SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS (IMPETRADO), 1. ROGERIO PIRES THOMAZ (IMPETRANTE)
Advogado
ROGERIO PIRES THOMAZ (OAB 112666/MG)
HC 1111084/MG (2026/0270691-4)RELATOR:MINISTRO CARLOS PIRES BRANDÃOIMPETRANTE:ROGERIO PIRES THOMAZADVOGADO:ROGERIO PIRES THOMAZ - MG112666IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAISPACIENTE:MAX EMILIANO TEIXEIRA COSTAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
DECISÃO
Trata-se de Habeas Corpus com pedido de liminar impetrado em favor de MAX EMILIANO TEIXEIRA COSTA, no qual se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS. Narra a inicial que o paciente foi condenado pela prática do crime de importunação sexual (art. 215-A do Código Penal) à pena definitiva de 1 (um) ano e 1 (um) mês de reclusão, em regime inicial semiaberto.
Foi negado provimento à Apelação. A Defesa alega que a manutenção do regime inicial semiaberto pelo Tribunal de origem configura constrangimento ilegal, porque em descompasso com os critérios legais e jurisprudenciais.
Assevera que a imposição do regime mais gravoso (semiaberto) com base em dois fundamentos (a reincidência e a menção genérica à "reprovação do crime e à ressocialização do agente") é inidônea e contraria a Súmula 269 do STJ.
Sustenta que a negativa de substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos também configura constrangimento ilegal porque não existe reincidência específica. Pleiteia o deferimento de liminar para determinar a fixação do regime inicial aberto para o cumprimento da pena.
No mérito, pede a concessão definitiva da ordem para cassar o acórdão impugnado na parte relativa ao regime prisional para estabelecer o regime aberto como o inicial para o cumprimento da pena e para determinar que o Juízo de primeira instância reavalie a possibilidade de substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos, nos termos do art. 44, § 3º, do Código Penal. É o relatório.
A liminar foi indeferida (fls. 353-354) e as informações foram prestadas (fls. 357-386).
A Procuradoria-Geral da República manifestou-se pelo não conhecimento do writ (fls. 400-409).
Julho 20262 eventos
Intimação
D
Órgão
SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS (IMPETRADO), 1. ROGERIO PIRES THOMAZ (IMPETRANTE)
Advogado
ROGERIO PIRES THOMAZ (OAB 112666/MG)
HC 1111084/MG (2026/0270691-4)RELATOR:MINISTRO CARLOS PIRES BRANDÃOIMPETRANTE:ROGERIO PIRES THOMAZADVOGADO:ROGERIO PIRES THOMAZ - MG112666IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAISPACIENTE:MAX EMILIANO TEIXEIRA COSTAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
DECISÃO
Trata-se de Habeas Corpus com pedido de liminar impetrado em favor de MAX EMILIANO TEIXEIRA COSTA, no qual se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS.
Narra a inicial que o paciente foi condenado pela prática do crime de importunação sexual (art. 215-A do Código Penal) à pena definitiva de 1 (um) ano e 1 (um) mês de reclusão, em regime inicial semiaberto. Foi negado provimento à Apelação.
A Defesa alega que a manutenção do regime inicial semiaberto pelo Tribunal de origem configura constrangimento ilegal, porque em descompasso com os critérios legais e jurisprudenciais.
Assevera que a a imposição do regime mais gravoso (semiaberto) com base em dois fundamentos – a reincidência e a menção genérica à "reprovação do crime e à ressocialização do agente" – é inidônea e contraria a Súmula 269 do STJ.
Sustenta que a negativa de subsitituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos também configura constrangimento ilegal porque não existe reincidência específica.
Pleiteia o deferimento de liminar para determinar a fixação do regime inicial aberto para o cumprimento da pena.
No mérito, pede a concessão definitiva da ordem para cassar o acórdão impugnado na parte relativa ao regime prisional, com a confirmação da liminar para estabelecer o regime aberto como o inicial para o cumprimento da pena e para determinar que o Juízo de primeira instância reavalie a possibilidade de substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos, nos termos do art. 44, § 3º, do Código Penal.
É o relatório.
Decido.
Em cognição sumária, não se verifica a ocorrência de manifesta ilegalidade ou urgência a justificar o deferimento do pleito liminar.
Esta Corte e o Supremo Tribunal Federal pacificaram o entendimento de que não cabe habeas corpus como substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado (STJ, HC n. 535.063/SP, Terceira Seção, Relator Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020, DJe de 25/8/2020; STF, AgRg no HC n. 180.365/PB, Primeira Turma, Relatora Ministra Rosa Weber, julgado em 27/3/2020, DJe de 2/4/2020; e AgRg no HC n. 147.210/SP, Segunda Turma, Relator Ministro Edson Fachin, julgado em 30/10/2018, DJe de 20/2/2020).
Na hipótese, inexiste ilegalidade flagrante que justifique a concessão de habeas corpus de ofício.
No caso em exame, trata-se de habeas corpus originário dirigido contra acórdão da Corte estadual que, em apelação, preservou a condenação pelo delito de importunação sexual, fixando a pena definitiva em 1 ano e 1 mês de reclusão, com regime inicial semiaberto, e afastando a substituição da pena por restritivas de direitos. A impetração pretende o abrandamento para o regime aberto e, por consequência, a reavaliação da substituição, sob o argumento de que a pena-base foi estabelecida no mínimo legal e de que a reincidência, isoladamente, não justificaria a manutenção de regime mais gravoso.
A jurisprudência desta Corte Superior orienta que a definição do regime inicial deve observar o quantum da reprimenda, a presença de circunstâncias judiciais favoráveis e a eventual reincidência, em aplicação sistemática dos critérios do artigo 33 do Código Penal.
O Tribunal de origem, ao examinar a matéria, assentou a adequação do regime intermediário, destacando a condição de reincidente do condenado e a necessidade de reprovação do delito e de ressocialização, sem descurar de que a pena-base foi fixada no mínimo, o que demonstra a inexistência de vetores judiciais negativos na primeira fase. Tal fundamentação insere-se na moldura legal e atende ao parâmetro sumular desta Corte (Súmula 269/STJ), que admite o regime semiaberto ao reincidente condenado a pena igual ou inferior a quatro anos quando as circunstâncias judiciais são favoráveis.
No caso concreto, a manutenção do semiaberto revela-se juridicamente adequada porque a reincidência impede a automática fixação de regime aberto, ainda que a pena não ultrapasse quatro anos e a pena-base esteja no mínimo. A Súmula 269, longe de impor o regime aberto, assenta a compatibilidade do regime menos gravoso para reincidente quando favoráveis as circunstâncias, o que implica reconhecer que o semiaberto é, ao menos, a gradação mínima aceitável nessa moldura. A pretensão de abrandamento, portanto, não encontra suporte em contradição interna do julgado, mas colide com a exigência de resposta penal proporcional à reiteração delitiva, especialmente em cenário em que a instância ordinária explicitou a necessidade de reforço ressocializador.
Nesse sentido:
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DA PENA. PENA INFERIOR A QUATRO ANOS. REINCIDENCIA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. MOTIVAÇÃO IDÔNEA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que indeferiu liminarmente habeas corpus, no qual se postulava a fixação do regime inicial aberto.
II. Questão em discussão
2. A questão em discussão consiste em saber se há constrangimento ilegal na fixação do regime inicial semiaberto fundamentada na reincidência, apesar da pena definitiva inferior a quatro anos, da pena-base no mínimo legal e da inexistência de circunstâncias judiciais desfavoráveis.
III. Razões de decidir
3. A reincidência, prevista no art. 33, § 2º, alínea c, do Código Penal, constitui fundamento legal suficiente para a fixação do regime inicial semiaberto, ainda que a pena definitiva seja inferior a quatro anos e a pena-base esteja no mínimo.
4. A Súmula 269 do STJ admite a adoção do regime semiaberto para reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos, quando favoráveis as circunstâncias judiciais, compatibilizando-se com os §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal.
5. As Súmulas 440 do STJ e 718 e 719 do STF vedam a imposição de regime mais gravoso com base na gravidade abstrata do delito; no caso, há motivação concreta idônea na reincidência, afastando a alegação de constrangimento ilegal.
6. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a reincidência justifica a fixação do regime inicial semiaberto em hipóteses de pena inferior a quatro anos, não se exigindo outros elementos concretos quando a reprimenda observa os parâmetros legais.
IV. Dispositivo
7. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.
(AgRg no HC 1087708/SP, Relator Ministro CARLOS PIRES BRANDÃO, SEXTA TURMA, julgado em 11/06/2026, DJEN em 16/06/2026).
Quanto à alegação conexa de que o abrandamento do regime conduziria à análise da substituição da pena por restritivas de direitos, cumpre notar que a negativa foi vinculada à ausência de requisitos legais, em exame próprio da instância ordinária. A substituição ao reincidente demanda juízo de recomendabilidade social e não reincidência específica, o que supõe avaliação concreta dos antecedentes e da suficiência das medidas alternativas. Não se verifica, nos limites cognitivos estreitos do habeas corpus, insuficiência da motivação que, por si só, imponha revisão, sobretudo quando o regime inicial mantido reforça a inadequação de substituição automática em face da reiteração delitiva. Diante desse quadro, a preservação do regime semiaberto, por si, elimina o suporte lógico do pedido consequencial de substituição.
A propósito:
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE. REGIME INICIAL SEMIABERTO. REINCIDENTE. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR PENA RESTRITIVA DE DIREITOS NEGADA. REINCIDÊNCIA E MEDIDA SOCIALMENTE NÃO RECOMENDÁVEL. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. AGRAVO IMPROVIDO.
1. Os requisitos para a imposição do regime aberto constam no art. 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal; a saber: ausência de reincidência, condenação por período igual ou inferior a 4 anos e inexistência de circunstâncias judiciais desfavoráveis. Na espécie, sendo o agravante reincidente e havendo sido a pena fixada em 6 meses de detenção, o regime inicial semiaberto é o adequado para o cumprimento da sanção, nos termos do art. 33, § 2º, do CP.
2. Conforme o art. 44, § 3º, do CP, se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não se tenha operado em virtude da prática do mesmo crime.
3. Em que pese não se tratar de reincidente específico, constitui fundamento idôneo para o indeferimento da substituição da pena a reincidência do réu em crime doloso e o fato de a medida não ser socialmente recomendável.
4. Agravo regimental improvido.
(AgRg no AREsp n. 2.599.559/SP, relator Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, julgado em 17/6/2025, DJEN de 26/6/2025.)
Em conclusão, a solução que mantém a dosimetria tal como fixada pela origem, com o regime semiaberto fundado na reincidência e na adequação da resposta penal, harmoniza-se com a diretriz legal e com o entendimento consolidado desta Corte, não se revelando a ilegalidade flagrante aventada na impetração.
Ante o exposto, não conheço do habeas corpus.
Publique-se. Intimem-se.
Relator
CARLOS PIRES BRANDÃO
À primeira vista, o acórdão impugnado não se revela teratológico, o que de todo modo poderá ser mais bem avaliado por ocasião do julgamento definitivo do writ.
Ante o exposto, indefiro o pedido de liminar.
Solicitem-se informações ao Tribunal de origem e ao Juízo de primeiro grau, as quais deverão ser prestadas, preferencialmente, por malote digital e com senha de acesso para consulta aos autos.
Remeta-se o processo ao Ministério Público Federal para parecer.
Publique-se.
Intimem-se.
Presidente
HERMAN BENJAMIN
Intimação
D
Órgão
COORDENADORIA DE CLASSIFICAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE PROCESSOS
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS (IMPETRADO), 1. ROGERIO PIRES THOMAZ (IMPETRANTE)
Advogado
ROGERIO PIRES THOMAZ (OAB 112666/MG)
HC 1111084/MG (2026/0270691-4)RELATOR:MINISTRO CARLOS PIRES BRANDÃOIMPETRANTE:ROGERIO PIRES THOMAZADVOGADO:ROGERIO PIRES THOMAZ - MG112666IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAISPACIENTE:MAX EMILIANO TEIXEIRA COSTAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAISProcesso distribuído pelo sistema automático em 02/07/2026.