Processo judicial
Superior Tribunal de Justiça
2025
© 2026 JusConsulta. Todos os direitos reservados.
Atendimento: seg a sex, 8h às 18h
RE no MS 30568/DF (2024/0332784-4)RELATOR:MINISTRO VICE-PRESIDENTE DO STJRECORRENTE:ANTONIO CARLOS RAMOSADVOGADO:RARISIO RODRIGUES PEREIRA - DF007885RECORRIDO:UNIÃOIMPETRADO:MINISTRO DE ESTADO DOS DIREITOS HUMANOS E DA CIDADANIA
DECISÃO
1. Trata-se de recurso extraordinário interposto, com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, contra decisão monocrática denegatória de mandado de segurança, proferida por membro do Superior Tribunal de Justiça, com requerimento de admissão e remessa ao Supremo Tribunal Federal.
Após a interposição do recurso extraordinário, o recorrente juntou petição em que informa a superveniência de fatos novos (fls. 253-286).
É o relatório.
2. Nos termos do art. 102, II, a, da Constituição da República, é cabível recurso ordinário contra acórdão denegatório proferido em única instância pelos Tribunais Superiores em julgamento de habeas corpus, mandado de segurança, habeas data ou mandado de injunção.
No caso em análise, além de não ter sido exaurida a instância com a interposição do respectivo agravo regimental, observa-se que o recurso extraordinário foi interposto contra decisão monocrática que denegou o mandado de segurança, o que, por se tratar de erro grosseiro, impede a aplicação do princípio da fungibilidade recursal.
Nesse sentido:
Agravo regimental no recurso extraordinário com agravo. 2. Constitucional e Processual Penal. 3. Consoante iterativa jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a via adequada para o combate de decisão denegatória proferida em única instância pelos Tribunais Superiores, em julgamento de habeas corpus, mandado de segurança, habeas data ou mandado de injunção é o recurso ordinário, nos termos do art. 102, inciso II, alínea ‘a’, da Constituição da República. Precedentes. 4. Agravo regimental improvido.
(ARE n. 1.140.795-AgR, relator Ministro Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 31/5/2019, DJe de 10/6/2019.)
AGRAVO INTERNO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL. WRIT DENEGADO. SÚMULA 22/TSE. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO AO INVÉS DE RECURSO ORDINÁRIO. INADMISSIBILIDADE. ERRO GROSSEIRO. ART. 102, II, “A” DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO CONHECIDO. RECURSO INTERNO DESPROVIDO.
1. As decisões denegatórias de mandado de segurança, quando proferidas em instância originária pelos Tribunais Superiores, admitem, exclusivamente, impugnação por intermédio de recurso ordinário (art. 102, II, “a”, da CRFB/88), que ativará a inafastável competência recursal ordinária desta Corte Constitucional.
2. A interposição de recurso extraordinário em face de decisão denegatória de mandado de segurança originário configura flagrante erro grosseiro na escolha do instrumento (Súmula STF 272), tornando incabível aplicar o princípio da fungibilidade para recebê-lo como recurso ordinário em mandado de segurança. Precedentes desta Corte: ARE 1.047.026 AgR, Relator Min. Celso de Mello, Segunda Turma, DJe 22.09.2017; RMS 21.336 AgR, Relator Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, DJ 30.06.1995, e RMS 21.498, Relator Min. Moreira Alves, Primeira Turma, DJ 02.10.1992.
3. In casu, tratando-se de recurso extraordinário interposto em face de acórdão do Tribunal Superior Eleitoral que denegou a segurança pleiteada, o não conhecimento do recurso é medida que se impõe, mercê de seu flagrante descabimento.
4. Agravo interno DESPROVIDO por manifesta improcedência, com aplicação de multa de 2 (dois) salários mínimos, ficando a interposição de qualquer recurso condicionada ao prévio depósito do referido valor, em caso de decisão unânime (CPC/2015, art. 1.021, §§ 4º e 5º, c/c art. 81, § 2º).
(RMS n. 35.628-AgR, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12/11/2018, DJe de 29/11/2018.)
A propósito, a Suprema Corte pacificou o entendimento de que o art. 102, II, a, da CF deve ser interpretado amplamente, de modo a abranger, também, as hipóteses em que não conhecidas as referidas ações constitucionais.
Ilustrativamente:
Agravo regimental em recurso ordinário em mandado de segurança. Pressuposto de interposição de recurso ordinário preenchido. Existência de decisão denegatória. Precedentes. [...] Agravo regimental não provido.
1. Pressuposto de interposição de recurso ordinário em mandado de segurança devidamente preenchido. Artigo 102, inciso II, alínea a, da Constituição Federal. Constitui decisão denegatória, para efeito de interposição de recurso ordinário, tanto a decisão em que se conhece do mandamus e se denega a segurança no mérito, quanto a decisão em que não se conhece dele, sem adentrar no mérito da controvérsia. Precedentes da Corte.
[...]
3. Agravo regimental não provido.
(RMS n. 34.075-AgR, relator Ministro Dias Toffoli, Segunda Turma, julgado em 18/11/2016, DJe de 2/12/2016.)
"HABEAS-CORPUS": CASO EXCEPCIONAL DE CABIMENTO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONTRA DECISÃO QUE NÃO CONHECEU DE "HABEAS CORPUS".
1. PARA O CABIMENTO DO RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL (CF, ART. 102, II, "A"), DE REGRA, A DECISÃO QUE NÃO CONHECEU DE "HABEAS-CORPUS" EQUIPARA-SE A QUE O DENEGA. [...]
(RE n. 168.224, relator Ministro Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, julgado em 16/11/1993, DJ de 6/5/1994.)
3. Por fim, o pleito apresentado na petição de fls. 253-286 não pode ser processado pela Vice-Presidência, pois a matéria objeto da petição não se enquadra nas atribuições definidas pelo Regimento Interno do STJ e delegadas à Vice-Presidência, atribuições que se limitam à apreciação das petições de recursos dirigidos ao Supremo Tribunal Federal (art. 22, § 2º, I, a, do RISTJ).
4. Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, V, do Código de Processo Civil, não admito o recurso extraordinário.
Publique-se. Intimem-se.
Vice-Presidente
LUIS FELIPE SALOMÃO
MS 30568/DF (2024/0332784-4)RELATOR:MINISTRO VICE-PRESIDENTE DO STJIMPETRANTE:ANTONIO CARLOS RAMOSADVOGADO:RARISIO RODRIGUES PEREIRA - DF007885IMPETRADO:MINISTRO DE ESTADO DOS DIREITOS HUMANOS E DA CIDADANIAINTERESSADO:UNIÃOProcesso distribuído pelo sistema automático em 09/04/2025.
MS 30568/DF (2024/0332784-4)RELATOR:MINISTRO PRESIDENTE DO STJIMPETRANTE:ANTONIO CARLOS RAMOSADVOGADO:RARISIO RODRIGUES PEREIRA - DF007885IMPETRADO:MINISTRO DE ESTADO DOS DIREITOS HUMANOS E DA CIDADANIAINTERESSADO:UNIÃO
DECISÃO
Cuida-se de petição nominada como "Recurso Especial", às fls. 99-136, apresentada por ANTONIO CARLOS RAMOS, por meio de seu procurador, Dr. RARISIO RODRIGUES PEREIRA - DF007885, com fundamento no art. 1.029 do CPC e art. 105, III, a, da CF, contra a decisão de fls. 90-93, proferida pelo Exmo Ministro Francisco Falcão, que denegou a segurança. Às fls. 179 os autos foram enviados à esta Presidência para análise de admissibilidade do referido recurso.
É o relatório.
Decido.
O presente recurso não merece conhecimento.
O art. 105, III, da Constituição Federal, diz que cabe ao STJ julgar o recurso especial se as causas foram decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, ou seja, não cabe recurso especial quando o próprio STJ proferiu a decisão.
Por outro lado, conforme estabelece o art. 1.021 do mesmo diploma, “Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo órgão colegiado”.
Ainda no RISTJ, o Agravo Interno está previsto nos termos do art. 258, "Contra decisão proferida por Ministro caberá agravo interno para que o respectivo órgão colegiado sobre ela se pronuncie, confirmando-a ou reformando-a".
Assim, equivocou-se a parte. Cabe então ressaltar que a interposição equivocada de recurso quando há expressa disposição legal e inexiste dúvida objetiva constitui manifesto erro grosseiro.
Portanto, é inaplicável ao caso o princípio da fungibilidade, que pressupõe dúvida objetiva a respeito do recurso a ser interposto, inexistência de erro grosseiro e observância do prazo do recurso correto, o que não ocorre na espécie. Nesse sentido: AgInt nos EDcl no REsp 1857915/PR, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 4.5.2020.
2024
MS 30568/DF (2024/0332784-4)RELATOR:MINISTRO VICE-PRESIDENTE DO STJIMPETRANTE:ANTONIO CARLOS RAMOSADVOGADO:RARISIO RODRIGUES PEREIRA - DF007885IMPETRADO:MINISTRO DE ESTADO DOS DIREITOS HUMANOS E DA CIDADANIAINTERESSADO:UNIÃOProcesso distribuído pelo sistema automático em 13/12/2024.
Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do STJ, não conheço do "Recurso Especial".
Registre-se e encaminhe-se à Vice-Presidência para análise da petição de fls. 99-175.
Publique-se.
Intimem-se.
Presidente
HERMAN BENJAMIN
MS 30568/DF (2024/0332784-4)RELATOR:MINISTRO PRESIDENTE DO STJIMPETRANTE:ANTONIO CARLOS RAMOSADVOGADO:RARISIO RODRIGUES PEREIRA - DF007885IMPETRADO:MINISTRO DE ESTADO DOS DIREITOS HUMANOS E DA CIDADANIAINTERESSADO:UNIÃOProcesso distribuído pelo sistema automático em 06/03/2025.
RE no MS 30568/DF (2024/0332784-4)RELATOR:MINISTRO VICE-PRESIDENTE DO STJRECORRENTE:ANTONIO CARLOS RAMOSADVOGADO:RARISIO RODRIGUES PEREIRA - DF007885RECORRIDO:UNIÃOIMPETRADO:MINISTRO DE ESTADO DOS DIREITOS HUMANOS E DA CIDADANIAVista à(s) parte(s) recorrida(s) para contrarrazões de Recurso Extraordinário (RE).
MS 30568/DF (2024/0332784-4)RELATOR:MINISTRO FRANCISCO FALCÃOIMPETRANTE:ANTONIO CARLOS RAMOSADVOGADO:RARISIO RODRIGUES PEREIRA - DF007885IMPETRADO:MINISTRO DE ESTADO DOS DIREITOS HUMANOS E DA CIDADANIAINTERESSADO:UNIÃO
DESPACHO
Considerando a interposição de recurso especial (fls.99-136) e extraordinário (fls. 137-174) contra a decisão de fls. 90-93, remetam-se os autos à Presidência deste Superior Tribunal, para as providências de estilo.