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2000252-25.2026.9.13.0005

Correicao Parcial MilitarCrimes de TorturaCrimes Previstos na Legislação ExtravaganteDIREITO PENAL
TJMMG1° GrauEm andamento
Data de Distribuicao
06/03/2026
Valor da Causa
R$ 0,00
Orgao julgador
Juiz Substituto da 5ª Auditoria - Criminal
Partes do Processo
Nenhuma parte cadastrada
Advogados / Representantes
Nenhum advogado cadastrado
Movimentacoes

Publicacao/Comunicacao Intimação Acórdão - <html> <head> <meta> <style></style> </head> <body> <article> <header> <div></div> <div></div> </header> <section><b>Correi&ccedil;&atilde;o Parcial (C&acirc;mara) N&ordm; 2000252-25.2026.9.13.0005/JME</b></section> <section><b><table><tr><td>RELATOR</td><td>: Desembargador RUBIO PAULINO COELHO</td></tr><tr><td>CORRIGENTE</td><td>: GUILHERME SOARES MOTA (CORRIGENTE)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: JORGE VIEIRA DA ROCHA (OAB MG145316)</td></tr></table></b></section> <section> <p align="center">EMENTA</p> </section> <section> <p><strong>CORREI&Ccedil;&Atilde;O PARCIAL &ndash; CRIME DE TORTURA (LEI N. 9.455/97) &ndash; PRELIMINAR DE IMPROPRIEDADE DA VIA ELEITA N&Atilde;O ACOLHIDA &ndash; DECIS&Atilde;O DE SANEAMENTO DO PROCESSO &ndash; LEVANTAMENTO DE SOBRESTAMENTO &ndash; INDEFERIMENTO FUNDAMENTADO DE DILIG&Ecirc;NCIAS PROBAT&Oacute;RIAS REQUERIDAS PELA DEFESA &ndash; NO M&Eacute;RITO, RECURSO ESPECIAL SEM EFEITO SUSPENSIVO AUTOM&Aacute;TICO &ndash; PRINC&Iacute;PIO DA DURA&Ccedil;&Atilde;O RAZO&Aacute;VEL DO PROCESSO &ndash; AUS&Ecirc;NCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA &ndash; PRECLUS&Atilde;O DE SUPOSTAS NULIDADES &ndash; MANUTEN&Ccedil;&Atilde;O DA DECIS&Atilde;O IMPUGNADA &ndash; RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO.</strong></p></section> <section> <p align="center">AC&Oacute;RD&Atilde;O</p> </section> <section> <p>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os desembargadores da Primeira C&acirc;mara, por unanimidade, em passar pela preliminar de impropriedade da via eleita, arguida pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico, e, no m&eacute;rito, tamb&eacute;m por unanimidade, negar provimento ao recurso.</p> <p> </p> <p><strong>RELAT&Oacute;RIO </strong></p> <p>Trata-se de correi&ccedil;&atilde;o parcial interposta pelo advogado Jorge Vieira da Rocha (OAB/MG 145316), em favor do 2&ordm; Ten PM <span>Guilherme Soares Mota</span> (evento 448), contra decis&atilde;o proferida pelo juiz de direito substituto da 5&ordf; Auditoria de Justi&ccedil;a Militar Estadual (AJME) (evento 433), nos autos da A&ccedil;&atilde;o Penal Militar n. 001341-13.2018.9.13.0001, que move o Minist&eacute;rio P&uacute;blico em desfavor do corrigente e dos corr&eacute;us Tiago Mateus Lacerda Freitas e Carlos Ramon Silva Chagas.</p> <p>Consta nos autos que, em 1&ordm; de outubro de 2015, na cidade de Montalv&acirc;nia, MG, os tr&ecirc;s policiais militares mencionados, teriam constrangido a v&iacute;tima Rafael Bento Lopes, com emprego de viol&ecirc;ncia e grave amea&ccedil;a, submetendo-a a intenso sofrimento f&iacute;sico e mental com o prop&oacute;sito de obter informa&ccedil;&otilde;es sobre um suposto traficante de drogas. As agress&otilde;es, que inclu&iacute;ram o uso de spray de pimenta, sufocamento com saco pl&aacute;stico, afogamento simulado, espancamentos e amea&ccedil;a de viol&ecirc;ncia sexual, teriam resultado em les&atilde;o corporal de natureza grave, consistente na perda parcial da audi&ccedil;&atilde;o da v&iacute;tima, conforme laudos periciais acostados nos autos.</p> <p>Por estes fatos, os policiais militares foram denunciados perante o ju&iacute;zo da Vara &Uacute;nica da Comarca de Montalv&acirc;nia, MG, pela pr&aacute;tica do crime de tortura qualificada, com causa de aumento de pena, tipificado no artigo 1&ordm;, inciso I, al&iacute;nea &ldquo;a&rdquo;, c/c os par&aacute;grafos 3&ordm; e 4&ordm;, inciso I, da Lei n. 9.455/97.</p> <p>A den&uacute;ncia foi recebida em 04 de julho de 2017.</p> <p>Com o advento da Lei n. 13.491/2017, que alterou a compet&ecirc;ncia da Justi&ccedil;a Militar, os autos foram remetidos a esta justi&ccedil;a especializada, sendo distribu&iacute;dos, inicialmente, &agrave; 1&ordf; AJME e, posteriormente, redistribu&iacute;dos &agrave; 5&ordf; AJME.</p> <p>Durante a instru&ccedil;&atilde;o processual, a defesa do corrigente suscitou diversos incidentes, valendo destacar:</p> <p>- Incidente de Exce&ccedil;&atilde;o de Coisa Julgada (evento 90), sob o argumento de que os fatos apurados seriam id&ecirc;nticos aos do Processo n. 0000010-64.2019.9.13.0001, no qual o corrigente foi condenado pelos crimes de viola&ccedil;&atilde;o de domic&iacute;lio e falsidade ideol&oacute;gica.</p> <p>A exce&ccedil;&atilde;o foi rejeitada pelo ju&iacute;zo <em>a quo</em> (evento 122), decis&atilde;o contra a qual a defesa interp&ocirc;s Recurso em Sentido Estrito, n&atilde;o conhecido por intempestividade (evento 154), e, subsequentemente, Carta Testemunh&aacute;vel, &agrave; qual foi negado provimento (evento 22 dos Autos n&ordm; 2000118-49.2022.9.13.0001).</p> <p>- Incidente de Falsidade Documental (Autos de n. 2000118-49.2022.9.13.0001), em que foi questionada a autenticidade e o conte&uacute;do do Auto de Corpo de Delito (ACD) complementar que atestou a les&atilde;o auditiva da v&iacute;tima. Este incidente, ap&oacute;s ser julgado improcedente em primeira inst&acirc;ncia, (evento 107), foi objeto de Recurso em Sentido Estrito, ao qual este Tribunal de Justi&ccedil;a Militar negou provimento (evento 18 dos Autos de n. 2000281-46.2024.9.13.00005). Em decorr&ecirc;ncia deste Incidente de Falsidade Documental, o andamento da a&ccedil;&atilde;o principal foi sobrestado (evento 412).</p> <p>Com o julgamento deste recurso pelo Tribunal de Justi&ccedil;a Militar, o ju&iacute;zo de primeiro grau, por meio da decis&atilde;o ora guerreada (evento 451), determinou o levantamento do sobrestamento da a&ccedil;&atilde;o penal, bem como indeferiu dilig&ecirc;ncias probat&oacute;rias requeridas pela defesa, como a reinquiri&ccedil;&atilde;o da v&iacute;tima e a juntada de documentos funcionais do corrigente, por consider&aacute;-las impertinentes ou protelat&oacute;rias. Na mesma oportunidade, deferiu a realiza&ccedil;&atilde;o de novo interrogat&oacute;rio dos acusados e determinou a posterior abertura de prazo para a apresenta&ccedil;&atilde;o de alega&ccedil;&otilde;es finais.</p> <p>N&atilde;o satisfeita com o levantamento do sobrestamento da a&ccedil;&atilde;o penal, a defesa interp&ocirc;s a presente Correi&ccedil;&atilde;o Parcial, sustentando que houve <em>&ldquo;error in procedendo&rdquo;, </em>tendo em vista que, na sua concep&ccedil;&atilde;o, o sobrestamento do feito deveria ser mantido at&eacute; o tr&acirc;nsito em julgado do recurso interposto perante o Superior Tribunal de Justi&ccedil;a (STJ) no Incidente de Falsidade Documental. Alega, ainda, a exist&ecirc;ncia de cerceamento de defesa, em raz&atilde;o do indeferimento das dilig&ecirc;ncias pleiteadas e da nulidade do interrogat&oacute;rio anteriormente realizado, pugnando pela reforma da decis&atilde;o.</p> <p>Assim, em 1&ordf; inst&acirc;ncia, foi formado o traslado da correi&ccedil;&atilde;o parcial, registrado sob o n. 2000252-25.2026.9.13.0003, recebido o recurso, mantida a decis&atilde;o recorrida em ju&iacute;zo de retrata&ccedil;&atilde;o (evento 491 dos autos de 1&ordf; inst&acirc;ncia) e apresentadas as contrarraz&otilde;es (evento 476 &ndash; CONTRAZ2).</p> <p>Em suas raz&otilde;es (evento 448 dos autos de 1&ordf; inst&acirc;ncia), a defesa insurge-se contra a decis&atilde;o proferida pelo juiz de direito substituto da 5&ordf; AJME, requerendo:</p> <p>- recebimento e processamento da correi&ccedil;&atilde;o parcial, com a concess&atilde;o de efeito suspensivo, a fim de suspender-se o andamento da a&ccedil;&atilde;o penal at&eacute; o julgamento do recurso;</p> <p>- reforma da decis&atilde;o que levantou o sobrestamento do processo, para que a a&ccedil;&atilde;o penal permane&ccedil;a suspensa at&eacute; o tr&acirc;nsito em julgado do Incidente de Falsidade Documental ou da controv&eacute;rsia ainda submetida ao STJ;</p> <p>- reconhecimento do cerceamento de defesa, com a consequente reforma da decis&atilde;o que indeferiu dilig&ecirc;ncias probat&oacute;rias requeridas pela defesa;</p> <p>- determina&ccedil;&atilde;o de reabertura da fase instrut&oacute;ria, especialmente para: realizar nova oitiva da v&iacute;tima perante o Ju&iacute;zo Militar, permitir a produ&ccedil;&atilde;o das demais provas requeridas pela defesa e assegurar a plena participa&ccedil;&atilde;o da defesa t&eacute;cnica na produ&ccedil;&atilde;o de provas;</p> <p>- regulariza&ccedil;&atilde;o do interrogat&oacute;rio do acusado, com a realiza&ccedil;&atilde;o de novo interrogat&oacute;rio em condi&ccedil;&otilde;es que garantam o pleno exerc&iacute;cio da autodefesa.</p> <p>Nas contrarraz&otilde;es do Minist&eacute;rio P&uacute;blico (evento 476 dos autos de 1&ordf; inst&acirc;ncia), o &oacute;rg&atilde;o ministerial pugnou pela manuten&ccedil;&atilde;o integral da decis&atilde;o impugnada, sustentando, em s&iacute;ntese, que:</p> <p>- n&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o jur&iacute;dica para a manuten&ccedil;&atilde;o do sobrestamento do processo, uma vez que o recurso especial interposto contra o ac&oacute;rd&atilde;o que decidiu o Incidente de Falsidade Documental n&atilde;o possui efeito suspensivo autom&aacute;tico, nos termos da legisla&ccedil;&atilde;o processual aplic&aacute;vel;</p> <p>- a a&ccedil;&atilde;o penal tramita h&aacute; aproximadamente nove anos, tendo sua dura&ccedil;&atilde;o sido ampliada em raz&atilde;o da interposi&ccedil;&atilde;o de sucessivos incidentes processuais, circunst&acirc;ncia que imp&otilde;e ao magistrado o dever de assegurar o regular prosseguimento do feito, em observ&acirc;ncia ao princ&iacute;pio constitucional da razo&aacute;vel dura&ccedil;&atilde;o do processo;</p> <p>- n&atilde;o houve qualquer cerceamento de defesa, pois a v&iacute;tima foi regularmente ouvida sob o crivo do contradit&oacute;rio quando o processo ainda tramitava na Justi&ccedil;a comum, sendo certo que a posterior modifica&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncia n&atilde;o invalida automaticamente os atos probat&oacute;rios j&aacute; realizados;</p> <p>- a aus&ecirc;ncia de questionamentos por parte do defensor dativo na audi&ecirc;ncia de oitiva da v&iacute;tima constitui op&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica inerente &agrave; atua&ccedil;&atilde;o profissional do advogado, n&atilde;o sendo poss&iacute;vel presumir preju&iacute;zo &agrave; defesa t&eacute;cnica;</p> <p>- o indeferimento de dilig&ecirc;ncias requeridas pela defesa encontra amparo no poder de dire&ccedil;&atilde;o do processo conferido ao magistrado, que, na condi&ccedil;&atilde;o de destinat&aacute;rio da prova, pode indeferir medidas impertinentes ou meramente protelat&oacute;rias;</p> <p>- n&atilde;o est&atilde;o presentes os pressupostos de cabimento da correi&ccedil;&atilde;o parcial, uma vez que a decis&atilde;o recorrida n&atilde;o cont&eacute;m erro de procedimento, abuso ou ato tumultu&aacute;rio apto a justificar a interven&ccedil;&atilde;o correicional.</p> <p>Os autos foram remetidos a este egr&eacute;gio Tribunal.</p> <p>Em parecer ofertado no evento 9, o eminente procurador de justi&ccedil;a, Dr. Jos&eacute; Aparecido Gomes Rodrigues, preliminarmente, manifestou-se pelo n&atilde;o conhecimento da presente correi&ccedil;&atilde;o parcial, por sua manifesta impropriedade. Alternativamente, na hip&oacute;tese de supera&ccedil;&atilde;o da preliminar, opinou, no m&eacute;rito, pelo seu desprovimento, mantendo-se inc&oacute;lume a r. decis&atilde;o proferida pelo ju&iacute;zo da 5&ordf; AJME.</p> <p>&Eacute; o relat&oacute;rio.</p> <p> </p> <p><strong>VOTOS</strong></p> <p><strong>DESEMBARGADOR R&Uacute;BIO PAULINO COELHO, RELATOR</strong></p> <p>Argui o Minist&eacute;rio P&uacute;blico a <strong>preliminar de impropriedade da via eleita,</strong> hip&oacute;tese de cabimento da correi&ccedil;&atilde;o parcial, uma vez que, na decis&atilde;o impugnada no evento 433 dos autos origin&aacute;rios, n&atilde;o se vislumbrou qualquer erro, abuso ou ato tumultu&aacute;rio no processo, cometido ou consentido por juiz.</p> <p>&Eacute; relevante frisar que as quest&otilde;es tratadas neste recurso n&atilde;o se devem referir ao m&eacute;rito dos fatos, mas, sim, focar no tr&acirc;mite regular do andamento do processo, ou seja, na inobserv&acirc;ncia de formalidades procedimentais.</p> <p>Pelo que vejo nos autos, a defesa, em suas raz&otilde;es no evento 448, se insurgiu contra o levantamento do processo que estava sobrestado, bem como contra o indeferimento das dilig&ecirc;ncias probat&oacute;rias por ela requeridas, da realiza&ccedil;&atilde;o de nova oitiva da v&iacute;tima, da produ&ccedil;&atilde;o de outras provas e da realiza&ccedil;&atilde;o de novo interrogat&oacute;rio, sugerindo que houve <em>&ldquo;error in procedendo&rdquo; </em>na aplica&ccedil;&atilde;o do direito processual, buscando sanar v&iacute;cios de procedimento.</p> <p>Desta forma, entendo que estas discuss&otilde;es trazidas se confundem com o pr&oacute;prio m&eacute;rito do recurso, motivo pelo qual <strong>passo por esta preliminar de impropriedade da via eleita</strong> e abordo, a seguir, as quest&otilde;es levantadas pela defesa que foram decididas durante a tramita&ccedil;&atilde;o desta a&ccedil;&atilde;o penal militar.</p> <p><strong>- Da Regularidade do Levantamento do Sobrestamento dos Autos</strong></p> <p>A defesa sustenta que a a&ccedil;&atilde;o penal deveria ser sobrestada at&eacute; o tr&acirc;nsito em julgado definitivo da decis&atilde;o proferida no Incidente de Falsidade Documental, que ainda se encontra pendente de an&aacute;lise de recurso no Superior Tribunal de Justi&ccedil;a (STJ).</p> <p>Verifica-se que o sobrestamento anterior (evento 412) foi determinado em decorr&ecirc;ncia da necessidade de se aguardar a solu&ccedil;&atilde;o do incidente no &acirc;mbito deste Tribunal de Justi&ccedil;a Militar. Contudo, conforme ac&oacute;rd&atilde;o de julgamento do Recurso em Sentido Estrito, no evento 18 dos Autos de n. 2000281-46.2024.9.13.0005, foi negado provimento ao recurso, mantendo-se a decis&atilde;o proferida em primeira inst&acirc;ncia que julgou improcedentes os pedidos formulados no Incidente de Falsidade Documental arguido pelo 2&ordm; Ten PM <span>Guilherme Soares Mota</span>, n&atilde;o subsistindo mais a raz&atilde;o que justificava o sobrestamento.</p> <p>Lado outro, a interposi&ccedil;&atilde;o de Recurso Especial n&atilde;o possui efeito suspensivo autom&aacute;tico. Nos termos do artigo 995 do C&oacute;digo de processo Civil (CPC) (aplic&aacute;vel subsidiariamente ao processo penal), os recursos possuem, como regra, apenas efeito devolutivo, salvo disposi&ccedil;&atilde;o legal ou decis&atilde;o judicial em sentido diverso. Em conjunto, verifica-se que o Recurso Especial manejado em face do ac&oacute;rd&atilde;o que manteve a decis&atilde;o que extinguiu o Incidente de Falsidade Documental n&atilde;o &eacute; dotado de efeito suspensivo, <em>ex vi</em> do art. 1.029, &sect;5&ordm;, do CPC c/c o art. 3&ordm;, al&iacute;nea "e", do C&oacute;digo de Processo Penal Militar (CPPM).</p> <p>Conforme se pode constatar na certid&atilde;o juntada (evento 448 &ndash; DOC4), o recurso especial n&atilde;o foi conhecido e, na sequ&ecirc;ncia, o corrigente vem, atrav&eacute;s de in&uacute;meros recursos, assim como ocorrido nos presentes autos, arrastando sobremaneira a dura&ccedil;&atilde;o razo&aacute;vel do processo.</p> <p>Desta forma, a decis&atilde;o impugnada constitui exerc&iacute;cio leg&iacute;timo do poder de dire&ccedil;&atilde;o do processo e concretiza o princ&iacute;pio da dura&ccedil;&atilde;o razo&aacute;vel do processo (art. 5&ordm;, LXXVIII, Constitui&ccedil;&atilde;o Federal), n&atilde;o havendo que se falar em qualquer preju&iacute;zo para a defesa.</p> <p>Nesse sentido, acolher a tese do corrigente implicaria admitir a paralisa&ccedil;&atilde;o indefinida da a&ccedil;&atilde;o penal militar, em afronta &agrave; efetividade da jurisdi&ccedil;&atilde;o e ao interesse p&uacute;blico, contrariando a jurisprud&ecirc;ncia consolidada dos tribunais superiores, que &eacute; firme no sentido de que, como dito, recursos excepcionais n&atilde;o possuem efeito suspensivo autom&aacute;tico. Foi correto o indeferimento do pedido de sobrestamento dos autos.</p> <p><strong>- Da aus&ecirc;ncia de cerceamento de defesa</strong></p> <p>A defesa alega que houve cerceamento de sua defesa e, al&eacute;m de se insurgir contra o indeferimento de dilig&ecirc;ncias, insiste por nova oitiva da v&iacute;tima Rafael Bento Lopes, que j&aacute; foi ouvida quando a a&ccedil;&atilde;o penal tramitava na Justi&ccedil;a comum, na Comarca de Montalv&acirc;nia, MG.</p> <p>&Eacute; certo que, com o advento da Lei n. 13.491/2017, a Justi&ccedil;a Militar teve uma amplia&ccedil;&atilde;o de sua compet&ecirc;ncia e, a partir de 13/10/2017, foi reconhecida a incompet&ecirc;ncia da Justi&ccedil;a comum para processar e julgar esta a&ccedil;&atilde;o penal. No entanto os atos de produ&ccedil;&atilde;o probat&oacute;ria foram realizados perante o ju&iacute;zo da Comarca de Montalv&acirc;nia, que, &agrave; &eacute;poca se apresentava como competente.</p> <p>A posterior declina&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncia para a Justi&ccedil;a Militar n&atilde;o tem o cond&atilde;o de invalidar, automaticamente, os atos instrut&oacute;rios j&aacute; praticados, especialmente quando observadas as garantias do contradit&oacute;rio e da ampla defesa. Aplica-se a teoria do ju&iacute;zo aparente, consolidada na jurisprud&ecirc;ncia dos tribunais superiores, que prestigia a validade dos atos processuais praticados de boa-f&eacute;.</p> <p>Deve-se ainda levar em considera&ccedil;&atilde;o que a suposta nulidade n&atilde;o foi arguida na primeira oportunidade que a defesa teve para se manifestar nos autos ap&oacute;s a sua ocorr&ecirc;ncia. Conforme detalhado pelo ju&iacute;zo <em>a quo</em>, na decis&atilde;o de evento 451, a defesa, ap&oacute;s constituir novos patronos, participou de diversos atos processuais sem jamais questionar a validade da referida oitiva. A argui&ccedil;&atilde;o, apresentada apenas na fase do artigo 427 do CPPM, encontra-se fulminada pela preclus&atilde;o, nos termos do artigo 505 do CPPM. Trata-se de clara hip&oacute;tese de &ldquo;nulidade de algibeira&rdquo;, pr&aacute;tica recha&ccedil;ada pela jurisprud&ecirc;ncia, por violar a boa-f&eacute; processual.</p> <p>No que tange &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o da oitiva da v&iacute;tima, mais de dez anos ap&oacute;s a ocorr&ecirc;ncia dos fatos, al&eacute;m de ser medida de duvidosa efic&aacute;cia probat&oacute;ria, em raz&atilde;o do natural esquecimento e da possibilidade de contamina&ccedil;&atilde;o das mem&oacute;rias, submeteria o ofendido a uma indevida revitimiza&ccedil;&atilde;o, pr&aacute;tica que atenta contra a sua dignidade e que &eacute; vedada pela legisla&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea, a exemplo da Lei n&ordm; 14.321/2022, que tipificou o crime de viol&ecirc;ncia institucional. Foi correto o indeferimento do pedido de reinquiri&ccedil;&atilde;o da v&iacute;tima.</p> <p><strong>- Do indeferimento de dilig&ecirc;ncias probat&oacute;rias requeridas pela defesa</strong></p> <p>Quanto ao indeferimento de outras dilig&ecirc;ncias requeridas pela defesa, como a requisi&ccedil;&atilde;o de detalhada documenta&ccedil;&atilde;o funcional, a decis&atilde;o tamb&eacute;m se mostra acertada, pois o magistrado, como destinat&aacute;rio final da prova, possui a prerrogativa de indeferir, de forma fundamentada, aquelas que se mostrem irrelevantes ou meramente protelat&oacute;rias, o que foi feito com acerto, ao ser realizada pondera&ccedil;&atilde;o de que o Extrato de Registros Funcionais (ERF) j&aacute; seria suficiente para a an&aacute;lise da conduta do militar.</p> <p>De igual modo, contrariamente ao que pleiteia a defesa, a simples substitui&ccedil;&atilde;o de patronos pelos acusados n&atilde;o tem o cond&atilde;o de invalidar atos processuais j&aacute; realizados.</p> <p>A defesa sustenta que o defensor dativo nomeado pelo Ju&iacute;zo da Comarca de Montalv&acirc;nia n&atilde;o formulou perguntas na audi&ecirc;ncia realizada em 23/04/2018, todavia verifica-se que o defensor dativo acompanhou a oitiva e exerceu o encargo para o qual fora nomeado, ainda que tenha optado por n&atilde;o formular questionamentos.</p> <p>Cumpre destacar que a eventual op&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica do defensor dativo de n&atilde;o formular perguntas n&atilde;o configura aus&ecirc;ncia ou defici&ecirc;ncia de defesa t&eacute;cnica. A atua&ccedil;&atilde;o do advogado &eacute; pautada por autonomia profissional, sendo invi&aacute;vel presumir-se preju&iacute;zo pelo simples fato de n&atilde;o ter havido ado&ccedil;&atilde;o de linha de questionamento espec&iacute;fica.</p> <p>Diante dos fatos, n&atilde;o existe nulidade, nem cerceamento de defesa ou preju&iacute;zo demonstrado, devendo ser preservada a validade dos atos processuais regularmente praticados, uma vez que o pedido formulado revela mero inconformismo com a estrat&eacute;gia da defesa anteriormente praticada.</p> <p>Acertada foi a decis&atilde;o de indeferimento de dilig&ecirc;ncias requeridas pela defesa, consideradas impertinentes, desnecess&aacute;rias ou protelat&oacute;rias ao deslinde da a&ccedil;&atilde;o penal, o que encontra respaldo no poder de dire&ccedil;&atilde;o do processo atribu&iacute;do ao magistrado, que, na condi&ccedil;&atilde;o de destinat&aacute;rio da prova, pode indeferir requerimentos que n&atilde;o contribuam para o esclarecimento da verdade dos fatos.</p> <p><strong>- Da realiza&ccedil;&atilde;o de novo interrogat&oacute;rio dos r&eacute;us</strong></p> <p>De igual forma, a alega&ccedil;&atilde;o de nulidade do interrogat&oacute;rio realizado em 18/10/2022 perdeu completamente o seu objeto. Na decis&atilde;o de saneamento (evento 451), por cautela e em respeito ao sistema acusat&oacute;rio, o magistrado deferiu a realiza&ccedil;&atilde;o de novo interrogat&oacute;rio dos acusados, sanando, desta forma, qualquer eventual v&iacute;cio anterior.</p> <p>&Eacute; relevante mencionar que, nesta mesma decis&atilde;o de saneamento do processo (evento 451), o magistrado de piso tamb&eacute;m deferiu a juntada do Processo de Indignidade para o Oficialato de n. 08000083-35.2018.9.13.0000 do corrigente, a pedido da defesa.</p> <p>Feitas estas considera&ccedil;&otilde;es, <strong>passo pela preliminar de impropriedade da via eleita arguida pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico, </strong>tendo em vista que as quest&otilde;es trazidas pela defesa se confundem com o pr&oacute;prio m&eacute;rito do recurso.</p> <p>No m&eacute;rito, mantenho inc&oacute;lume a decis&atilde;o (evento 433) proferida pelo ju&iacute;zo da 5&ordf; Auditoria de Justi&ccedil;a Militar Estadual, que representa o leg&iacute;timo exerc&iacute;cio do poder de dire&ccedil;&atilde;o processual conferido ao magistrado, o qual, de forma criteriosa e fundamentada deliberou sobre o andamento da a&ccedil;&atilde;o penal e a pertin&ecirc;ncia das dilig&ecirc;ncias e dos pedidos requeridos pelas partes.</p> <p>Nesses termos, <strong><u>nego provimento ao recurso.</u></strong></p> <p>&Eacute; como voto.</p> <p> </p> <p><strong>DESEMBARGADOR FERNANDO GALV&Atilde;O DA ROCHA</strong></p> <p>Srs. Desembargadores. Na oportunidade, acompanho as raz&otilde;es e o voto proferido pelo eminente relator, para, igualmente, rejeitar a preliminar e, no m&eacute;rito, negar provimento ao presente recurso.</p> <p> </p> <p><strong>DESEMBARGADOR JADIR SILVA</strong></p> <p>Acompanho o voto do eminente desembargador relator. </p> <p><strong>Belo Horizonte, sess&atilde;o ordin&aacute;ria presencial de julgamento do Tribunal de Justi&ccedil;a Militar do Estado de Minas Gerais, aos 14 de abril de 2026.</strong></p> <p> </p> <p><strong>Desembargador R&uacute;bio Paulino Coelho</strong></p> <p><strong>Relator</strong></p> <p> </p> <p> </p></section> <section> <p>Belo Horizonte, 14 de abril de 2026.</p></section> <section> </section> <section> <p> </p> <hr> <p> </p></section> <footer> </footer></article></body></html>

23/04/2026, 00:00

Publicacao/Comunicacao Intimação Outros - <?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?> <html lang="pt-br"> <head> <style></style> </head> <body> <article data-id_sessao_julgamento="711774533218826262323298913574" data-seq_aditamento=""><section contentEditable="false" data-nome_apresentacao="Título" data-nome="titulo" data-sin_conteudo_obrigatorio="true" data-estilo_padrao="titulo" align="center"><p>Primeira Câmara </p><p>Pauta de Julgamentos</p></section><section contentEditable="false" data-nome_apresentacao="Cabecalho da Pauta" data-nome="cabecalho_pauta" data-sin_conteudo_obrigatorio="true" data-estilo_padrao="cabecalhoPauta"><p>Determino a inclusão dos processos abaixo relacionados na Pauta de Julgamentos ORDINÁRIA do dia 14 de abril de 2026, terça-feira, às 14h00min, podendo, entretanto, nessa mesma Sessão ou Sessões subseqüentes, ser julgados os processos adiados ou constantes de Pautas já publicadas.</p></section><section contentEditable="false" data-nome_apresentacao="Identificação do Processo" data-nome="identificacao_processo" data-sin_conteudo_obrigatorio="true" data-estilo_padrao="identificacao_processo"><p><span data-classe_processo="419"> Correição Parcial (Câmara) </span><span data-numero_processo="20002522520269130005" data-sin_numero_processo="true">Nº 2000252-25.2026.9.13.0005/</span><span data-origem_processo="JME">JME</span><span data-tipo_pauta="Pauta"> (Pauta: 3)</span></p></section><section contentEditable="false" data-nome_apresentacao="Relator" data-nome="relator" data-sin_conteudo_obrigatorio="true"><p data-cod_magistrado="2763" data-sin_relator="true"><span>RELATOR</span>: <span>Desembargador RUBIO PAULINO COELHO</span></p></section><section contentEditable="false" data-nome_apresentacao="Partes" data-nome="partes" data-sin_conteudo_obrigatorio="true"><div data-polo="autores"><div data-sin_parte_principal="S" data-parte_polo="autor" data-sin_parte_entidade="false"><p data-sin_parte="true" data-id_processo_parte="711772815100274327803478898277"><span>CORRIGENTE</span>: <span>GUILHERME SOARES MOTA (CORRIGENTE)</span></p><p data-sin_representante="true" data-id_usuario_procurador="711528484158964310203180569778"><span>ADVOGADO(A)</span>: <span>JORGE VIEIRA DA ROCHA (OAB MG145316)</span></p></div></div><div data-polo="reus"><div data-sin_parte_principal="S" data-parte_polo="reu" data-sin_parte_entidade="false"><p data-sin_parte="true" data-id_processo_parte="711772815100274327803478898279"><span>CORRIGIDO</span>: <span>JUIZ(A) SUBSTITUTO DA 5ª AJME - TRIBUNAL DE JUSTIÇA MILITAR DE MINAS GERAIS - BELO HORIZONTE (CORRIGIDO)</span></p></div></div><div data-polo="outros"><div data-sin_parte_principal="N" data-parte_polo="outros" data-sin_parte_entidade="true"><p data-sin_parte="true" data-id_processo_parte="711772821251233098873801736533"><span>MPEMG</span>: <span>MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS</span></p><p data-sin_representante="true" data-id_usuario_procurador="711594236084548799007774332076"><span>PROCURADOR(A)</span>: <span>JOSE APARECIDO GOMES RODRIGUES</span></p></div></div></section> <section contentEditable="false" data-nome_apresentacao="Data" data-nome="data_pauta" data-sin_conteudo_obrigatorio="true" data-estilo_padrao="DataPauta"><p>Publique-se e Registre-se.</p><p>Belo Horizonte, 26 de março de 2026.</p></section><section contentEditable="false" data-nome_apresentacao="Assinatura" data-nome="assinatura" data-sin_conteudo_obrigatorio="true" data-estilo_padrao="AssinaturaPauta"><p>Desembargador RUBIO PAULINO COELHO </p><p>Presidente</p></section></article></body></html>

27/03/2026, 00:00

Registro - Retificada a Autuação de Parte - Situação da parte 9ª PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE BH/MG - EXCLUÍDA

06/03/2026, 14:36

Remessa Externa - 5AJME -> TJM

06/03/2026, 14:32

Registro - Retificada a Autuação de Parte - Situação da parte TRIBUNAL DE JUSTIÇA MILITAR DE MINAS GERAIS - EXCLUÍDA

06/03/2026, 14:27

Distribuído por dependência - Número: 00013411320189130001/JME

06/03/2026, 14:23
Documentos
DECISÃO
06/03/2026, 14:23
DESPACHO
06/03/2026, 14:23
DECISÃO
06/03/2026, 14:23
DECISÃO
06/03/2026, 14:23