Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PÚBLICO
- Classe
- CONFLITO DE COMPETÊNCIA
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1A REGIAO (SUSCITADO), 1. JUÍZO DE DIREITO DA VARA DAS FAZENDAS PÚBLICAS DE NIQUELÂNDIA - GO (SUSCITANTE)
- Advogado
- ANA PAULA DA VEIGA LOBO VIEIRA RODRIGUES (OAB 19738/GO)
CC 220847/GO (2026/0131898-0)RELATOR:MINISTRO PAULO SÉRGIO DOMINGUESSUSCITANTE:JUÍZO DE DIREITO DA VARA DAS FAZENDAS PÚBLICAS DE NIQUELÂNDIA - GOSUSCITADO:TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1A REGIAOINTERESSADO:M E B M VINTERESSADO:J V B M VREPRESENTADO POR:N M B VINTERESSADO:E B F VADVOGADO:ANA PAULA DA VEIGA LOBO VIEIRA RODRIGUES - GO019738INTERESSADO:INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
DECISÃO
Trata-se de conflito negativo de competência suscitado pelo JUÍZO DE DIREITO DA VARA DAS FAZENDAS PÚBLICAS DE NIQUELÂNDIA - GO em virtude de decisão declinatória de competência proferida pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO (TRF1), nos autos da reclamação trabalhista ajuizada contra o INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS), em que a parte autora pleiteou indenização por danos morais e materiais pela morte de servidor no exercício do cargo público federal.
O TRF1, ao apreciar o recurso de apelação da parte autora, reconheceu a sua incompetência sob o seguinte fundamento:
"A apelante pleiteia indenização por dano material e mora, com base em acidente de trabalho, além de horas extras e intrajornada. Em tal hipótese, a competência para processar e julgar o feito não é da Justiça Federal, conforme interpretação do Superior Tribunal de Justiça, porque decorrente de ação acidentária, que a Constituição Federal expressamente excluiu de sua competência" (fl. 134).
A Justiça estadual, por sua vez, declarou-se incompetente nestes termos (fls. 154/155):
No caso em exame, figura no polo passivo autarquia federal, qual seja, o INSS, sendo a pretensão deduzida de viés indenizatório. A circunstância de o fato gerador do dano estar relacionado a acidente de trabalho não transmuda a natureza jurídica da demanda, que não versa sobre concessão, revisão ou restabelecimento de benefício previdenciário acidentário, mas sim sobre reparação civil.
A Súmula 501 do Supremo Tribunal Federal, ao dispor sobre a competência da Justiça comum para as causas decorrentes de acidente de trabalho, deve ser interpretada restritivamente, à luz do próprio sistema constitucional, alcançando as ações acidentárias típicas, especialmente aquelas voltadas à obtenção de benefícios previdenciários. A ampliação de seu alcance para abarcar demandas indenizatórias propostas diretamente contra autarquia federal implicaria indevida mitigação da regra prevista no , da Constituição Federal, o que não se admite.
