HC 1024593/PE (2025/0293650-0)RELATOR:MINISTRO OTÁVIO DE ALMEIDA TOLEDO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJSP)IMPETRANTE:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE PERNAMBUCOADVOGADO:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE PERNAMBUCOIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCOPACIENTE:JOSE NICOLAU GONCALVESINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de J N G, contra acórdão proferido na revisão criminal n. 0045630-60.2024.8.17.9000 assim ementado:
PENAL E PROCESSO PENAL. REVISÃO CRIMINAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. ATOS LIBIDINOSOS DIVERSOS DA CONJUNÇÃO CARNAL. FATO PRATICADO SOB A VIGÊNCIA DO ART. 214 DO CÓDIGO PENAL. VÍTIMA MENOR DE 14 ANOS. VIOLÊNCIA PRESUMIDA. SENTENÇA APLICA O ART. 217-A DO CÓDIGO PENAL COM FUNDAMENTO NO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO FRACIONADA DA NORMA ANTERIOR. INEXISTÊNCIA DE CONTRARIEDADE A TEXTO EXPRESSO DE LEI. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA REVISÃO CRIMINAL. PEDIDO INDEFERIDO. DECISÃO UNÂNIME.
1. Pedido revisional formulado com o objetivo de desconstituir sentença condenatória transitada em julgado, que impôs ao requerente a pena de 9 (nove) anos de reclusão pela prática do crime de estupro de vulnerável, em razão da prática de atos libidinosos diversos da conjunção carnal, nos termos do art. 217-A do Código Penal, tendo na sentença aplicado sob fundamento o princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica.
2. A defesa sustenta que a decisão afrontaria texto expresso de lei penal, pois deveria ter sido aplicada a norma vigente à época do fato (art. 214 do Código Penal), sem a parte da causa de aumento de pena prevista no art. 224 do mesmo diploma legal, sob o argumento de que tal majorante foi revogada pela Lei nº 12.015/2009 e que não teria ocorrido violência ou grave ameaça. Entretanto, a tese defensiva de que a norma mais benéfica ao réu seria a do do Código Penal, vigente à época do fato, desconsidera que a lei deve ser aplicada em sua integralidade, eis que, do contrário, haveria violação ao princípio da legalidade.