Processo judicial
Superior Tribunal de Justiça
Possivelmente o mesmo caso em outras instâncias, com partes em comum.
2026
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AgInt no HC 1075386/RJ (2026/0060955-5)RELATOR:MINISTRO HUMBERTO MARTINSAGRAVANTE:NATHALIA CAMPOS FERREIRAADVOGADOS:MARIANA SALES ESTEVES - RJ180293BRUNA BARBOZA MEDEIROS DA SILVA - RJ240267AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIROIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIROPACIENTE:G L CPACIENTE:M L L C
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 09/06/2026 a 15/06/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Ricardo Villas Bôas Cueva, Moura Ribeiro e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Daniela Teixeira.
Não participou do julgamento a Sra. Ministra Nancy Andrighi.
HC 1075386/RJ (2026/0060955-5)RELATOR:MINISTRO HUMBERTO MARTINSIMPETRANTE:NATHALIA CAMPOS FERREIRAADVOGADOS:MARIANA SALES ESTEVES - RJ180293BRUNA BARBOZA MEDEIROS DA SILVA - RJ240267IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIROPACIENTE:G L CPACIENTE:M L L CINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIROProcesso distribuído pelo sistema automático em 24/02/2026.
AgInt no HC 1075386/RJ (2026/0060955-5)RELATOR:MINISTRO HUMBERTO MARTINSAGRAVANTE:NATHALIA CAMPOS FERREIRAADVOGADOS:MARIANA SALES ESTEVES - RJ180293BRUNA BARBOZA MEDEIROS DA SILVA - RJ240267AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIROIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIROPACIENTE:G L CPACIENTE:M L L CProcesso incluído na Pauta de Julgamentos da TERCEIRA TURMA, Sessão Virtual do dia 09/06/2026 00:00:00, com encerramento no dia 15/06/2026 23:59:59 (RISTJ, Art. 184-E).
AgInt no HC 1075386/RJ (2026/0060955-5)RELATOR:MINISTRO HUMBERTO MARTINSAGRAVANTE:NATHALIA CAMPOS FERREIRAADVOGADOS:MARIANA SALES ESTEVES - RJ180293BRUNA BARBOZA MEDEIROS DA SILVA - RJ240267AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIROIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIROPACIENTE:G L CPACIENTE:M L L CVista à(s) parte(s) agravada(s) para impugnação do Agravo Interno (AgInt).
HC 1075386/RJ (2026/0060955-5)RELATOR:MINISTRO HUMBERTO MARTINSIMPETRANTE:NATHALIA CAMPOS FERREIRAADVOGADOS:MARIANA SALES ESTEVES - RJ180293BRUNA BARBOZA MEDEIROS DA SILVA - RJ240267IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIROPACIENTE:G L CPACIENTE:M L L CINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
DECISÃO
Cuida-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado contra decisão liminar do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO que suspendeu a ordem de prisão até o julgamento do mérito.
Segundo a impetrante, o acordo de alimentos judicialmente homologado fixou obrigações cumulativas: (i) depósito em pecúnia de R$ 15.000,00 mensais à genitora; (ii) custeio de aluguel com teto de R$ 9.500,00, permitindo abatimento apenas do excedente desse teto, e não compensação integral; (iii) pagamento do plano de saúde familiar, com autorização de desconto apenas da quota-parte da genitora, até o teto de R$ 2.500,00; e (iv) contrato de ajustes com remuneração por assessoria jurídica da genitora até R$ 50.000,00 mensais e pagamento de passivo bancário.
Sustenta que o alimentante promoveu substituição unilateral do depósito em dinheiro por pagamentos diretos, cancelou plano de saúde da genitora e da menor, atrasou ou cessou pagamentos de aluguel desde dezembro de 2025 e interrompeu o contrato de ajustes após 3 meses, mantendo apenas mensalidades escolares, inferiores ao piso alimentar.
Alega inadimplemento voluntário, parcial e inescusável, sem anuência da credora, com prejuízo ao sustento cotidiano dos menores.
Afirma ser possível a superação da Súmula 691 do STF em razão da teratologia em razão da (i) reconhecimento indevido de “pagamento in natura” sem prova pré-constituída; (ii) da conversão do habeas corpus em liquidação/compensação; e (iii) do esvaziamento tanto do título judicial, como da coercitividade própria da execução de alimentos
Requer em caráter liminar a suspensão dos efeitos da decisão monocrática do TJRJ e restabelecimento da prisão civil.
No mérito, requer reforma da decisão impugnada para afirmar a higidez do título executivo judicial de alimentos e a impossibilidade de compensação unilateral por pagamentos in natura; reconhecer a inadequação do habeas corpus para dilação probatória e compensações; denegar definitivamente a ordem, conforme parecer Ministério Público do Rio de Janeiro; restabelecer o decreto prisional e manter integralmente a decisão de primeiro grau; d) intimação do Ministério Público
É, no essencial, o relatório.
O pedido se volta contra decisão de segundo grau que, em carácter liminar, suspendeu a ordem de prisão, o que de pronto encontra óbice na Súmula n. 691/STF:
Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão do Relator que, em habeas corpus requerido a tribunal superior, indefere a liminar.
O entendimento fixado nessa súmula é aplicado por analogia pela jurisprudência do STJ, a exemplo do julgado abaixo:
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO HABEAS CORPUS. OBRIGAÇÃO ALIMENTAR. INADIMPLÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA INDEFERIDA NA ORIGEM. SÚMULA N. 691 DO STF POR ANALOGIA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.
1. Não cabe habeas corpus contra indeferimento de pedido de liminar em outro writ, salvo no caso de flagrante ilegalidade. Incidência da Súmula n. 691 do STF por analogia.
2. Agravo interno desprovido.
(AgInt no HC n. 862.307/PE, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 2/5/2024.)
Diante do óbice dessa súmula e com o fito de não suprimir a instância competente, deixo de conhecer do HC.
Ainda assim, em teoria, é possível a concessão de HC, quando houve teratologia, ilegalidade ou abuso de direito.
A via estreita do habeas corpus, segundo o art. 5º, inc. LXVIII, da Constituição Federal, é utilizável sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção.
No presente caso, além de não haver liberdade locomocional a ser tutelada é evidente a utilização do writ como sucedâneo recursal (uma vez que contra a liminar caberia agravo interno) o que não é admitido pela jurisprudência firme do STJ, como demonstram os seguintes julgados:
HABEAS CORPUS - ACÓRDÃO EM SEDE DE AGRAVO DE INSTRUMENTO QUE DECRETOU PRISÃO CIVIL - SUCEDÂNEO RECURSAL - AUSÊNCIA DE TERATOLOGIA OU MANIFESTA ILEGALIDADE A JUSTIFICAR A CONCESSÃO DA ORDEM DE OFÍCIO - APLICAÇÃO DA SÚMULA 309 DO STJ - IMPOSSIBILIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA QUANTO À CAPACIDADE ECONÔMICA DO PACIENTE E À SUFICIÊNCIA DOS PAGAMENTOS - PRECEDENTES DO STJ. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO.
1. Não se admite a impetração de habeas corpus como sucedâneo de recurso, ressalvada a hipótese excepcional de concessão ex officio da ordem quando constatada flagrante ilegalidade ou decisão teratológica, o que não é o caso dos autos. Incidência da Súmula 691/STF.
2. É incompatível com a via do habeas corpus a aferição da real capacidade financeira do alimentante em prosseguir com o pagamento da pensão alimentícia, nem para revolver questões fático-probatórias relacionadas à suficiência do pagamento parcial, já que, por possuir cognição sumária, não comporta discussão de matéria de prova, tampouco admite aprofundada análise de fatos controvertidos.
3. "O pagamento parcial do débito não afasta a regularidade da prisão civil, porquanto as quantias inadimplidas caracterizam-se como débito atual, que compreende as três prestações anteriores à citação e as que vencerem no curso do processo, nos termos da Súmula 309/STJ." (HC 518.627/RJ, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 29/10/2019, DJe 08/11/2019).
4. Habeas corpus não conhecido. Liminar revogada.
(HC n. 861.103/TO, relator Ministro Raul Araújo, relator para acórdão Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJEN de 14/1/2026.)
HABEAS CORPUS. PRISÃO CIVIL. ALIMENTOS. SUCEDÂNEO RECURSAL. NÃO CABIMENTO. ILEGALIDADE MANIFESTA OU ABUSO DE PODER. NÃO CARACTERIZADOS. SÚMULA Nº 309/STJ. CAPACIDADE ECONÔMICA DO ALIMENTANTE. EQUÍVOCO NOS CÁLCULOS. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. NECESSIDADE DA VERBA ALIMENTAR. MAIORIDADE. SÚMULA Nº 358/STJ.
1. Não se admite a impetração de habeas corpus como sucedâneo recursal. Precedentes. A demonstração da ocorrência de ilegalidade manifesta ou abuso de poder pela autoridade coatora autoriza, excepcionalmente, a concessão da ordem de ofício, hipótese não evidenciada.
2. A decretação da prisão do alimentante revela-se cabível quando não adimplidas as três últimas prestações anteriores à propositura da execução de alimentos, bem como as parcelas vincendas no curso do processo executório, nos termos da Súmula nº 309/STJ. Na hipótese, o devedor efetuou pagamentos parciais.
3. O habeas corpus não é o instrumento adequado para aferir a real capacidade financeira do alimentante de arcar com o valor executado e a adequação dos cálculos do débito exequendo, porquanto sua análise se mostra incompatível com a via restrita do presente writ.
Precedentes.
4. A maioridade do alimentando, isoladamente, não é suficiente para a desconstituição da obrigação alimentar. O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, conforme Súmula nº 358/STJ. Na hipótese, não há provas acerca da atual situação do exequente.
5. Habeas corpus não conhecido.
(HC n. 1.010.732/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 29/8/2025.)
Ante o exposto, indefiro liminarmente o habeas corpus.
DÊ-se ciência ao MP.
Relator
HUMBERTO MARTINS