HC 990589/MA (2025/0100180-7)RELATOR:MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIROIMPETRANTE:GEORGE ANTONIO GOMES AZEVEDOADVOGADO:GEORGE ANTONIO GOMES AZEVEDO - MA009231IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃOPACIENTE:A C MINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO MARANHÃO
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus impetrado em benefício de A. C. M. contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO (Revisão Criminal n. 0811034-80.2023.8.10.0000).
Depreende-se dos autos que o paciente foi condenado pelo crime de estupro de vulnerável, previsto no art. 217-A, caput, c/c o art. 71, caput, ambos do Código Penal.
O Tribunal de origem negou provimento à revisão criminal, mantendo incólume a sentença condenatória, nos termos do acórdão assim ementado (e-STJ fls. 34/35):
PENAL. PROCESSO PENAL. REVISÃO CRIMINAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. INSURGÊNCIA CONTRA A SUFICIÊNCIA E VALIDADE DAS PROVAS. NOVO DEPOIMENTO DA VÍTIMA E DE SUA GENITORA. REEXAME DE MATÉRIA. INVIÁVEL. RETRATAÇÃO IRRELEVANTE QUANDO DISSOCIADA DO ROBUSTO ACERVO PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICAÇÃO CRIMINAL. NECESSIDADE DE CONTRADITÓRIO PRÉVIO. REVISÃO CRIMINAL IMPROCEDENTE.
1. A retratação da vítima e de sua genitora, por meio de atas notariais e vídeo, produzidos apenas 08 (oito) anos após o cometimento do delito ora em julgamento, e oportunamente 01 (um) dia após a prisão do revisionando, não tem o condão de descredibilizar os depoimentos coerentes prestados em sede policial e judicial, sobretudo diante do contexto fático em questão.
2. Ressalte-se que o revisionando é irmão do padrasto da vítima, o qual, segundo os Relatórios de Atendimento confeccionados pela assistente social nos autos de origem e pelos depoimentos prestados em sede de audiência de instrução e julgamento, ainda é o companheiro da genitora da infante e residem juntos, sendo, inclusive, o responsável pela subsistência familiar.
3. As provas produzidas na instrução processual penal se harmonizam entre si e deixam claro que o revisionando tinha plena ciência da idade da vítima (13 anos), já que moravam juntos há um bom tempo, mantendo vínculos familiares e participando da rotina um do outro (como caronas para escola e celebração de aniversários).