Processo judicial
Superior Tribunal de Justiça
2025
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RE no AgInt no CC 192450/MG (2022/0331653-7)RELATOR:MINISTRO VICE-PRESIDENTE DO STJRECORRENTE:ESTADO DE MINAS GERAISADVOGADO:MANUELA TEIXEIRA DE ASSIS COELHO - MG078386RECORRIDO:UNIÃOINTERESSADO:ARIEVANE DONATO RODRIGUESADVOGADO:EDUARDO PEREIRA ARAÚJO - MG076802INTERESSADO:MUNICIPIO DE JEQUITINHONHAADVOGADO:MOISES SENA MARTIN - MG152192SUSCITANTE:JUÍZO DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL DE JEQUITINHONHA - MGSUSCITADO:JUÍZO FEDERAL DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL E CRIMINAL ADJUNTO À VARA FEDERAL DE TEÓFILO OTONI - SJ/MG
DECISÃO
1. Trata-se de recurso extraordinário, fundado no art. 102, III, a, da Constituição Federal, interposto contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça por meio do qual discutiu-se a competência para processar e julgar a demanda originária, em que se pleiteia o fornecimento de medicamento registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa, padronizado ou não pelo Sistema Único de Saúde - SUS.
A parte recorrente alega ter havido violação de dispositivos constitucionais, dos quais se depreenderia a responsabilidade da entidade federal pela prestação vindicada. Além disso, aduz ser a questão dotada de repercussão geral.
Requer, ao final, a admissão do recurso extraordinário, com a respectiva remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal.
Sobreveio decisão da Vice-Presidência desta Corte sobrestando o recurso extraordinário por força do Tema de Repercussão Geral n. 1.234 do STF, em tramitação.
Transitado em julgado o Tema no STF, em 7/3/2025, procedeu-se ao dessobrestamento do recurso, vindo os autos conclusos.
É o relatório.
2. A controvérsia cinge-se à questão de qual justiça é competente para a apreciação de ação que busca o fornecimento de medicamento.
A Suprema Corte, ao apreciar o RE n. 1.366.243/SC, julgado sob a sistemática da repercussão geral, enfrentou questões complexas e sistêmicas, e estabeleceu diretrizes fundamentais acerca da competência judicial e da responsabilidade pelo custeio nas demandas que envolvem o fornecimento de medicamentos - Tema n. 1.234 do STF.
Após longas discussões, em sede de embargos declaratórios, o Supremo Tribunal Federal conferiu ajustes modulatórios ao referido tema, estabelecendo no acórdão que:
[...] os efeitos do tema 1234, quanto à competência, somente se aplicam às ações que forem ajuizadas após a publicação do resultado do julgamento de mérito no Diário de Justiça Eletrônico, afastando sua incidência sobre os processos em tramitação até o referido marco, sem possibilidade de suscitação de conflito negativo de competência a respeito dos processos anteriores ao referido marco jurídico.
Desta forma, quanto à competência, o Tema 1.234/STF abrange apenas processos ajuizados após a publicação do resultado do julgamento de mérito no Diário de Justiça Eletrônico (19/9/2024), afastando sua incidência sobre os processos em tramitação até a referida data, sem possibilidade de suscitação de conflito negativo de competência a respeito dos processos anteriores ao fixado marco jurídico.
Com a restrição temporal estabelecida no Tema 1.234/STF, os processos em tramitação até o referido marco mantem-se na competência já estabelecida, evitando, com isso, conflitos jurisdicionais.
Ressalte-se, por oportuno, que o STF ainda estabeleceu critérios de competência ao deferir a tutela provisória do RE 1.366.243/SC (Tema 1.234), expressamente definindo que os processos com sentença prolatada até 17/4/2023 deveriam permanecer no ramo da Justiça do magistrado sentenciante até o trânsito em julgado e respectiva execução.
Na espécie, a ação originária foi ajuizada em data anterior ao marco temporal.
Assim, incide no caso a modulação de efeitos determinada no acórdão paradigma do Tema n. 1.234 do STF, razão pela qual a solução adotada por este Tribunal Superior não está divergente do entendimento firmado pela Corte Suprema.
3. Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário.
Vale registrar não ser cabível agravo em recurso extraordinário (previsto no art. 1.042 do CPC) contra decisões que negam seguimento a recurso extraordinário, conforme disposto no § 2º do art. 1.030 do CPC.
Publique-se. Intimem-se.
Vice-Presidente
LUIS FELIPE SALOMÃO