacute;cio em <strong>22/01/2025 (quarta-feira)</strong>.</p> <p>Em face da senten&ccedil;a, poderia o apelante opor embargos de declara&ccedil;&atilde;o no prazo de cinco dias &uacute;teis (<strong>at&eacute; 28/01/2025</strong>) ou interpor apela&ccedil;&atilde;o no prazo de quinze dias &uacute;teis (<strong>at&eacute; 11/02/2025</strong>).</p> <p>Ocorre que os <strong>embargos de declara&ccedil;&atilde;o</strong> foram opostos apenas em <strong>11/02/2025 (ter&ccedil;a-feira)</strong> (Evento 69 &ndash; Processo Origin&aacute;rio), sendo, por isso, manifestamente intempestivos, motivo pelo qual <strong>n&atilde;o foram conhecidos</strong> (Evento 76 &ndash; Processo Origin&aacute;rio).</p> <p>Conforme <strong>entendimento pacificado no</strong> <strong>Superior Tribunal de Justi&ccedil;a (STJ)</strong>, <strong>embargos de declara&ccedil;&atilde;o intempestivos <u>n&atilde;o</u> interrompem o prazo para a interposi&ccedil;&atilde;o de outros recursos</strong>. Confiram-se os seguintes precedentes:</p> <p> </p> <p>DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARA&Ccedil;&Atilde;O. INTEMPESTIVIDADE. NULIDADE DOS ATOS SUBSEQUENTES. EMBARGOS ACOLHIDOS. I. CASO EM EXAME</p> <p>1. Embargos de declara&ccedil;&atilde;o opostos ao ac&oacute;rd&atilde;o que conheceu dos embargos de diverg&ecirc;ncia dar parte adversa e deu-lhe provimento.</p> <p>2. A parte embargante aponta erro material e omiss&atilde;o no ac&oacute;rd&atilde;o, sustentando a intempestividade dos embargos de declara&ccedil;&atilde;o anteriores. II. QUEST&Atilde;O EM DISCUSS&Atilde;O</p> <p>3. A quest&atilde;o em discuss&atilde;o consiste em saber se os embargos de declara&ccedil;&atilde;o intempestivos interrompem o prazo recursal e se a intempestividade gera nulidade dos atos subsequentes. III. RAZ&Otilde;ES DE DECIDIR</p> <p>4. <strong>A jurisprud&ecirc;ncia do STJ estabelece que embargos de declara&ccedil;&atilde;o intempestivos n&atilde;o interrompem o prazo recursal, sendo mat&eacute;ria de ordem p&uacute;blica, que pode ser declarada de of&iacute;cio pelo tribunal.</strong></p> <p>5. No caso, os embargos de declara&ccedil;&atilde;o anteriores &agrave; interposi&ccedil;&atilde;o dos embargos de diverg&ecirc;ncia foram protocolizados fora do prazo legal, configurando nulidade absoluta e comprometendo a regularidade dos atos subsequentes. IV. DISPOSITIVO E TESE</p> <p>6. Embargos acolhidos para reconhecer a intempestividade dos anteriores embargos de declara&ccedil;&atilde;o e a consequente nulidade dos recursos subsequentes.</p> <p>Tese de julgamento: <strong>"1. Embargos de declara&ccedil;&atilde;o intempestivos n&atilde;o interrompem o prazo recursal. 2. A intempestividade dos embargos de declara&ccedil;&atilde;o gera a nulidade dos atos subsequentes".</strong></p> <p>Dispositivos relevantes citados: CPC/2015, art. 1.026; Lei n. 11.419/2006, art. 5&ordm;, &sect; 3&ordm;.</p> <p>Jurisprud&ecirc;ncia relevante citada: STJ, AgInt nos EREsp n. 1.896.399/SP, relator Ministro S&eacute;rgio Kukina, DJEN de 19/5/2025. (EDcl nos EAREsp n. 1.518.861/DF, relator Ministro Jo&atilde;o Ot&aacute;vio de Noronha, Segunda Se&ccedil;&atilde;o, julgado em 13/8/2025, DJEN de 18/8/2025.) (Destaca-se)</p> <p> </p> <p>AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO ESPECIAL. N&Atilde;O OBSERV&Acirc;NCIA DO PRAZO LEGAL. EMBARGOS DE DECLARA&Ccedil;&Atilde;O N&Atilde;O CONHECIDOS. AUS&Ecirc;NCIA DE INTERRUP&Ccedil;&Atilde;O DO PRAZO RECURSAL. AGRAVO REGIMENTAL N&Atilde;O PROVIDO.</p> <p>1<strong>. &Eacute; intempestivo o recurso especial interposto ap&oacute;s o prazo de 15 dias, nos termos do art. 1.003, &sect; 5&ordm;, do CPC.</strong></p> <p>2. A jurisprud&ecirc;ncia desta Corte firmou a compreens&atilde;o de que a oposi&ccedil;&atilde;o de embargos declarat&oacute;rios, quando intempestivos, protelat&oacute;rios ou manifestamente incab&iacute;veis, n&atilde;o tem o cond&atilde;o de interromper o prazo para a interposi&ccedil;&atilde;o de outros recursos.</p> <p>3. Agravo regimental n&atilde;o provido. (AgRg no AREsp n. 2.944.382/DF, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 12/8/2025, DJEN de 15/8/2025.)</p> <p> </p> <p>TRIBUT&Aacute;RIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. EMBARGOS DE DIVERG&Ecirc;NCIA INTEMPESTIVOS. EMBARGOS DE DECLARA&Ccedil;&Atilde;O MANIFESTAMENTE INADMISS&Iacute;VEIS E N&Atilde;O CONHECIDOS QUE N&Atilde;O INTERROMPEM O PRAZO RECURSAL. AGRAVO DESPROVIDO.</p> <p>1<strong>. Nos termos da jurisprud&ecirc;ncia desta Corte, a oposi&ccedil;&atilde;o de embargos de declara&ccedil;&atilde;o intempestivos ou incab&iacute;veis ou que deixarem de indicar os v&iacute;cios pr&oacute;prios de embargabilidade (omiss&atilde;o, contradi&ccedil;&atilde;o, obscuridade ou erro material) n&atilde;o &eacute; capaz de interromper o prazo recursal. Precedentes.</strong></p> <p>2. No presente caso, a publica&ccedil;&atilde;o do ac&oacute;rd&atilde;o proferido pela Segunda Turma deste Tribunal ocorreu em 22/3/2024 (fl. 1.295). J&aacute; os embargos de diverg&ecirc;ncia foram opostos somente em 1&ordm;/8/2024, quando j&aacute; esgotado o lapso recursal.</p> <p>3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EREsp n. 1.896.399/SP, relator Ministro S&eacute;rgio Kukina, Primeira Se&ccedil;&atilde;o, julgado em 14/5/2025, DJEN de 19/5/2025.) (Destaca-se)</p> <p> </p> <p>Dessa forma, tendo em vista que os embargos de declara&ccedil;&atilde;o intempestivos n&atilde;o interrompem o prazo recursal, a apela&ccedil;&atilde;o poderia ter sido interposta at&eacute; <strong>11/02/2025 (ter&ccedil;a-feira)</strong>. Contudo, o recurso somente foi interposto em <strong>15/05/2025</strong>, muito ap&oacute;s o decurso do prazo legal (Evento 82 &ndash; Processo Origin&aacute;rio), raz&atilde;o pela qual <strong>n&atilde;o deve ser conhecido</strong>.</p> <p>Registre-se, por oportuno, que o reconhecimento da intempestividade do recurso, sem pr&eacute;via intima&ccedil;&atilde;o das partes para manifesta&ccedil;&atilde;o, <strong>n&atilde;o configura viola&ccedil;&atilde;o ao princ&iacute;pio da n&atilde;o surpresa</strong>, previsto nos artigos 9&ordm; e 10, ambos do CPC.</p> <p>O <strong>STJ</strong> j&aacute; consolidou entendimento no sentido de que o <strong>princ&iacute;pio da n&atilde;o surpresa n&atilde;o possui car&aacute;ter absoluto nem imp&otilde;e sua aplica&ccedil;&atilde;o de modo autom&aacute;tico, sobretudo nas quest&otilde;es que envolvem a admissibilidade recursa</strong>l. Somente h&aacute; &ldquo;surpresa&rdquo; quando a parte &eacute; efetivamente privada da possibilidade de prever e contrapor o fundamento adotado pelo julgador, o que n&atilde;o ocorre na verifica&ccedil;&atilde;o de tempestividade do recurso.</p> <p>A jurisprud&ecirc;ncia daquela Corte &eacute; firme nesse sentido, conforme ilustram os seguintes precedentes:</p> <p> </p> <p>TRIBUT&Aacute;RIO. IPTU. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. C&Oacute;DIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. INTEMPESTIVIDADE DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL E DO RECURSO ESPECIAL. ARTS. 219, 1.003, &sect; 5&ordm;, E 1.070 DO C&Oacute;DIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. FERIADO LOCAL. COMPROVA&Ccedil;&Atilde;O EM MOMENTO POSTERIOR &Agrave; INTERPOSI&Ccedil;&Atilde;O. IMPOSSIBILIDADE. ART. 1.003, &sect; 6&ordm; DO C&Oacute;DIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. PRECEDENTES. INAPLICABILIDADE DA EXCE&Ccedil;&Atilde;O ESTABELECIDA PELA CORTE ESPECIAL DESTE TRIBUNAL SUPERIOR. DIA DE CORPUS CHRISTI. FERIADO LOCAL. SUSPENS&Atilde;O DO PRAZO RECURSAL EM DECORR&Ecirc;NCIA DE RECESSO FORENSE NO STJ. IRRELEV&Acirc;NCIA NA CONTAGEM DO PRAZO PARA A INTERPOSI&Ccedil;&Atilde;O DE RECURSO DIRECIONADO A ESTA CORTE. PRINC&Iacute;PIO DA N&Atilde;O SUPRESA. AUS&Ecirc;NCIA DE AFRONTA. PRECEDENTES. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECIS&Atilde;O ATACADA. AGRAVO INTERNO CONTRA DECIS&Atilde;O A QUAL RECONHECEU A INTEMPESTIVIDADE RECURSAL. MANIFESTA INADMISSIBILIDADE. APLICA&Ccedil;&Atilde;O DE MULTA. ART. 1.021, &sect; 4&ordm;, DO C&Oacute;DIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. CABIMENTO.</p> <p>I - Consoante o decidido pelo Plen&aacute;rio desta Corte na sess&atilde;o realizada em 09.03.2016, o regime recursal ser&aacute; determinado pela data da publica&ccedil;&atilde;o do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o C&oacute;digo de Processo Civil de 2015.</p> <p>II - &Eacute; intempestivo o Agravo em Recurso Especial e o Recurso Especial interpostos fora do prazo de quinze dias, previsto nos arts. 219, 1.003, &sect; 5&ordm;, e 1.070 do estatuto processual civil de 2015.</p> <p>III - Nos termos do art. 1.003, &sect; 6&ordm;, do CPC/2015, o recorrente comprovar&aacute; a ocorr&ecirc;ncia de feriado local no ato de interposi&ccedil;&atilde;o do recurso, n&atilde;o se admitindo a comprova&ccedil;&atilde;o posterior. Precedentes da Corte Especial e das Turmas componentes da 1&ordf; e 2&ordf; Se&ccedil;&atilde;o.</p> <p>IV - Conforme definido pela Corte Especial, em 03.02.2020, ao analisar a Quest&atilde;o de Ordem no Recurso Especial n. 1.813.684/SP, revela-se possibilitada a posterior comprova&ccedil;&atilde;o apenas do feriado local de segunda-feira de Carnaval, em recursos interpostos at&eacute; a data da publica&ccedil;&atilde;o do ac&oacute;rd&atilde;o no mencionado feito (18.11.2019), n&atilde;o se estendendo aos demais feriados.</p> <p>V - A suspens&atilde;o autom&aacute;tica dos prazos processuais durante o feriado de Corpus Christi n&atilde;o encontra amparo na jurisprud&ecirc;ncia desta Corte, porquanto n&atilde;o previsto em legisla&ccedil;&atilde;o federal, sendo considerado feriado local. Precedentes.</p> <p>VI - A exist&ecirc;ncia de recesso forense no Superior Tribunal de Justi&ccedil;a n&atilde;o tem o cond&atilde;o de influenciar na contagem dos prazos para a interposi&ccedil;&atilde;o de recursos perante as inst&acirc;ncias ordin&aacute;rias, ainda que direcionados a esta Corte.</p> <p>VII - A suspens&atilde;o dos prazos processuais em decorr&ecirc;ncia de feriado local deve ser comprovada mediante documento id&ocirc;neo, sendo insuficiente, para tanto, a mera refer&ecirc;ncia, nas raz&otilde;es do recurso, &agrave; exist&ecirc;ncia do ato normativo do tribunal de origem. Precedentes.</p> <p>VIII - <strong>O reconhecimento do n&atilde;o preenchimento de requisito de admissibilidade de recurso n&atilde;o afronta o princ&iacute;pio da n&atilde;o surpresa. Precedentes das Turmas componentes da 1&ordf; Se&ccedil;&atilde;o desta Corte.</strong></p> <p>IX - N&atilde;o apresenta&ccedil;&atilde;o de argumentos suficientes para desconstituir a decis&atilde;o recorrida.</p> <p>X - Em regra, descabe a imposi&ccedil;&atilde;o da multa, prevista no art. 1.021, &sect; 4&ordm;, do C&oacute;digo de Processo Civil de 2015, em raz&atilde;o do mero improvimento do Agravo Interno em vota&ccedil;&atilde;o un&acirc;nime, sendo necess&aacute;ria a configura&ccedil;&atilde;o da manifesta inadmissibilidade ou improced&ecirc;ncia do recurso a autorizar sua aplica&ccedil;&atilde;o.</p> <p>XI - Considera-se manifestamente inadmiss&iacute;vel e enseja a aplica&ccedil;&atilde;o da multa prevista no art. 1.021, &sect; 4&ordm;, do C&oacute;digo de Processo Civil de 2015 nos casos em que o Agravo Interno foi interposto contra decis&atilde;o a qual reconheceu a intempestividade recursal.</p> <p>XII - Agravo Interno improvido, com aplica&ccedil;&atilde;o de multa de 1% (um por cento) sobre o valor atualizado da causa. (AgInt no AREsp n. 2.007.090/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 4/4/2022, DJe de 6/4/2022.)</p> <p> </p> <p>PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRINC&Iacute;PIO DA N&Atilde;O SURPRESA. INAPLICABILIDADE. FERIADO LOCAL. INTEMPESTIVIDADE. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO.</p> <p>1. Na decis&atilde;o agravada ficou consignado: "Mediante an&aacute;lise do recurso de NAIR DO ROCIO GONCALVES TOKAZ, a parte recorrente foi intimada da decis&atilde;o agravada em 28/05/2020, sendo o agravo somente interposto em 19/06/2020". O recurso &eacute;, pois, manifestamente intempestivo, porquanto interposto fora do prazo de 15 (quinze) dias &uacute;teis, nos termos do art. 994, VIII, c/c os arts. 1.003, &sect; 5&ordm;, 1.042, caput, e 219, caput, todos do C&oacute;digo de Processo Civil.</p> <p><strong>2. No que se refere &agrave; viola&ccedil;&atilde;o ao art. 10 do CPC/2015, n&atilde;o h&aacute; viabilidade jur&iacute;dica para acolhimento da proposi&ccedil;&atilde;o. O denominado "princ&iacute;pio da n&atilde;o surpresa" n&atilde;o possui dimens&otilde;es absolutas que levem &agrave; sua aplica&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica e irrestrita, principalmente nos casos afetos &agrave; admissibilidade do recurso. "Surpresa" somente o &eacute; quando a parte n&atilde;o possui meios de prever e contrapor o argumento decis&oacute;rio utilizado, o que n&atilde;o sucede em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; aferi&ccedil;&atilde;o de prazo processual para fins de tempestividade de recurso.</strong></p> <p>3. Prevalece no STJ o entendimento firmado no AgInt no AREsp 957.821/MS, segundo o qual, nos casos de Recurso Especial interposto na vig&ecirc;ncia do CPC/2015, o feriado local deve ser comprovado no ato da interposi&ccedil;&atilde;o do recurso, sendo imposs&iacute;vel comprova&ccedil;&atilde;o posterior, nos termos do art. 1.003, &sect; 6&ordm;, do CPC/2015.</p> <p>4. O fato de o sistema Projudi n&atilde;o ter registrado a informa&ccedil;&atilde;o de intempestividade, na juntada da peti&ccedil;&atilde;o recursal, n&atilde;o altera a extemporaneidade e a inviabilidade do conhecimento do recurso.</p> <p>5. Agravo Interno n&atilde;o provido. (AgInt no AREsp n. 1.778.081/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 21/2/2022, DJe de 15/3/2022.)</p> <p> </p> <p>AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. <strong>INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO DE AGRAVO. CONSTATA&Ccedil;&Atilde;O</strong>. AUS&Ecirc;NCIA DE COMPROVA&Ccedil;&Atilde;O DE SUSPENS&Atilde;O DOS PRAZOS NAS INST&Acirc;NCIAS DE ORIGEM<strong>. PRINC&Iacute;PIO DA N&Atilde;O SURPRESA. INAPLICABILIDADE DIANTE DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO PROCESSO</strong>. AGRAVO DESPROVIDO. (AgInt no AREsp n. 1.823.353/DF, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 8/6/2021, DJe de 14/6/2021.)</p> <p> </p> <p>Diante do exposto, de of&iacute;cio, <strong>n&atilde;o conhe&ccedil;o </strong>do recurso interposto.</p> <p>Nos termos do art. 85, &sect; 11, do CPC, majoro os honor&aacute;rios advocat&iacute;cios fixados na primeira inst&acirc;ncia, estabelecendo-os em 15% (quinze por cento) sobre o valor atualizado da causa, ficando suspensa sua exigibilidade em raz&atilde;o da gratuidade de justi&ccedil;a deferida ao apelante.</p> <p>&Eacute; como voto.</p> <p> </p> <p><strong>DESEMBARGADOR S&Oacute;CRATES EDGARD DOS ANJOS</strong></p> <p>Acompanho, pelos mesmos fundamentos, o voto do eminente desembargador relator, que nega provimento ao recurso de apela&ccedil;&atilde;o.</p> <p> </p> <p><strong>Belo Horizonte, sess&atilde;o ordin&aacute;ria presencial de julgamento do Tribunal de Justi&ccedil;a Militar do Estado de Minas Gerais, aos 13 de novembro de 2025.</strong></p></section> <section> <p>Belo Horizonte, 13 de novembro de 2025.</p></section> <section> </section> <section> <p> </p> <hr> <p> </p></section> <footer> </footer></article></body></html>

28/11/2025, 00:00

Publicacao/Comunicacao Intimação - Ato ordinatório ATO ORDINATÓRIO <!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.01//EN" "http://www.w3.org/TR/html4/strict.dtd"><html lang="pt-br"><head><meta http-equiv="Pragma" content="no-cache" /><meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=iso-8859-1"/></head><style>body{ padding: 10px; font-family: Times New Roman; font-size:13pt }; #divHeader{ line-height:25px; margin-bottom:30px }; #divBody{ max-width:90%; text-align:justify }</style><body><div id="divHeader"><b>APELAÇÃO CÍVEL Nº 2000148-38.2023.9.13.0005/MG (originário: processo nº 20001483820239130005/JME)<table border="0"><tr><td>RELATOR</td><td>: JAMES FERREIRA SANTOS</td></tr><tr><td>APELANTE</td><td>: TOME CLAYTON DOS REIS (AUTOR)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: MARCOS LOPES BARBA (OAB MG217850)</td></tr></table></b></div><div id="divBody"><center><p>ATO ORDINATÓRIO</p></center> <p>Intimação realizada no sistema eproc.</p><p>O ato refere-se ao seguinte evento:</p><p>Evento 10 - 01/10/2025 - 12115 - Inclusão em pauta para julgamento de mérito </p></div></body></html>

02/10/2025, 00:00

Publicacao/Comunicacao Intimação 442 - Intima-se as partes para o processo distribuído no Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais.

08/09/2025, 00:00

Publicacao/Comunicacao Lista de distribuição 442 - Processo distribuído no Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais.

08/09/2025, 00:00

Remessa Externa - 4AJME -> TJM

04/09/2025, 16:31

11010 - Proferido despacho de mero expediente

02/09/2025, 18:06

51 - Conclusos/6 - Para decisão

26/08/2025, 16:57

PETIÇÃO PROTOCOLADA JUNTADA - Refer. ao Evento: 88

25/08/2025, 14:37

12266 - Confirmada a intimação eletrônica - Refer. ao Evento: 88

31/07/2025, 23:59

12265 - Expedida/certificada a intimação eletrônica

21/07/2025, 16:17

11010 - Proferido despacho de mero expediente

17/07/2025, 16:16

11010 - Proferido despacho de mero expediente

17/07/2025, 16:15

51 - Conclusos/5 - Para despacho

05/06/2025, 13:10

1051 - Decorrido prazo de - Refer. ao Evento: 78

03/06/2025, 01:35
Documentos
DESPACHO
02/09/2025, 18:06
DESPACHO
17/07/2025, 16:16
DESPACHO
17/07/2025, 16:15
DECISÃO
08/05/2025, 18:56
SENTENÇA
17/12/2024, 15:58
DECISÃO
13/09/2024, 14:32
DECISÃO
19/08/2024, 16:39
AGRAVO
29/07/2024, 21:41
DESPACHO
25/06/2024, 19:08
DECISÃO
25/06/2024, 19:04
ACÓRDÃO
20/06/2024, 14:46
DESPACHO
04/06/2024, 15:22
DESPACHO
09/04/2024, 14:20
DESPACHO
05/03/2024, 10:29
DESPACHO
14/02/2024, 20:17