Processo judicial
Superior Tribunal de Justiça
Possivelmente o mesmo caso em outras instâncias, com partes em comum.
2025
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AgRg no RvCr 6417/MT (2025/0012159-6)RELATOR:MINISTRO JOEL ILAN PACIORNIKAGRAVANTE:A P DE C SADVOGADOS:LIOMAR SANTOS DE ALMEIDA - MT021001OERIK RUMAO FERRARI DE OLIVEIRA - MT034554OAGRAVADO:MINISTERIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSOAta de Julgamento da sessão da TERCEIRA SEÇÃO, Ordinária, do dia 04/09/2025 - Resultado de julgamento: A TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr.
Ministro Joel Ilan Paciornik.
AgRg no RvCr 6417/MT (2025/0012159-6)RELATOR:MINISTRO JOEL ILAN PACIORNIKAGRAVANTE:A P DE C SADVOGADOS:LIOMAR SANTOS DE ALMEIDA - MT021001OERIK RUMAO FERRARI DE OLIVEIRA - MT034554OAGRAVADO:MINISTERIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Joel Ilan Paciornik.
Os Srs. Ministros Messod Azulay Neto, Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz, Reynaldo Soares da Fonseca e Ribeiro Dantas votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Antonio Saldanha Palheiro.
AgRg no RvCr 6417/MT (2025/0012159-6)RELATOR:MINISTRO JOEL ILAN PACIORNIKAGRAVANTE:A P DE C SADVOGADOS:LIOMAR SANTOS DE ALMEIDA - MT021001OERIK RUMAO FERRARI DE OLIVEIRA - MT034554OAGRAVADO:MINISTERIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSOProcesso incluído na Pauta de Julgamentos da QUINTA TURMA, Sessão Virtual do dia 21/08/2025 00:00:00, com encerramento no dia 27/08/2025 23:59:59 (RISTJ, Art. 184-E).
RvCr 6417/MT (2025/0012159-6)RELATOR:MINISTRO JOEL ILAN PACIORNIKREQUERENTE:A P DE C SADVOGADOS:LIOMAR SANTOS DE ALMEIDA - MT021001OERIK RUMAO FERRARI DE OLIVEIRA - MT034554OREQUERIDO:MINISTERIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO
DESPACHO
Embora tenha sido determinado à fl. 87, os autos não foram encaminhados ao MPF. Assim, dê-se vista ao Ministério Público Federal para que ofereça parecer no prazo de 10 (dez) dias, conforme o art. 243 do Regimento Interno do STJ.
Relator
JOEL ILAN PACIORNIK
RvCr 6417/MT (2025/0012159-6)RELATOR:MINISTRO JOEL ILAN PACIORNIKREQUERENTE:A P DE C SADVOGADOS:LIOMAR SANTOS DE ALMEIDA - MT021001ERIK RUMAO FERRARI DE OLIVEIRA - MT034554OREQUERIDO:MINISTERIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO
DECISÃO
Cuida-se de Revisão Criminal, ajuizada por A. P. DE C. S. com fundamento no art. 621 do Código de Processo Penal, na qual se busca a reforma de condenação criminal transitada em julgado.
Consta dos autos que o requerente foi condenado em primeira instância à pena de 10 (dez) anos e 8 (oito) meses de reclusão, como incurso no art. 217-A, caput, c/c art. 71, ambos do Código Penal. O Tribunal a quo o absolveu pela atipicidade da conduta, sendo restabelecida a sentença de primeiro grau no STJ, no julgamento do RESp n. 2.023.264/MG.
Em suas razões sustenta que foi condenado por manter relacionamento com a vítima, que tinha 13 (treze) anos, quando ele tinha 19 (dezenove) anos, mas o relacionamento foi consensual, público e afetivo, com duração superior a 1 (um) ano, sem violência, coação ou exploração.
Alega existência de erro material na sentença condenatória, pois foi ignorado o caráter consensual e estável do relacionamento, não se considerando a proximidade de idade entre as partes e a ausência de lesão ao bem jurídico tutelado.
Assevera que, à época dos fatos (2013), a jurisprudência permitia relativizações no art. 217-A do Código Penal em casos como o presente, e a aplicação posterior de súmulas e leis mais severas violou o princípio da retroatividade benéfica.
Afirma que a vítima e sua família frequentam a academia administrada por ele, demonstrando ausência de animosidade ou ressentimento e que é casado, empresário, e está plenamente integrado à sociedade, sem histórico de reincidência.
Por fim, aduz que há atipicidade material, pois sua conduta não causou lesão ao bem jurídico tutelado pela norma (dignidade sexual e desenvolvimento emocional do menor) e que a relação tinha contexto de reciprocidade e estabilidade, reforçando a ausência de exploração.
RvCr 6417/MT (2025/0012159-6)RELATOR:MINISTRO JOEL ILAN PACIORNIKREQUERENTE:A P DE C SADVOGADOS:LIOMAR SANTOS DE ALMEIDA - MT021001OERIK RUMAO FERRARI DE OLIVEIRA - MT034554OREQUERIDO:MINISTERIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO
DECISÃO
Cuida-se de revisão criminal ajuizada por A P DE C S, com fundamento no art. 621 do Código de Processo Penal - CPP, que se insurge contra decisão proferida pela Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça - STJ, de relatoria do Ministro Antônio Saldanha Palheiro, no julgamento do REsp n. 2.023.264/MT, o qual restou assim fundamentado:
"[...] o caso atrai a aplicação do disposto na Súmula n. 593 do Superior Tribunal de Justiça: "O crime de estupro de vulnerável se configura com a conjunção carnal ou prática de ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante eventual consentimento da vitima para a prática do ato. sua experiência sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso com o agente."
Na presente ação revisional, o requerente alega que o relacionamento com a vítima se deu por período superior a um ano, com o consentimento desta, além de não ter havido manifestação por parte dos seus genitores.
Afirma que "[...] a vítima e seus pais já frequentam regularmente a academia administrada pelo Revisionando, onde ele atua como único instrutor. Esse fato, comprovado por documentos de cadastro e registros de pagamento, demonstra a confiança da vítima e de sua família no Revisionando, evidenciando a inexistência de qualquer animosidade ou ressentimento decorrente do relacionamento à época dos fatos" (fls. 06/07).
Requer a absolvição criminal, porquanto a decisão impugnada desconsidera peculiaridades do caso concreto que permitem o reconhecimento da atipicidade.
O pedido liminar foi indeferido pela Presidência desta Corte (fls. 86/87)
O Ministério Público Federal opinou pela improcedência do pedido.
Cita-se (fl. 111):
"REVISÃO CRIMINAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. REVERSÃO DA CONDENAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS AUTORIZADORES DA REVISÃO. PARECER PELA IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO REVISIONAL"
É o relatório.
Decido.
O pleito revisional não merece prosperar.
A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que é absoluta a presunção de violência em casos da prática de conjunção carnal ou ato libidinoso diverso com pessoa menor de 14 anos, sendo que o consentimento da vítima, sua eventual experiência sexual anterior ou a existência de relacionamento amoroso prévio não afastam a ocorrência do crime.
Nesse sentido:
REVISÃO CRIMINAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. DECISÃO MONOCRÁTICA DE MINISTRO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ QUE RESTABELECE DECISÃO CONDENATÓRIA. AÇÃO DE JUSTIFICAÇÃO CRIMINAL APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO. RETRATAÇÃO DA VÍTIMA. NOVO DEPOIMENTO QUE NÃO ELIDE A CONFISSÃO DO CONDENADO. REVISÃO CRIMINAL JULGADA IMPROCEDENTE.
[...]
4. Os novos depoimentos trazidos na ação de justificação criminal - conjugados com as confissões do réu, colhida na fase de inquérito, de ter praticado uma "quase transa" e, colhida na fase judicial, de ter praticado "beijos e uns pega" - são insuficientes para afastar a decisão monocrática condenatória da lavra do ilustre Ministro Nefi Cordeiro, a qual consignou que: "A Terceira Seção desta Corte Superior, sob a égide dos recursos repetitivos, art. 543-C do CPC, no julgamento do REsp 1480881/PI, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, julgado em 26/08/2015, DJe 10/09/2015, firmou posicionamento no sentido de que, para a caracterização do crime de estupro de vulnerável previsto no art. 217-A, caput, do Código Penal, basta que o agente tenha conjunção carnal ou pratique qualquer ato libidinoso com pessoa menor de 14 anos. O consentimento da vítima, sua eventual experiência sexual anterior ou a existência de relacionamento amoroso entre o agente e a vítima não afastam a ocorrência do crime (AgRg no REsp 1721889/MS, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 10/04/2018, DJe 18/4/2018)".
5. Revisão Criminal julgada improcedente.
(RvCr n. 5.947/PR, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, julgado em 22/5/2024, DJe de 28/5/2024.)
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL E SATISFAÇÃO DE LASCÍVIA MEDIANTE PRESENÇA DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE. ARTIGOS 217-A E 218-A DO CÓDIGO PENAL. FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO EM DESCONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. VALIDADE DO DEPOIMENTO DA VÍTIMA COMO PROVA EM CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL. PROVIMENTO DO RECURSO PARA RESTABELECER A CONDENAÇÃO.
I. CASO EM EXAME
[...]
5. A jurisprudência desta Corte estabelece que o crime de estupro de vulnerável, tipificado no artigo 217-A do Código Penal, configura-se independentemente de consentimento ou experiência prévia da vítima, sendo irrelevante a manifestação voluntária do menor, dado o caráter de presunção absoluta de violência (Súmula 593/STJ).
[...]
(AREsp n. 2.667.346/MG, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 17/12/2024, DJEN de 3/1/2025.)
AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. ABSOLVIÇÃO. SÚMULA N. 284 DO STF. NECESSIDADE DE REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7 DO STJ. RESP REPETITIVO N. 1.480.881/PI E SÚMULA N. 593 DO STJ. INCIDÊNCIA. FRAÇÃO PELA CONTINUIDADE DELITIVA. MANUTENÇÃO. REGIME FECHADO. OMISSÕES. INEXISTÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. Sobre o pedido de absolvição, apesar de a defesa haver sustentado a necessidade relativização da vulnerabilidade da vítima e aplicação do princípio in dubio pro reo, não particularizou o respectivo dispositivo violado. Incidência da Súmula n. 284 do STF.
2. Por força do julgamento do REsp Repetitivo n. 1.480.881/PI, Rel. Ministro Rogerio Schietti, a Terceira Seção desta Corte Superior sedimentou a jurisprudência, então já dominante, pela presunção absoluta da violência em casos da prática de conjunção carnal ou ato libidinoso diverso com pessoa menor de 14 anos. Incidência da Súmula n 593 do STJ.
[...]
7. Agravo regimental não provido.
(AgRg nos EDcl no AREsp n. 2.807.826/GO, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 8/4/2025, DJEN de 22/4/2025.)
Na hipótese dos autos, o acusado teve conjunção carnal com vítima menor de 14 anos de idade, sendo que eventual consentimento desta ou relacionamento amoroso prévio não afastariam a prática criminosa. De fato, a incidência do tipo penal prescinde da presença de violência real ou da ausência de consentimento.
Destaca-se que, diferente do que aponta a defesa, o caso dos autos não se enquadra nas exceções jurisprudenciais que reconhecem a atipicidade da conduta.
Ante o exposto, à luz dos precedentes acima colacionados, com fundamento no art. 34, XVIII, "b" do RISTJ, julgo improcedente a revisão criminal.
Publique-se.
Intimem-se.
Relator
JOEL ILAN PACIORNIK
Requer a procedência do pedido para que seja declarada a atipicidade da conduta ou, alternativamente, a anulação da sentença condenatória para reanálise das provas.
É o relatório.
Decido.
Nos estreitos limites do plantão judiciário, verifica-se que a situação dos autos não justifica a pronta e urgente intervenção desta Presidência.
Fica, pois, reservado ao momento do julgamento definitivo o exame mais aprofundado da pretensão.
Ante o exposto, indefiro o pedido de liminar.
Solicitem-se informações ao Tribunal de origem e ao Juízo de primeiro grau, as quais deverão ser prestadas, preferencialmente, por malote digital e com senha de acesso para consulta aos autos.
Remeta-se o processo ao Ministério Público Federal para parecer.
Publique-se.
Intimem-se.
Presidente
HERMAN BENJAMIN
RvCr 6417/MT (2025/0012159-6)RELATOR:MINISTRO JOEL ILAN PACIORNIKREQUERENTE:A P DE C SADVOGADOS:LIOMAR SANTOS DE ALMEIDA - MT021001ERIK RUMAO FERRARI DE OLIVEIRA - MT034554OREQUERIDO:MINISTERIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSOProcesso distribuído pelo sistema automático em 20/01/2025.