Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (IMPETRADO), 1. DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (IMPETRANTE)
- Advogado
- DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
HC 1103730/RS (2026/0224446-0)RELATOR:MINISTRO PRESIDENTE DO STJIMPETRANTE:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SULADVOGADO:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SULIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SULPACIENTE:GILMAR SANTOS WEBERINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
DECISÃO
Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de GILMAR SANTOS WEBER em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL assim ementado:
APELAÇÃO CRIMINAL. ESTUPRO. ART. 213, CAPUT, DO CP. ABSOLVIÇÃO. IRRESIGNAÇÃO MINISTERIAL.
Materialidade e autoria do crime comprovadas. Nada havendo de concreto nos autos a levantar dúvida ou a fazer descrer das declarações da vítima, que não tinha qualquer razão para querer prejudicar o réu ou acusá-lo falsamente, deve se dar integral credibilidade às suas declarações. Em crimes contra a dignidade sexual, geralmente cometidos fora da vista de testemunhas, a palavra da vítima, quando segura e coerente, possui especial relevância e suficiência para o juízo condenatório. Condenação decretada.
APELO MINISTERIAL PROVIDO.
Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 6 (seis) anos e 6 (seis) meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, pela prática do delito capitulado no art. 213, caput, do Código Penal.
Em suas razões, sustenta a Defensoria Pública estadual a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto a condenação foi proferida sem prova suficiente, em afronta à presunção de inocência e ao padrão probatório exigido para a certeza condenatória.
Alega que a palavra da vítima, embora relevante, mostrou-se contraditória e isolada, não corroborada por prova técnica ou testemunhal idônea, sendo indevido o afastamento da dúvida razoável e a reforma da absolvição de primeiro grau.
Argumenta que não houve comprovação segura de violência ou grave ameaça, destacando a inexistência de exame pericial indicativo de emprego de força física e a oscilação das declarações da ofendida, o que inviabiliza a condenação.
