SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS (IMPETRADO), 1. VICTOR WILLIS MAGALHAES MARTINS (IMPETRANTE)
Advogados
VICTOR WILLIS MAGALHÃES MARTINS (OAB 54966/GO), MARINHO PAULO DE CARVALHO NETO (OAB 71325/GO)
HC 1026986/GO (2025/0305745-9)RELATOR:MINISTRO RIBEIRO DANTASIMPETRANTE:VICTOR WILLIS MAGALHAES MARTINSADVOGADOS:VICTOR WILLIS MAGALHÃES MARTINS - GO054966MARINHO PAULO DE CARVALHO NETO - GO071325IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁSPACIENTE:WILIENY MANITHIELY BARBOSA DA SILVAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE GOIÁS
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido liminar, impetrado em favor de WILIENY MANITHIELY BARBOSA DA SILVA contra acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (HC n. 5565894-42.2025.8.09.0011).
Consta dos autos que a paciente foi presa em flagrante delito, sob a suspeita da prática do delito descrito no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/06, com posterior conversão em prisão preventiva.
Impetrado habeas corpus perante a Corte a quo, a ordem foi denegada.
Neste writ, alega o impetrante, em síntese, nulidade da busca pessoal pela inexistência de fundadas razões.
De forma supletiva, aponta ausência de fundamentos idôneos para a manutenção da prisão preventiva.
Requer, assim, o relaxamento ou a revogação prisão preventiva ou que a custódia cautelar seja substituída por medidas cautelares diversas da prisão.
É o relatório.
Decido.
Esta Corte - HC 535.063/SP, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgR no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado.
Assim, passo à análise das razões da impetração, de forma a verificar a ocorrência de flagrante ilegalidade a justificar a concessão do habeas corpus, de ofício.
Intimação
D
Órgão
SECRETARIA JUDICIÁRIA
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS (IMPETRADO), 1. VICTOR WILLIS MAGALHAES MARTINS (IMPETRANTE)
Advogados
VICTOR WILLIS MAGALHÃES MARTINS (OAB 54966/GO), MARINHO PAULO DE CARVALHO NETO (OAB 71325/GO)
HC 1026986/GO (2025/0305745-9)RELATOR:MINISTRO RIBEIRO DANTASIMPETRANTE:VICTOR WILLIS MAGALHAES MARTINSADVOGADOS:VICTOR WILLIS MAGALHÃES MARTINS - GO054966MARINHO PAULO DE CARVALHO NETO - GO071325IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁSPACIENTE:WILIENY MANITHIELY BARBOSA DA SILVAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE GOIÁSProcesso distribuído pelo sistema automático em 18/08/2025.
Intimação
D
Órgão
SECRETARIA JUDICIÁRIA
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS (IMPETRADO), 1. VICTOR WILLIS MAGALHAES MARTINS (IMPETRANTE)
Advogados
VICTOR WILLIS MAGALHÃES MARTINS (OAB 54966/GO), MARINHO PAULO DE CARVALHO NETO (OAB 71325/GO)
HC 1026986/GO (2025/0305745-9)RELATOR:MINISTRO PRESIDENTE DO STJIMPETRANTE:VICTOR WILLIS MAGALHAES MARTINSADVOGADOS:VICTOR WILLIS MAGALHÃES MARTINS - GO054966MARINHO PAULO DE CARVALHO NETO - GO071325IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁSPACIENTE:WILIENY MANITHIELY BARBOSA DA SILVAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE GOIÁSProcesso distribuído pelo sistema automático em 15/08/2025.
No que se refere à alegada nulidade pela busca pessoal, entendo, no caso, não ser possível ao Superior Tribunal de Justiça, nesta fase da persecução penal, debruçar-se sobre questão de natureza probatória antes dos pronunciamentos definitivos das instâncias ordinárias, competentes para examiná-las com profundidade, a fim de que delineiem os fatos para futuro exame do Tribunal.
No mais, a prisão preventiva da paciente foi decretada sob os seguintes fundamentos:
"Como é consabido, a flagrância representa prova substancial da autoria delitiva. Ademais, no caso em apreço, há a presença de mais um requisito, pois de forma especial, noto que a autuada fora detida a pouco mais de 01 (um) mês em situação semelhante as dos presentes autos, e, desta forma, a segregação cautelar se faz necessária com fundamento na garantia da ordem pública, instrução processual e aplicação da lei penal. Por fim, diante do que restou exposto, as medidas alternativas diversas da prisão não se revelam adequadas e suficientes ao caso, em especial, dada ao desajustamento da conduta social da indiciada. Assim, estando presentes os requisitos necessários para manutenção da segregação cautelar, a concessão da liberdade provisória resta prejudicada. Posto isso, sem mais delongas, acompanhando parecer ministerial, HOMOLOGO o auto de prisão em flagrante delito, eis que, ausente qualquer irregularidade e, com fulcro no artigo 310, inciso II, do Código de Processo Penal, CONVERTO a prisão em flagrante em preventiva, mantendo a autuada, WILIENY MANITHIELY BARBOSA DA SILVA enclausurada até novas deliberações." (e-STJ, fl. 93)
De acordo com o art. 312 do Código de Processo Penal, a custódia preventiva poderá ser decretada para garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que presentes prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria.
"Conforme pacífica jurisprudência desta Corte, a preservação da ordem pública justifica a imposição da prisão preventiva quando o agente possuir maus antecedentes, reincidência, atos infracionais pretéritos, inquéritos ou mesmo ações penais em curso, porquanto tais circunstâncias denotam sua contumácia delitiva e, por via de consequência, sua periculosidade" (AgRg no HC n. 1.002.927/MT, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 24/6/2025, DJEN de 30/6/2025.)
No caso concreto, observa-se o risco concreto de reiteração delitiva, na medida em que a paciente foi presa "detida a pouco mais de 01 (um) mês em situação semelhante" (e-STJ, fl. 93), sendo beneficiada com liberdade provisória, o que justifica a custódia cautelar. Cito precedentes:
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que negou provimento a recurso em habeas corpus, o qual foi impetrado contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina que denegou a ordem de habeas corpus, mantendo a prisão preventiva do recorrente pela suposta prática do crime de tráfico de drogas.
2. Fato relevante. O recorrente foi preso em flagrante em 8/3/2025, transportando aproximadamente 6,5kg de cocaína, e teve sua prisão convertida em preventiva, com fundamento na gravidade concreta do delito e na existência de outros processos criminais em andamento.
3. As decisões anteriores. A prisão preventiva foi mantida pelas instâncias ordinárias, que consideraram a grande quantidade de droga apreendida e a existência de ações penais em curso como elementos suficientes para justificar a necessidade da prisão cautelar para garantir a ordem pública.
II. Questão em discussão
4. A questão em discussão consiste em saber se a prisão preventiva do recorrente está devidamente fundamentada, considerando a gravidade concreta do delito e a existência de ações penais em curso, ou se há constrangimento ilegal que justifique sua revogação.
5. Outra questão em discussão é se as condições pessoais favoráveis do recorrente, como primariedade, residência fixa e ocupação lícita, são suficientes para substituir a prisão preventiva por medidas cautelares diversas.
III. Razões de decidir
6. A grande quantidade de droga apreendida e a existência de ações penais em curso justificam a prisão preventiva para garantir a ordem pública, conforme entendimento consolidado do STJ.
7. As condições pessoais favoráveis do recorrente não são suficientes para afastar a necessidade da prisão preventiva, quando presentes os requisitos legais para sua decretação.
8. Medidas cautelares alternativas são insuficientes para garantir a ordem pública, dada a gravidade concreta do delito e o risco de reiteração delitiva.
IV. Dispositivo e tese
9. Agravo regimental desprovido.
Tese de julgamento: "1. A grande quantidade de droga apreendida e a existência de ações penais em curso justificam a prisão preventiva para garantir a ordem pública. 2. Condições pessoais favoráveis não são suficientes para afastar a necessidade da prisão preventiva quando presentes os requisitos legais. 3. Medidas cautelares alternativas são insuficientes para garantir a ordem pública em casos de gravidade concreta do delito e risco de reiteração delitiva".
Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 312; CPP, art. 313, III.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no RHC 196.193/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 1/7/2024;
STJ, RHC 156.048/SC, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 15/02/2022. (AgRg no RHC n. 213.399/SC, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 13/8/2025, DJEN de 18/8/2025.)
DIREITO PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE ENTORPECENTES. SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. INCABÍVEL. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. NÃO APLICAÇÃO. REITERAÇÃO DELITIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO.
1. Trata-se de habeas corpus impetrado por se tratar de acórdão que, na origem, negou provimento ao habeas corpus. O paciente foi preso em flagrante por tráfico de entorpecentes, portando 0,6 g de crack, razão pela qual a defesa requer a aplicação do princípio da insignificância e trancamento da ação penal.
2. Decisão denegatória do pleito liminar e parecer do Ministério Público Federal pelo não conhecimento do writ.
3. Inexiste teratologia no acórdão impugnado que justifique o conhecimento do habeas corpus, o qual foi manejado em substituição ao recurso próprio (HC n. 535.063/SP, relator Ministro Sebastião Reis Junior, Terceira Seção, julgado em 10/6/2020).
4. Em relação ao art. 647-A do Código de Processo Penal, verifica-se que não foi comprovada, de plano, a inépcia da denúncia, a atipicidade da conduta ou a incidência de causa de extinção da punibilidade a justificar o trancamento da ação penal pela estreita via cognitiva do habeas corpus. Precedentes.
5. O contexto fático evidenciado nos autos indica a existência de elementos caracterizadores da mercancia, o que impõe o prosseguimento da demanda.
6. A reiteração delitiva e os maus antecedentes do paciente impedem a aplicação do princípio da insignificância, conforme jurisprudência do STJ.
7. A manutenção da prisão preventiva é justificada pelo risco à ordem pública, diante da reincidência específica e dos maus antecedentes do paciente.
8. Recurso não conhecido.
(HC n. 1.001.682/SP, relator Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, julgado em 13/8/2025, DJEN de 18/8/2025.)