Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO (IMPETRADO), 1. REGIS DAVIDSON GONCALVES DE MENEZES (IMPETRANTE)
- Advogado
- REGIS DAVIDSON GONÇALVES DE MENEZES (OAB 31580/GO)
HC 1102931/MT (2026/0219707-2)RELATOR:MINISTRO JOEL ILAN PACIORNIKIMPETRANTE:REGIS DAVIDSON GONCALVES DE MENEZESADVOGADO:REGIS DAVIDSON GONÇALVES DE MENEZES - GO031580IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSOPACIENTE:JAILSON SOARES DE ALMEIDAINTERESSADO:MINISTERIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO
DECISÃO
Cuida-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em benefício de J S D A, contra acórdão da Quarta Câmara Criminal do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO proferido no julgamento da Revisão Criminal n. 1018521-22.2025.8.11.0000.
Extrai-se dos autos que o paciente foi condenado definitivamente como incurso no art. 217-A, caput, do Código Penal (estupro de vulnerável), à pena de 8 anos de reclusão, em regime semiaberto.
A defesa ajuizou revisão criminal na origem, todavia, a Turma de Câmaras Criminais Reunidas do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso não conheceu do pedido, conforme o acórdão que restou assim ementado:
"DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. REVISÃO CRIMINAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. PRECLUSÃO TEMPORAL. NULIDADE PROCESSUAL POR AUSÊNCIA DE RESPOSTA À ACUSAÇÃO. ALEGAÇÃO DE DEFICIÊNCIA DE DEFESA TÉCNICA. REEXAME DO MÉRITO CONDENATÓRIO. INADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
I. CASO EM EXAME
Revisão criminal ajuizada com fundamento no art. 621, I, do Código de Processo Penal, visando à desconstituição de acórdão que manteve condenação pelo crime de estupro de vulnerável (art. 217-A, caput, do CP), à pena de 8 anos de reclusão em regime semiaberto. A parte requerente alegou nulidade por ausência de apresentação de resposta à acusação, deficiência na defesa técnica e insuficiência probatória quanto à ciência da idade da vítima, pleiteando a anulação do processo ou, subsidiariamente, sua absolvição.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
HÁ três questões em discussão: (i) verificar se o transcurso de aproximadamente sete anos entre o trânsito em julgado da condenação e o ajuizamento da revisão criminal configura preclusão temporal; (ii) definir se a ausência de resposta à acusação e a suposta deficiência da defesa técnica configuram nulidades aptas a invalidar a condenação; (iii) estabelecer se é cabível o reexame do mérito condenatório com base em alegação de insuficiência probatória já apreciada na apelação criminal.
