Processo judicial
Superior Tribunal de Justiça
Possivelmente o mesmo caso em outras instâncias, com partes em comum.
2026
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HC 1105979/SC (2026/0236231-4)RELATOR:MINISTRO RIBEIRO DANTASIMPETRANTE:GABRIELA DE ALMEIDA SOARESADVOGADO:GABRIELA DE ALMEIDA SOARES - SC045364IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINAPACIENTE:STEFANY FERNANDES TESTAS GONCALVESINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINAProcesso distribuído pelo sistema automático em 17/06/2026.
HC 1105979/SC (2026/0236231-4)RELATOR:MINISTRO RIBEIRO DANTASIMPETRANTE:GABRIELA DE ALMEIDA SOARESADVOGADO:GABRIELA DE ALMEIDA SOARES - SC045364IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINAPACIENTE:STEFANY FERNANDES TESTAS GONCALVESINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido de liminar, impetrado em favor de STEFANY FERNANDES TESTAS GONÇALVES, no qual aponta como autoridade coatora o Juízo da Vara de Execuções Penais da Comarca de Itajaí/SC.
A impetrante afirma que cumpre pena de 5 anos de 10 meses, em regime semiaberto, pela prática do delito previsto no art. 33 da Lei n. 11.343/2006 (processo de execução n. 8000168- 39.2023.8.24.0025).
Aduz que, desde 20/2/2020, encontra-se submetida a monitoramento eletrônico, com restrição inclusive do período noturno, fins de semana e feriados. Todavia, foi expedido mandado de prisão em seu desfavor, gerando iminente risco de recolhimento prisional. Sustenta que tal situação viola os princípios da proporcionalidade, razoabilidade, individualização da pena, proteção da confiança e menor gravosidade na execução penal.
Assevera, ademais, que o equipamento precisa de manutenção, argumentando a impossibilidade de se converter a questão técnica em fundamento de prisão.
Defende, ainda, a necessidade de se ter detraído o tempo em que permaneceu submetida ao monitoramento eletrônico, nos moldes delineados pelo Tema n. 1.155/STJ.
Requer, ao final, que seja reconhecida a ilegalidade na manutenção do mandado de prisão, determinando a cassação ou suspensão, e atribuição de medidas menos gravosas, se necessárias. Subsidiariamente, pleiteia que se determine ao Juízo de primeiro grau a retificação dos cálculos de pena para se considerar o período em que esteve de tornozeleira eletrônica. Postula, ainda, a expedição do alvará de soltura no caso de a paciente se encontrar presa.
É o relatório.
Decido.
De acordo com o disposto no art. 105, I, "c", da Constituição da República, o Superior Tribunal de Justiça não possui competência para processar e julgar habeas corpus impetrado contra ato de juiz de primeiro grau.
HC 1105979/SC (2026/0236231-4)RELATOR:MINISTRO PRESIDENTE DO STJIMPETRANTE:GABRIELA DE ALMEIDA SOARESADVOGADO:GABRIELA DE ALMEIDA SOARES - SC045364IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINAPACIENTE:STEFANY FERNANDES TESTAS GONCALVESINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINAProcesso distribuído pelo sistema automático em 16/06/2026.
Cabe ao Superior Tribunal de Justiça processar e julgar habeas corpus somente quando o coator for de tribunal sujeito à sua jurisdição, o que não se verifica no caso em tela. Ressalto que o pedido também não encontra amparo em nenhuma das hipóteses de competência originária desta Corte Superior.
Nesse sentido, confiram-se os seguintes precedentes:
"AGRAVO REGIMENTAL NA PETIÇÃO NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. IMPUGNAÇÃO DEFENSIVA. HABEAS CORPUS IMPETRADO CONTRA ATO DE JUIZ DA EXECUÇÃO PENAL. INVIABILIDADE DE CONHECIMENTO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. COMPETÊNCIA DESTA CORTE PARA JULGAMENTO DE ATOS DE TRIBUNAL SUJEITO A SUA JURISDIÇÃO. AGRAVO DESPROVIDO.
1. 'Inviável o conhecimento por esta Corte Superior de alegação de constrangimento ilegal praticado por juiz de direito, uma vez que, na forma do art. 105, I, alínea 'c' da Carta da República, possui competência para atos emanados de Tribunal sujeito a sua jurisdição'. (AgInt no HC 418.953/CE, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 21/11/2017, DJe 12/12/2017).
2. Situação em que a defesa se insurge contra decisão do Juízo de execução que indeferiu pedido de trabalho externo beneficiado com a prisão domiciliar sob uso de monitoramento eletrônico, pois os elementos dos autos apontaram para a impossibilidade do deferimento do benefício à luz do que estabelece a Súmula Vinculante 56 do Supremo Tribunal Federal.
3. Incabível o pronunciamento por este Tribunal sobre a questão de mérito, sem que tenha havido prévia deliberação da Corte de origem sobre o tema.
4. Agravo regimental desprovido." (AgRg na PET no HC n. 906.615/CE, de minha relatoria, Quinta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 15/8/2024).
"AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. DOSIMETRIA DA PENA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. HABEAS CORPUS IMPETRADO CONTRA ATO DE JUIZ DE DIREITO. INCOMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
O Superior Tribunal de Justiça, a teor do artigo 105, inciso I, alínea 'c', da Constituição da República, não possui competência para julgar habeas corpus impetrado contra ato de Juiz de Direito.
Agravo regimental desprovido." (AgRg no HC n. 868.026/MS, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 6/2/2024, DJe de 14/2/2024).
"PROCESSUAL PENAL. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO RECEBIDO COMO AGRAVO REGIMENTAL. EXECUÇÃO. FALTA GRAVE. REGRESSÃO DE REGIME. IMPETRAÇÃO CONTRA ATO DE JUIZ. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE TER SIDO A CORTE DE ORIGEM SEQUER PROVOCADA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. Formulado pedido de reconsideração no prazo de 5 dias, é de ser admitido como agravo regimental.
2. Esta Corte já sinalizou ser 'inviável o conhecimento por esta Corte Superior de alegação de constrangimento ilegal praticado por juiz de direito, uma vez que, na forma do art. 105, I, alínea 'c', da Carta da República, possui competência para atos emanados de Tribunal sujeito a sua jurisdição' (AgInt no HC n. 418.953/CE, relator Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 21/11/2017, DJe 12/12/2017).
3. Na hipótese vertente, ademais, não há sequer nenhuma comprovação de que a Corte de origem tenha sido ao menos provocada.
4. Agravo regimental desprovido." (RCD no HC n. 714.339/RS, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 22/2/2022, DJe de 25/2/2022).
Ante o exposto, indefiro liminarmente este habeas corpus.
Publique-se. Intimem-se.
Relator
RIBEIRO DANTAS