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0002290-57.2025.8.27.2726

Procedimento Comum CívelPráticas AbusivasDIREITO DO CONSUMIDOR
TJTO1° GrauEm andamento
Data de Distribuicao
25/11/2025
Valor da Causa
R$ 10.435,30
Orgao julgador
Juízo da 1ª Escrivania Cível de Miranorte
Partes do Processo
Nenhuma parte cadastrada
Advogados / Representantes
Nenhum advogado cadastrado
Movimentacoes

Protocolizada Petição

12/05/2026, 15:10

Publicado no DJEN - no dia 05/05/2026 - Refer. ao Evento: 45

05/05/2026, 02:44

Disponibilizado no DJEN - no dia 04/05/2026 - Refer. ao Evento: 45

04/05/2026, 02:12

Publicacao/Comunicacao Intimação - Ato ordinatório ATO ORDINATÓRIO <!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.01//EN" "http://www.w3.org/TR/html4/strict.dtd"><html lang="pt-br"><head><meta http-equiv="Pragma" content="no-cache" /><meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=iso-8859-1"/></head><style>body{ padding: 10px; font-family: Times New Roman; font-size:13pt }; #divHeader{ line-height:25px; margin-bottom:30px }; #divBody{ max-width:90%; text-align:justify }</style><body><div id="divHeader"><b>PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL Nº 0002290-57.2025.8.27.2726/TO<table border="0"><tr><td>RELATOR</td><td>: RICARDO GAGLIARDI</td></tr><tr><td>RÉU</td><td>: BANCO BRADESCO S.A.</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: ROBERTO DOREA PESSOA (OAB BA012407)</td></tr></table></b></div><div id="divBody"><center><p>ATO ORDINATÓRIO</p></center> <p>Intimação realizada no sistema eproc.</p><p>O ato refere-se ao seguinte evento:</p><p>Evento 44 - 30/04/2026 - Protocolizada Petição - APELAÇÃO </p></div></body></html>

04/05/2026, 00:00

Decurso de Prazo - Refer. ao Evento: 39

01/05/2026, 00:03

Ato ordinatório praticado Documento encaminhado à disponibilização no Diário Eletrônico - no dia 04/05/2026 - Refer. ao Evento: 45

30/04/2026, 15:24

Intimação Eletrônica - Expedida/Certificada - Contrarrazões

30/04/2026, 14:44

Protocolizada Petição - Refer. ao Evento: 40

30/04/2026, 13:18

Juntada de certidão - suspensão do prazo - Motivo: FERIADO MUNICIPAL em 21/04/2026

16/04/2026, 14:26

Publicado no DJEN - no dia 07/04/2026 - Refer. aos Eventos: 39, 40

07/04/2026, 02:45

Disponibilizado no DJEN - no dia 06/04/2026 - Refer. aos Eventos: 39, 40

06/04/2026, 02:13

Publicacao/Comunicacao Intimação - Sentença SENTENÇA <html> <head> <meta> <style></style> </head> <body> <article> <header> <div></div> </header> <section><b>Procedimento Comum C&iacute;vel N&ordm; 0002290-57.2025.8.27.2726/TO</b></section> <section><b><table><tr><td>AUTOR</td><td>: PEDRO PINHEIRO CARVALHO</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: C&Eacute;SAR AUGUSTO PINHEIRO MORAIS (OAB TO008793)</td></tr><tr><td>R&Eacute;U</td><td>: BANCO BRADESCO S.A.</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: ROBERTO DOREA PESSOA (OAB BA012407)</td></tr></table></b></section> <section> <p align="center">SENTEN&Ccedil;A</p> </section> <section> <p><strong>Vistos.</strong></p> <p>Trata-se de A&Ccedil;&Atilde;O DECLARAT&Oacute;RIA DE INEXIST&Ecirc;NCIA DE RELA&Ccedil;&Atilde;O JUR&Iacute;DICA C/C REPETI&Ccedil;&Atilde;O DE IND&Eacute;BITOC/C INDENIZA&Ccedil;&Atilde;O POR DANOS MORAIS formulada por <span>PEDRO PINHEIRO CARVALHO</span> em desfavor de BANCO BRADESCO S.A., todos qualificados nos autos, alegando, em s&iacute;ntese, a abusividade da cobran&ccedil;a de cesta de manuten&ccedil;&atilde;o de conta banc&aacute;ria, requerendo a restitui&ccedil;&atilde;o em dobro das taxas cobradas e danos morais.</p> <p>A inicial foi recebida, ocasi&atilde;o em que houve a invers&atilde;o do &ocirc;nus da prova.</p> <p>A r&eacute; foi citada e apresentou contesta&ccedil;&atilde;o, desacompanhada de instrumento de abertura de conta, ou qualquer outro documento que demonstrasse o perfil da conta banc&aacute;ria do autor.</p> <p>R&eacute;plica remissiva &agrave; inicial pelo autor.</p> <p><strong>&Eacute; o relat&oacute;rio. Passo a decidir.</strong></p> <p>Inicialmente, observa-se que as partes s&atilde;o leg&iacute;timas e h&aacute; interesse em agir. N&atilde;o &eacute; o caso de interven&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico. Presentes os demais pressupostos processuais. H&aacute; teses preliminares de m&eacute;rito pendentes de aprecia&ccedil;&atilde;o. A invers&atilde;o do &ocirc;nus da prova se deu no recebimento da inicial.</p> <p>A mat&eacute;ria pende exclusivamente de prova documental, suficientemente juntada nos autos, motivos pelo qual mostra-se despicienda a produ&ccedil;&atilde;o de prova oral. Por isso, INDEFIRO o pedido de produ&ccedil;&atilde;o de prova oral.</p> <p>Observa-se que as provas carreadas aos autos s&atilde;o suficientes para o julgamento da lide, nos moldes do artigo 355, I, do CPC, sendo o m&eacute;rito procedente em parte.</p> <p><strong><u>Preliminar: Car&ecirc;ncia de a&ccedil;&atilde;o - Aus&ecirc;ncia de pretens&atilde;o resistida</u></strong></p> <p>&Eacute; amplamente majorit&aacute;rio o entendimento de que a parte demandante n&atilde;o est&aacute; obrigada a esgotar a via administrativa, sob pena de obstar o acesso &agrave; justi&ccedil;a. Logo, REJEITO a tese preliminar.</p> <p><strong>Passo ao exame do M&Eacute;RITO.</strong></p> <p>De acordo com os artigos 1&ordm; e 2&ordm;, inc. I, da resolu&ccedil;&atilde;o 3.402, de 2006, do Banco Central do Brasil, os bancos ficam proibidos de cobrarem tarifas pela presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os banc&aacute;rios para recebimento de proventos de aposentadoria.</p> <p>A conta benef&iacute;cio &eacute; uma modalidade de conta disponibilizada pelas institui&ccedil;&otilde;es financeiras com uma finalidade &uacute;nica e exclusiva de recebimento de sal&aacute;rios, pens&otilde;es, aposentadorias ou similares, sem que haja qualquer incid&ecirc;ncia de tarifas de servi&ccedil;os ou manuten&ccedil;&atilde;o de conta. A conta benef&iacute;cio tem caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias, definidas na legisla&ccedil;&atilde;o, tais como n&atilde;o admite outro tipo de dep&oacute;sito al&eacute;m dos cr&eacute;ditos da entidade pagadora e n&atilde;o &eacute; moviment&aacute;vel por cheques.</p> <p>Esta modalidade de conta est&aacute; prevista na Resolu&ccedil;&atilde;o 3402/06 do Conselho Monet&aacute;rio Nacional, que versa sobre os servi&ccedil;os que devem ser oferecidos sem que haja a cobran&ccedil;a de qualquer valor, como saques totais ou parciais ou transfer&ecirc;ncia de valores para outras Institui&ccedil;&otilde;es Financeiras.</p> <p>Constando em seu artigo primeiro a obrigatoriedade que as institui&ccedil;&otilde;es financeiras possuem em oferecer o servi&ccedil;o desta forma, conforme segue:</p> <p>Art. 1&ordm; A partir de 2 de abril de 2007, as institui&ccedil;&otilde;es financeiras, na presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de pagamento de sal&aacute;rios, proventos, soldos, vencimentos, aposentadorias, pens&otilde;es e similares, ficam obrigadas a proceder aos respectivos cr&eacute;ditos em nome dos benefici&aacute;rios mediante utiliza&ccedil;&atilde;o de contas n&atilde;o moviment&aacute;veis por cheques destinadas ao registro e controle do fluxo de recursos, &agrave;s quais n&atilde;o se aplicam as disposi&ccedil;&otilde;es da Resolu&ccedil;&atilde;o 2.025, de 24 de novembro de 1993, com as altera&ccedil;&otilde;es introduzidas pelas Resolu&ccedil;&otilde;es 2.747, de 28 de junho de 2000, e 2.953, de 25 de abril de 2002, nem da Resolu&ccedil;&atilde;o 3.211, de 30 de junho de 2004. (Prazo prorrogado pela Resolu&ccedil;&atilde;o 3.424, de 21/12/2006).</p> <p>Ainda, no artigo segundo de mesma resolu&ccedil;&atilde;o, diz acerca dos deveres e veda&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o impostas aos bancos e similares, da seguinte forma:</p> <p>Art. 2&ordm; Na presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os nos termos do art. 1&ordm;: I - e vedado &agrave; institui&ccedil;&atilde;o financeira contratada cobrar dos benefici&aacute;rios, a qualquer t&iacute;tulo, tarifas destinadas ao ressarcimento pela realiza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os, devendo ser observadas, al&eacute;m das condi&ccedil;&otilde;es previstas nesta resolu&ccedil;&atilde;o, a legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica referente a cada esp&eacute;cie de pagamento e as demais normas aplic&aacute;veis; II - a institui&ccedil;&atilde;o financeira contratada deve assegurar a faculdade de transfer&ecirc;ncia, com disponibilidade no mesmo dia, dos cr&eacute;ditos para conta de dep&oacute;sitos de titularidade dos benefici&aacute;rios, por eles livremente abertas na forma da Resolu&ccedil;&atilde;o 2.025, de 1993, e altera&ccedil;&otilde;es posteriores, ou da Resolu&ccedil;&atilde;o 3.211, de 2004, em outras institui&ccedil;&otilde;es financeiras e demais institui&ccedil;&otilde;es autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil.</p> <p>Importante observar que, no par&aacute;grafo primeiro de mesmo artigo, s&atilde;o mencionados os servi&ccedil;os que devem ser prestados pelas institui&ccedil;&otilde;es financeiras aos portadores destas contas, sem que haja a cobran&ccedil;a de valores referente &agrave; servi&ccedil;os, dizendo o seguinte:</p> <p>&sect; 1&ordm; A veda&ccedil;&atilde;o &agrave; cobran&ccedil;a de tarifas referida no inciso I aplica-se, inclusive, &agrave;s opera&ccedil;&otilde;es de: I - saques, totais ou parciais, dos cr&eacute;ditos; II - transfer&ecirc;ncias dos cr&eacute;ditos para outras institui&ccedil;&otilde;es, quando realizadas pelos benefici&aacute;rios pelo valor total creditado, admitida a dedu&ccedil;&atilde;o de eventuais descontos com eles contratados para serem realizados nas contas de que trata o art. 1&ordm;, relativos a parcelas de opera&ccedil;&otilde;es de empr&eacute;stimo, de financiamento ou de arrendamento mercantil.</p> <p>Vale lembrar que, para que seja caracterizado como conta benef&iacute;cio, o portador n&atilde;o deve contratar servi&ccedil;os adicionais oferecidos pelo banco, e tamb&eacute;m, n&atilde;o deve ser uma conta moviment&aacute;vel por cheques. Somente desta maneira &eacute; poss&iacute;vel conceder a isen&ccedil;&atilde;o de tarifas banc&aacute;rias.</p> <p>Concomitantemente, a Cartilha do Idoso da Previd&ecirc;ncia Social (p&aacute;gina 24 e 25), informa que o INSS possui um acordo com a Federa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Bancos &ndash; FEBRABAN, cujo objetivo &eacute; fazer com que as institui&ccedil;&otilde;es financeiras garantam aos aposentados e pensionistas um Pacote de Tarifa Zero para o recebimento do benef&iacute;cio depositado pelo INSS.</p> <p>Portanto, a proibi&ccedil;&atilde;o da cobran&ccedil;a de tarifas em contas banc&aacute;rias de recebimento de proventos &eacute; a regra, sendo poss&iacute;vel &ndash; exce&ccedil;&atilde;o <strong>&ndash; </strong>a cobran&ccedil;a de tarifas banc&aacute;rias na contrata&ccedil;&atilde;o de pacote remunerado de servi&ccedil;os ou quando excedidos os limites de gratuidade previstos na Res. 3.919/2010 do BACEN.</p> <p>Pois bem. <u>Da an&aacute;lise do conjunto probat&oacute;rio</u>, constata-se que, embora a parte r&eacute; n&atilde;o tenha apresentado o contrato de abertura de conta, o extrato juntado na inicial pelo autor n&atilde;o evidencia a contrata&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os alheios ao pacote de servi&ccedil;os essenciais de quem somente recebe benef&iacute;cio. Somente s&atilde;o observados os movimentos banc&aacute;rios de recebimento dos proventos da aposentadoria e o saque, al&eacute;m da cobran&ccedil;a da referida taxa de manuten&ccedil;&atilde;o de conta, ora impugnada.</p> <p>Assim sendo, tem-se que o banco requerido n&atilde;o se desincumbiu do &ocirc;nus processual (art. 373, II, do CPC) para demonstrar a exist&ecirc;ncia de outras opera&ccedil;&otilde;es da parte autora, al&eacute;m do simples recebimento e saque dos proventos. A institui&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria sequer trouxe aos autos contrato de abertura de conta corrente ou outro documentos de contrata&ccedil;&atilde;o da cesta b&aacute;sica de servi&ccedil;os, os quais s&atilde;o s&atilde;o utilizados.</p> <p>Neste sentido a jurisprud&ecirc;ncia dos Tribunais:</p> <p>EMENTA - APELA&Ccedil;&Atilde;O. A&Ccedil;&Atilde;O DE CONVERS&Atilde;O DE CONTA CORRENTE PARA CONTA COM PACOTE DE TARIFAS ZERO C.C. REPETI&Ccedil;&Atilde;O DE IND&Eacute;BITO C.C. INDENIZA&Ccedil;&Atilde;O POR DANOS MORAIS. APOSENTADO. CONTA CORRENTE DESTINADA AO RECEBIMENTO DO BENEF&Iacute;CIO DE APOSENTADORIA. TARIFAS BANC&Aacute;RIAS. COBRAN&Ccedil;A. CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O. AUTORIZA&Ccedil;&Atilde;O. AUS&Ecirc;NCIA. DECLARA&Ccedil;&Atilde;O DE ILEGALIDADE. SENTEN&Ccedil;A REFORMADA. Nos termos do artigo 2o, inciso I, da Resolu&ccedil;&atilde;o no 3402, de 2006, do Banco Central do Brasil, &eacute; vedado &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es financeiras cobrar tarifas a qualquer t&iacute;tulo no caso de conta em que o benefici&aacute;rio recebe sal&aacute;rio ou aposentadoria.</p> <p>(TJTO &ndash; Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel N&ordm; 00025761720198272703/TO, julgado em 01.06.2020)</p> <p>EMENTA: APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL. A&Ccedil;&Atilde;O DE CONVERS&Atilde;O DE CONTA CORRENTE PARA CONTA COM PACOTE DE TARIFAS ZERO C.C. REPETI&Ccedil;&Atilde;O DE IND&Eacute;BITO C.C. INDENIZA&Ccedil;&Atilde;O POR DANOS MORAIS. APOSENTADO. CONTA CORRENTE DESTINADA AO RECEBIMENTO DO BENEF&Iacute;CIO DE APOSENTADORIA. TARIFAS BANC&Aacute;RIAS. COBRAN&Ccedil;A. CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O. AUTORIZA&Ccedil;&Atilde;O. AUS&Ecirc;NCIA. C&Oacute;DIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. DECLARA&Ccedil;&Atilde;O DE ILEGALIDADE. SENTEN&Ccedil;A REFORMADA. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO 1. A partir da an&aacute;lise da rela&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica existente entre as partes, &eacute; poss&iacute;vel verificar que a institui&ccedil;&atilde;o financeira se enquadra no conceito de fornecedor de produtos e servi&ccedil;os, constante do artigo 3o do C&oacute;digo de Defesa do Consumidor. Nesse contexto, deve-se aplicar &agrave; hip&oacute;tese os preceitos do C&oacute;digo de Defesa do Consumidor, sendo esta a pac&iacute;fica orienta&ccedil;&atilde;o jurisprudencial, sedimentada na S&uacute;mula no 297 do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a. 2. A aus&ecirc;ncia de comprova&ccedil;&atilde;o da contrata&ccedil;&atilde;o de pacote de servi&ccedil;os banc&aacute;rios, de modo a autorizar o desconto de tarifas banc&aacute;rias em conta corrente destinada ao recebimento de benef&iacute;cio de aposentadoria de correntista, gera o dever de a institui&ccedil;&atilde;o financeira indeniz&aacute;-lo por danos morais decorrente do ato il&iacute;cito praticado, sobretudo quando a correntista &eacute; idosa, aposentado e percebe benef&iacute;cio previdenci&aacute;rio naquela conta. 3. Respeita aos princ&iacute;pios norteadores do instituto - razoabilidade e proporcionalidade - a fixa&ccedil;&atilde;o de R$ 5.000,00 como indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais mostra-se adequado ao caso concreto. 4. Por fim, a aus&ecirc;ncia de demonstra&ccedil;&atilde;o inequ&iacute;voca da m&aacute;-f&eacute; do banco, que realizou os descontos indevidos em conta corrente, enseja a repara&ccedil;&atilde;o de dano material na sua forma simples. 5. Recurso conhecido e parcialmente provido.</p> <p> (Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel 0002527-88.2020.8.27.2719, Rel. JACQUELINE ADORNO DE LA CRUZ BARBOSA, GAB. DA DESA. JACQUELINE ADORNO, julgado em 25/11/2020, DJe 04/12/2020 16:26:13)</p> <p>Consequentemente, conclue-se que a regra geral deve estar pautada na an&aacute;lise das estritas movimenta&ccedil;&otilde;es banc&aacute;rias de recebimento e saque dos proventos, desde que n&atilde;o haja outras contrata&ccedil;&otilde;es como empr&eacute;stimos da institui&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria, seguro, cheques, cart&otilde;es de cr&eacute;dito etc. Assim, &eacute; poss&iacute;vel vislumbrar o perfil da conta como conta-benef&iacute;cio.</p> <p><strong><u>Da repeti&ccedil;&atilde;o do ind&eacute;bito</u></strong></p> <p>Quanto &agrave; <strong>repeti&ccedil;&atilde;o do ind&eacute;bito, </strong>observa-se que cab&iacute;vel, uma vez que est&atilde;o cumulativamente preenchidos os requisitos: a) <strong>cobran&ccedil;a indevida</strong> de d&iacute;vida decorrente de <strong>contrato de consumo</strong>; b) <strong>efetivo pagamento do ind&eacute;bito</strong> pelo consumidor; e c) <strong>engano injustific&aacute;vel</strong> por parte do fornecedor ou prestador, com fulcro na jurisprud&ecirc;ncia pac&iacute;fica do STJ e nos termos do par&aacute;grafo &uacute;nico do artigo 42 do CDC.</p> <p>A cobran&ccedil;a se mostrou indevida, eis que a Resolu&ccedil;&atilde;o n. 3402 do BACEN expressamente prev&ecirc; a conta benef&iacute;cio sem cobran&ccedil;a de tarifas, porquanto tamb&eacute;m n&atilde;o se constatou movimenta&ccedil;&otilde;es financeiras excessivas na conta banc&aacute;ria. O engano de cobran&ccedil;a &eacute; injustific&aacute;vel, dada a tecnologia dos sistemas banc&aacute;rios e a n&atilde;o comprova&ccedil;&atilde;o da contrata&ccedil;&atilde;o da cesta. Houve o efetivo pagamento das tarifas de manuten&ccedil;&atilde;o de conta, sendo comprovada conforme extratos banc&aacute;rios do evento 01.</p> <p>Essas circunst&acirc;ncias evidenciam conduta contr&aacute;ria &agrave; boa-f&eacute; objetiva, dando causa &agrave; restitui&ccedil;&atilde;o em dobro (art. 42, par&aacute;grafo &uacute;nico, do CDC) dos valores indevidamente descontados do benef&iacute;cio previdenci&aacute;rio da consumidora, conforme entendimento consolidado do STJ (EAREsp 622.897/RS).</p> <p>Portanto, de rigor a <u>restitui&ccedil;&atilde;o em dobro</u> das tarifas cobradas, conforme extrato banc&aacute;rio do evento 01, mediante corre&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria, a partir da data de cada desconto, de acordo com os &iacute;ndices do manual de c&aacute;lculos do TJTO, e juros de mora de 1% ao m&ecirc;s a partir da cita&ccedil;&atilde;o.</p> <p><strong><u>Dos danos morais</u></strong></p> <p>O dano moral se revela como uma dor interior n&atilde;o apreci&aacute;vel economicamente, pois se cinge a um sentimento negativo, que n&atilde;o causa modifica&ccedil;&otilde;es no mundo exterior, disciplinado por diversos diplomas legais, quais sejam, art. 5&deg;, X, CF/88, artigos 186 e 927 do CC/02 e art. 6&deg;, VI, do CDC.</p> <p>Tenho que h&aacute; falar em dano moral indeniz&aacute;vel, posto que existem provas de sua ocorr&ecirc;ncia.</p> <p>No caso em apre&ccedil;o, resta evidente a conduta il&iacute;cita da requerida, na medida em que efetuou o pacto contratual e as cobran&ccedil;as mediante d&eacute;bito em conta de pessoa sem sequer conferir a documenta&ccedil;&atilde;o pessoal da parte autora e o perfil enquadrado, e, quando demandada em ju&iacute;zo sequer juntou a documenta&ccedil;&atilde;o supostamente existente.</p> <p>Por outro lado, n&atilde;o se verifica que as condutas do r&eacute;u foram capazes de causar danos na orbita da personalidade da parte Autora. Conclui-se isso pelos diminutos valores mensais descontados, bem como pelo fato de que eles teriam durado anos sem que ela buscasse resolver a situa&ccedil;&atilde;o. Desta forma, evidencia-se que eles n&atilde;o lhe causaram sofrimento insuper&aacute;vel ou de dif&iacute;cil supera&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Os danos morais <em>in re ipsa</em> incide em casos excepcionais nas contrata&ccedil;&otilde;es fraudulentas, como nos casos em que os descontos decorrentes do neg&oacute;cio jur&iacute;dico inv&aacute;lido ou nulo possuem valores vultosos ao ponto comprometer a m&iacute;nima qualidade de vida de uma pessoa hipossuficiente economicamente (acima de 20% dos rendimentos l&iacute;quidos) ou quando ocorre a demonstra&ccedil;&atilde;o concreta desvio produtivo (Teoria do Desvio Produtivo), hip&oacute;tese em que o consumidor comprova que desperdi&ccedil;ou seu tempo e atividades para resolver problemas de consumo que sequer deveriam existir e n&atilde;o obteve resultado (n&atilde;o conseguiu resolver extrajudicialmente perante o fornecedor ou com o aux&iacute;lio do PROCON por exemplo), dentre outras hip&oacute;teses violadoras dos direitos da personalidade.</p> <p>Desta forma, a situa&ccedil;&atilde;o apresentada nos autos n&atilde;o enseja danos morais <em>in re ipsa</em> e a parte Autora n&atilde;o apresentou elementos concretos de que os fatos tenham lhe causados danos que ultrapassem o mero aborrecimento ou dissabor, que lhe causasse abalo moral significante e, consequentemente, possibilitasse indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais.</p> <p>Em s&iacute;ntese a parte n&atilde;o se desincumbiu de seu &ocirc;nus processual previsto no artigo 373, I, do CPC.</p> <p><strong><u>DISPOSITIVO</u></strong></p> <p><strong>Ante o exposto</strong>, JULGO parcialmente procedente a pretens&atilde;o inicial para:</p> <p>a) DECLARAR a nulidade das cobran&ccedil;as de tarifa banc&aacute;ria proveniente da e cesta de manuten&ccedil;&atilde;o e, por consequ&ecirc;ncia, a convers&atilde;o em conta benef&iacute;cio;</p> <p>b) CONDENAR a institui&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria &agrave; restitui&ccedil;&atilde;o em dobro das tarifas indevidamente debitadas, conforme extrato banc&aacute;rio do evento 01, com a indica&ccedil;&atilde;o id&ecirc;ntica &agrave;quela constante na peti&ccedil;&atilde;o inicial, atualizada(s) monetariamente pelo INPC a partir da data de cada desconto e juros de mora de 1% ao m&ecirc;s, ambos incidentes desde cada desconto indevido (S&uacute;mulas 43 e 54 do STJ e art. 398 do CC/02).</p> <p>Os juros dos descontos eventualmente realizados a partir de setembro de 2024, ser&atilde;o atualizados pela sistem&aacute;tica do art. 406, &sect; 1&deg;do CC/02 com reda&ccedil;&atilde;o dada pela Lei n&ordm; 14.905/2024 (IPCA + juros de SELIC - IPCA) at&eacute; o efetivo pagamento. Resta vedada a cumula&ccedil;&atilde;o dos &iacute;ndices de corre&ccedil;&atilde;o (IPCA) e de juros morat&oacute;rios (Selic). Em caso de sobreposi&ccedil;&atilde;o no per&iacute;odo, o primeiro ser&aacute; deduzido do segundo, uma vez que a corre&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria j&aacute; est&aacute; embutida na Selic (STJ, EDcl no REsp 1025298/RS). Noutras palavras, em caso de sobreposi&ccedil;&atilde;o, incidir-se-&aacute; apenas a Selic.</p> <p>Condeno o r&eacute;u ao pagamento de despesas processuais e honor&aacute;rios advocat&iacute;cios que arbitro 10% (dez por cento) do valor da condena&ccedil;&atilde;o, com fundamento no artigo 85, &sect; 2&ordm;, do CPC, levando em considera&ccedil;&atilde;o do trabalho desenvolvido e a complexidade da causa.</p> <p>Deixo de condenar a parte autora em sucumb&ecirc;ncia em raz&atilde;o do entendimento consolidado na S&uacute;mula n&ordm; 326 do STJ (na a&ccedil;&atilde;o de indeniza&ccedil;&atilde;o por dano moral, a condena&ccedil;&atilde;o em montante inferior ao postulado na inicial n&atilde;o implica sucumb&ecirc;ncia rec&iacute;proca).</p> <p>Ap&oacute;s o tr&acirc;nsito em julgado, proceda-se &agrave; baixa com as devidas cautelas e a cobran&ccedil;a das despesas processuais.</p> <p>Publique-se. Registre-se. Intimem-se para ci&ecirc;ncia e para, querendo, renunciarem, ao prazo recursal.</p> <p>Miranorte - TO, data certificada eletronicamente.</p></section> <section> </section> <section> <p> </p> <hr> <p> </p></section> <footer> </footer></article></body></html>

06/04/2026, 00:00

Intimação Eletrônica - Expedida/Certificada - Sentença

31/03/2026, 15:21

Intimação Eletrônica - Expedida/Certificada - Sentença

31/03/2026, 15:21

Julgamento - Com Resolução do Mérito - Procedência em Parte

30/03/2026, 18:17
Documentos
ATO ORDINATÓRIO
30/04/2026, 15:24
SENTENÇA
30/03/2026, 18:17
ATO ORDINATÓRIO
06/03/2026, 16:58
DECISÃO/DESPACHO
05/03/2026, 18:55
ATO ORDINATÓRIO
30/01/2026, 13:55
ATO ORDINATÓRIO
01/12/2025, 15:49
DECISÃO/DESPACHO
27/11/2025, 18:35