Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 3. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (INTERESSADO), 4. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITORIOS (IMPETRADO), 1. MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS (AGRAVANTE), 2. J R N (AGRAVADO)
- Advogado
- DEFENSORIA PÚBLICA DO DISTRITO FEDERAL
AgRg no HC 938404/DF (2024/0309847-6)RELATOR:MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIORAGRAVANTE:MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOSAGRAVADO:J R NADVOGADO:DEFENSORIA PÚBLICA DO DISTRITO FEDERALINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITORIOS
DECISÃO
Trata-se de agravo regimental interposto pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios contra a decisão, da minha lavra, em que concedi a ordem impetrada em favor do paciente J R N, assim ementada (fls. 306/310):
HABEAS CORPUS. IMPORTUNAÇÃO SEXUAL E ESTUPRO DE VULNERÁVEL. TRANCAMENTO. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. ATIPICIDADE RECONHECIDA PELO JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU. REJEIÇÃO DA DENÚNCIA. NECESSÁRIA EXISTÊNCIA DE CONTATO FÍSICO COM AS VÍTIMAS PARA A CONFIGURAÇÃO DOS DELITOS PREVISTOS NOS ARTS. 215 A E 217-A DO CÓDIGO PENAL. NÃO OCORRÊNCIA DE ATOS LIBIDINOSOS. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO.
Ordem concedida nos termos do dispositivo.
Nas razões do agravo, o Ministério Público sustenta, em síntese, que a decisão agravada, ao condicionar a caracterização dos crimes contra a dignidade sexual narrados na denúncia à existência de contato físico para subsunção a ato libidinoso, contraria a jurisprudência dessa Corte Superior de Justiça (fl. 326).
Argumenta que a rejeição da denúncia caracteriza cerceamento de acusação, retirando prematuramente a possibilidade de se produzir prova judicializada da imputação inicial, bem como viola o princípio da proporcionalidade, o que pode caracterizar proteção insuficiente ao bem jurídico tutelado pelos delitos contra a dignidade sexual, diante do contexto constitucional e convencional existente no âmbito jurídico interno (fl. 327).
Busca o provimento do agravo para que seja reformada a decisão agravada e denegada a ordem, permitindo-se o prosseguimento da ação penal, até final decisão, após a instrução processual.
A parte agravada apresentou contrarrazões ao agravo regimental (fls. 339/344).
É o relatório.
Após atenta análise dos documentos constantes dos autos, da jurisprudência citada e muito refletir sobre o caso, tenho que necessária a reconsideração da decisão hostilizada.
