Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (IMPETRADO), 1. MATHEUS SARDINHA DA MOTTA (IMPETRANTE)
- Advogados
- GABRIEL BARBOZA BONACOSSA (OAB 26943/ES), PEDRO TAVARES RUELA DE ASSIS (OAB 30917/ES), MATHEUS SARDINHA DA MOTTA (OAB 29627/ES)
HC 1106810/ES (2026/0242012-5)RELATOR:MINISTRO MESSOD AZULAY NETOIMPETRANTE:MATHEUS SARDINHA DA MOTTAADVOGADOS:GABRIEL BARBOZA BONACOSSA - ES026943MATHEUS SARDINHA DA MOTTA - ES029627PEDRO TAVARES RUELA DE ASSIS - ES030917IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTOPACIENTE:CHARLES DA CRUZ RODRIGUESINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de C DA C R , contra acórdão das Câmaras Criminais Reunidas do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo que, em sede de revisão criminal (Proc. nº 5015206-96.2025.8.08.0000), julgou improcedente, à unanimidade, o pedido revisional (fls. 14-19), mantendo a condenação do paciente à pena total de 34 anos de reclusão, como incurso nos arts. 217-A, caput, c/c art. 226, II, na forma do art. 71, CP; art. 213, § 1º, c/c art. 226, II, CP (duas vezes); e art. 213, § 1º, c/c art. 14, II, c/c art. 71, CP, com concurso material (art. 69, CP).
O impetrante sustenta, em síntese, nulidade absoluta da sentença por ausência de correlação entre a acusação e a condenação, com violação ao princípio acusatório (art. 3º-A, CPP) e à necessidade de mutatio libelli (art. 384, CPP), afirmando que o juízo sentenciante teria reconhecido múltiplos estupros de vulnerável em continuidade delitiva sem aditamento da denúncia, quando a pretensão acusatória - segundo a defesa - teria se limitado a um único estupro de vulnerável e três estupros qualificados, sendo um tentado (fls. 3-12 e 6-9). Aponta, ainda, como consequência, a necessidade de absolvição dos fatos não contidos na peça acusatória e o afastamento da continuidade delitiva fixada no patamar de dois terços (fls. 10-12).
O acórdão revisional, por sua vez, rejeitou as teses de nulidade por citação em juízo incompetente, ausência de defesa técnica e ausência de intimação pessoal da sentença, bem como afastou a pretensão de reconhecimento de crime único ou redução da fração da continuidade delitiva, amparando-se: (i) na teoria do juízo aparente e na possibilidade de ratificação tácita pelo juízo competente; (ii) na falta de demonstração de prejuízo (PP); e (iii) na suficiência e consistência do conjunto probatório, destacadamente a palavra da vítima, corroborada por testemunhas e pela confissão parcial do réu (fls. 15-19).
