Processo judicial
Superior Tribunal de Justiça
2025
© 2026 JusConsulta. Todos os direitos reservados.
Atendimento: seg a sex, 8h às 18h
RO no AgRg no HC 999822/SP (2025/0150333-6)RELATOR:MINISTRO VICE-PRESIDENTE DO STJRECORRENTE:M N DA SADVOGADO:RENATO DA COSTA GARCIA - SP251201RECORRIDO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALRECORRIDO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULOIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
DESPACHO
Apresentada petição de recurso ordinário, proceda-se à intimação para apresentação de contrarrazões e, decorrido o prazo ou oferecida resposta, encaminhem-se os autos ao Supremo Tribunal Federal.
Publique-se.
Vice-Presidente
LUIS FELIPE SALOMÃO
RO no AgRg no HC 999822/SP (2025/0150333-6)RELATOR:MINISTRO VICE-PRESIDENTE DO STJRECORRENTE:M N DA SADVOGADO:RENATO DA COSTA GARCIA - SP251201RECORRIDO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALRECORRIDO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULOIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOVista à(s) parte(s) recorrida(s) para contrarrazões de Recurso Ordinário (RO).
HC 999822/SP (2025/0150333-6)RELATOR:MINISTRO VICE-PRESIDENTE DO STJIMPETRANTE:RENATO DA COSTA GARCIAADVOGADO:RENATO DA COSTA GARCIA - SP251201IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:M N DA SINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULOProcesso distribuído pelo sistema automático em 18/07/2025.
AgRg no HC 999822/SP (2025/0150333-6)RELATOR:MINISTRO RIBEIRO DANTASAGRAVANTE:M N DA SADVOGADO:RENATO DA COSTA GARCIA - SP251201AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULOIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 25/06/2025 a 01/07/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS) votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.
AgRg no HC 999822/SP (2025/0150333-6)RELATOR:MINISTRO RIBEIRO DANTASAGRAVANTE:M N DA SADVOGADO:RENATO DA COSTA GARCIA - SP251201AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULOIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOProcesso incluído na Pauta de Julgamentos da QUINTA TURMA, Sessão Virtual do dia 25/06/2025 00:00:00, com encerramento no dia 01/07/2025 23:59:59 (RISTJ, Art. 184-E).
HC 999822/SP (2025/0150333-6)RELATOR:MINISTRO RIBEIRO DANTASIMPETRANTE:RENATO DA COSTA GARCIAADVOGADO:RENATO DA COSTA GARCIA - SP251201IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:M N DA SINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido liminar, impetrado em favor de M N DA S, apontando como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO.
Extrai-se dos autos que o paciente foi condenado à pena de 18 anos de reclusão, em regime fechado, como incurso no art. 217-A n/f do art. 71, ambos do Código Penal.
A defesa interpôs recurso de apelação perante o Tribunal de origem, que negou provimento ao apelo, nos termos do acórdão que recebeu a seguinte ementa:
"PRELIMINAR - NULIDADE - Rejeição - Depoimento da genitora da vítima - Ausência de contradita no momento oportuno - Preclusão - Ademais, em casos de crimes sexuais que, em regra, ocorrem na clandestinidade, é natural que os testemunhos sejam prestados por aqueles que possuam algum grau de intimidade com as partes, competindo ao magistrado, em apreço ao princípio do livre convencimento motivado, examinar a veracidade e confiabilidade do depoimento testemunhal em cotejo com o conjunto probatório amealhado ao longo da instrução processual. Ausência de demonstração de prejuízo.
PRELIMINAR - NULIDADE Rejeição - Inversão na ordem de inquirição das testemunhas - Alegação de lesão ao artigo 212, do Código de Processo Penal - Inquirição realizada primeiramente pelo MM. Juízo, seguida da abertura à acusação e à defesa - Ausência de impugnação consignada no termo de audiência - Ainda que assim não fosse, forçoso concluir que não foi suficientemente demonstrado o prejuízo concreto que adviria da inversão.
ESTUPRO DE VULNERÁVEL - Absolvição - Impossibilidade - Existência de prova segura da autoria e materialidade do crime - Condenação mantida.
PENA E REGIME - Criteriosamente fixados.
Recurso desprovido." (e-STJ, fls. 385-401)
HC 999822/SP (2025/0150333-6)RELATOR:MINISTRO RIBEIRO DANTASIMPETRANTE:RENATO DA COSTA GARCIAADVOGADO:RENATO DA COSTA GARCIA - SP251201IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:M N DA SINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
DECISÃO
A concessão de liminar em habeas corpus constitui medida excepcional, uma vez que somente pode ser deferida quando demonstrada, de modo claro e indiscutível, a ilegalidade no ato judicial impugnado.
Na espécie, sem qualquer adiantamento do mérito da demanda, não vislumbro, ao menos neste instante, a presença de pressuposto autorizativo da concessão da tutela de urgência pretendida.
Assim, indefiro o pedido de liminar.
Solicitem-se informações à autoridade coatora e ao Juízo de primeira instância, bem como a senha para consulta ao processo, se houver, a serem prestadas, preferencialmente, por meio da Central do Processo Eletrônico (CPE) do STJ.
Após, encaminhem-se os autos ao Ministério Público Federal para parecer.
Publique-se. Intimem-se.
Relator
RIBEIRO DANTAS
Neste writ, a defesa alega nulidade do depoimento da mãe da vítima, que, ex-mulher do paciente, teria nítido interesse em prejudicá-lo.
Assevera que "o magistrado durante a instrução processual foi o protagonista do feito, sendo que durante a inquirição formulou o total de 65 (sessenta e cinco) questionamentos, ao passo que douta representação do parquet apenas 26 (vinte e seis) perguntas, hipótese que inequivocamente acarretou efetivo prejuízo ao paciente." (e-STJ, fl. 7), causando nulidade por malferimento ao art. 564, IV, do Código de Processo Penal.
Por outro lado, que houve inversão na ordem de inquirição de testemunhas, em desacordo com o artigo 212 do Código de Processo Penal, o que teria causado efetivo prejuízo ao paciente e à defesa, conforme os artigos 563 e 564 do mesmo dispositivo legal.
Ainda, afirma que a condenação baseou-se em depoimentos contraditórios da suposta vítima e de sua mãe, além da imprestabilidade do laudo do psicólogo da vítima. Não há comprovação por laudo pericial de lesões ou atos libidinosos, tornando a prova oral frágil para sustentar a condenação, razão pela qual o paciente deve ser absolvido.
Em caso de não acolhimento das teses de nulidade e absolvição, a defesa pleiteia a desclassificação da conduta para importunação sexual, aplicando-se o artigo 215-A do Código Penal, em homenagem aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, pois eventual contato entre autor e vítima teria sido fugaz.
Ainda em caráter subisidiário, pretende o reconhecimento da tentativa, o afastamento da continuidade delitiva, além do decote da causa de aumento do art. 226, inciso II, do Código Penal.
Requer a concessão da ordem para que o paciente seja absolvido. Alternativamente, a fim de que seja desclassificada a conduta, reconhecida a tentativa e reduzida a pena.
Indeferida a liminar (e-STJ, fl. 433), o Ministério Público Federal opina pelo não conhecimento do writ ou denegação da ordem (e-STJ, fls. 572-581).
É o relatório.
Decido.
Esta Corte - HC 535.063, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgRg no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado.
Assim, passo à análise das razões da impetração, de forma a verificar a ocorrência de flagrante ilegalidade a justificar a concessão do habeas corpus, de ofício.
Nos termos das informações de fls. 545-570 (e-STJ) e da própria petição inicial, a condenação transitou em julgado em 8/1/2025, razão pela qual a utilização do presente recurso em habeas corpus com o fim de se desconstituir as decisões proferidas pelas instâncias ordinárias consubstancia pretensão revisional que configura usurpação da competência do Tribunal de origem, nos termos dos arts. 105, inciso I, alínea e e 108, inciso I, alínea b, ambos da Constituição da República.
Nesse sentido:
"AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS.IMPETRAÇÃO SUPERVENIENTE AO TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. PEDIDO QUE, NA VERDADE, CONSUBSTANCIA PRETENSÃO REVISIONAL, ANTES DA INAUGURAÇÃO DA COMPETÊNCIA DESTA CORTE. DESCABIMENTO. ART. 105, INCISO I, ALÍNEA E,DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTODE ILEGALIDADE EX OFFICIO. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO FEITO. AUSÊNCIADE DOCUMENTAÇÃO ESSENCIAL À ANÁLISE DA CONTROVÉRSIA. MANUTENÇÃO DA DECISÃO QUE NÃO CONHECEU DO WRIT QUE SE IMPÕE. AGRAVO DESPROVIDO.
1. O trânsito em julgado da condenação ocorreu antes da protocolizaçãoda inicial deste feito. Nesse contexto, o pedido formulado na exordial consubstancia pretensão revisional, a despeito de não ter sido inaugurada essa competência do STJ. Isso porque, nos termos do art. 105, inciso I, alínea e, da Constituição da República, compete ao SuperiorTribunal de Justiça, originariamente, "as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados".
2. "Revela-se insuscetível de exame o habeas corpus desacompanhado de elementos que evidenciem o al alegado constrangimento ilegal, porquantoa impetração deve fundamentar-se em inequívoca prova pré-constituída"(STF, HC 146.216-AgR, Rel. Ministro LUIZ FUX, TRIBUNAL PLENO, julgado em 27/10/2017, DJe 10/11/2017). Portanto, compete à Defesa narrar e instruir completa e adequadamente o habeas corpus (ou seu respectivorecurso).
3. Ausência de ilegalidade que imponha a concessão de ordem de ofício. Defesa que não se desincumbiu do seu ônus de narrar que os diversos procedimentos criminais em que o Paciente consta como parte, registrados na FAC, não serviriam para fixar idoneamente a pena-base acima do mínimo legal.
4. Agravo regimental desprovido." (AgRg no HC 628.646/SP, Rel. MinistraLaurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 23/2/2021, DJe 1/3/2021)
"AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS IMPETRADO CONTRA ACÓRDÃO DE APELAÇÃO TRANSITADO EM JULGADO, SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. NÃO INAUGURADA A COMPETÊNCIA DO STJ. DROGAS. DOSIMETRIA. TRÁFICO PRIVILEGIADO.620 KG DE MACONHA. ANÁLISE DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. COGNIÇÃO SUMÁRIA. AUSÊNCIA DE MANIFESTA ILEGALIDADE. WRIT INDEFERIDO LIMINARMENTE.
1. JÁ houve o trânsito em julgado da condenação, razão pela qual o habeas corpus é sucedâneo de revisão criminal, e como não existe, nesteTribunal, julgamento de mérito passível de revisão em relação à condenaçãosofrida pelo paciente, forçoso reconhecer a incompetência desta Corte Superior para o processamento do presente pedido. Precedentes.
2. Não há manifesta ilegalidade ao ser afastado o tráfico privilegiado nas instâncias originárias. O Tribunal de origem avaliou todo ocontexto fático-probatório que evidencia a dedicação e o envolvimento do paciente com a atividade criminosa, verificando-se a apreensão de grande quantidade de maconha (aproximadamente 620 kg), anotações de contabilidade de tráfico, eppendorfs e balança de precisão, com resquícios de maconha e outros objetos, tipicamente destinadas ao preparo de porções individualizadas de entorpecentes, instrumentos comumente empregados pelos traficantes para suas atividades rotineiras. A tese jurídica, como apresentada, deve ser analisada com a devida profundidade em sede adequada perante o Tribunal de origem, não sendo possível análise nos autos de habeas corpus, de cognição sumária.
3. Agravo regimental improvido." (AgRg no HC 611.261/SP, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 9/2/2021, DJe 18/2/2021)
Ante o exposto, não conheço o habeas corpus.
Publique-se.
Intime-se.
Relator
RIBEIRO DANTAS
HC 999822/SP (2025/0150333-6)RELATOR:MINISTRO RIBEIRO DANTASIMPETRANTE:RENATO DA COSTA GARCIAADVOGADO:RENATO DA COSTA GARCIA - SP251201IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:M N DA SINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULOProcesso distribuído pelo sistema automático em 29/04/2025.