Processo judicial
Superior Tribunal de Justiça
2026
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HC 1091990/AL (2026/0160811-1)RELATOR:MINISTRO MESSOD AZULAY NETOIMPETRANTE:ABEDNEGO TEIXEIRA RIBEIROADVOGADOS:GABRIEL MONTEIRO DE ASSUNÇÃO - AL017310ABEDNEGO TEIXEIRA RIBEIRO - AL020853IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE ALAGOASPACIENTE:EVERTON MARCOS DE LIMAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE ALAGOAS
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de EVERTON MARCOS DE LIMA, apontando como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE ALAGOAS, em decorrência do julgamento do habeas corpus n. 0800159-28.2026.8.02.9002.
Consta dos autos que o paciente foi preso em flagrante pela suposta prática dos crimes previstos nos arts. 147, 147-A, 147-B, 150, 213 e 218-C, §1º, do Código Penal, bem como no art. 24-A da Lei nº 11.340/2006, tendo sua prisão convertida em preventiva.
O habeas corpus originário foi apreciado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas, em plantão judiciário, que indeferiu o pedido liminar por ausência de fumus boni iuris (fls. 196-201).
Na presente impetração, busca-se a concessão da ordem para: (i) superar o óbice análogo à Súmula 691/STF e revogar a prisão preventiva, com expedição de alvará de soltura; e (ii) subsidiariamente, substituir a prisão preventiva por medidas cautelares diversas, previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal (fls. 3-15).
É o relatório. DECIDO.
O art. 105 da Constituição não confere competência ao Superior Tribunal de Justiça para processar e julgar, originariamente, habeas corpus contra ato de Desembargador de Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios.
Não cabe, portanto, em regra, habeas corpus contra decisão monocrática de relator, seja pela literalidade das hipóteses constitucionais de cabimento, seja pela indispensabilidade do esgotamento, no Tribunal de origem, das vias recursais. A regra tem por objetivo evitar a supressão de instância e o conhecimento de matérias que, em tese, não estariam, no tempo e no modo, na esfera de competência do Tribunal para o qual se destinou a indevida impetração. O exaurimento da instância antecedente é, pois, pressuposto de competência.
Nesse sentido: [...] Esta Corte - HC 535.063/SP, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgR no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. (HC n. 725.534/SP, Terceira Seção, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe de 1/6/2022)
O Supremo Tribunal Federal, a partir desse raciocínio, editou o enunciado de súmula n. 691, amplamente aplicado, por analogia, pelo Superior Tribunal de Justiça, nos seguintes termos: “(n)ão compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão do Relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar”.
Ao longo dos anos, contudo, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça construíram exceções à regra prevista naquela súmula, de modo a admitir o conhecimento precoce do habeas corpus na instância superior. Em resumo, a excepcionalidade é admitida quando a decisão impugnada se mostrar teratológica, flagrantemente ilegal, abusiva ou, ainda, manifestamente contrária à jurisprudência da Corte (STF, HC n. 143.476/RJ, Segunda Turma. Rel. Orig. Min. Gilmar Mendes, Red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 6/6/2017).
No caso dos autos, não verifico a existência de elementos suficientes que indiquem a presença de uma das exceções que demandam a superação do entendimento consolidado a fim de se conceder a ordem de ofício.
Ante o exposto, não conheço do habeas corpus, nos termos do art. 34, inciso XX, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça.
Publique-se. Intimem-se.
Relator
MESSOD AZULAY NETO
HC 1091990/AL (2026/0160811-1)RELATOR:MINISTRO MESSOD AZULAY NETOIMPETRANTE:ABEDNEGO TEIXEIRA RIBEIROADVOGADOS:GABRIEL MONTEIRO DE ASSUNÇÃO - AL017310ABEDNEGO TEIXEIRA RIBEIRO - AL020853IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE ALAGOASPACIENTE:EVERTON MARCOS DE LIMAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE ALAGOASProcesso distribuído pelo sistema automático em 26/04/2026.