COORDENADORIA DE CLASSIFICAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE PROCESSOS
Classe
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS
Destinatários
2. MINISTERIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO (RECORRIDO), 1. WIDSON DIAS PINTO (RECORRENTE)
Advogado
EDUARDO FELIPE DE JESUS BRITO (OAB 35562/PA)
RHC 244788/MT (2026/0333532-4)RELATOR:MINISTRO JOEL ILAN PACIORNIKRECORRENTE:WIDSON DIAS PINTOADVOGADO:EDUARDO FELIPE DE JESUS BRITO - PA035562RECORRIDO:MINISTERIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSOCORRÉU:DANIELA SILVA PAES SEREJOCORRÉU:GILDETE BANDEIRA FARIASCORRÉU:KAUAN VITOR ROCHA DA COSTACORRÉU:GUSTAVO HENRIQUE JOAQUINA FONTELACORRÉU:HAMILTON SILVA REBOUCASCORRÉU:JOAO VITOR DA SILVA SOUSACORRÉU:KAUANY PEREIRA DE SOUZACORRÉU:MAURO SANTOS OLIVEIRACORRÉU:LAINE RODRIGUES TAVARESCORRÉU:GILDONEY COELHO BANDEIRACORRÉU:SARA SOUZA MENDESCORRÉU:JULIO FRANCISCO FERREIRACORRÉU:VALDIVINO FILHO BATISTA RODRIGUESCORRÉU:JACIRA MACHADO CHAVESCORRÉU:ELIZEU MARINHO LOPESProcesso distribuído pelo sistema automático em 07/08/2026.
Intimação
D
Órgão
SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
Classe
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS
Destinatários
2. MINISTERIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO (RECORRIDO), 1. WIDSON DIAS PINTO (RECORRENTE)
Advogado
EDUARDO FELIPE DE JESUS BRITO (OAB 35562/PA)
RHC 244788/MT (2026/0333532-4)RELATOR:MINISTRO JOEL ILAN PACIORNIKRECORRENTE:WIDSON DIAS PINTOADVOGADO:EDUARDO FELIPE DE JESUS BRITO - PA035562RECORRIDO:MINISTERIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSOCORRÉU:DANIELA SILVA PAES SEREJOCORRÉU:GILDETE BANDEIRA FARIASCORRÉU:KAUAN VITOR ROCHA DA COSTACORRÉU:GUSTAVO HENRIQUE JOAQUINA FONTELACORRÉU:HAMILTON SILVA REBOUCASCORRÉU:JOAO VITOR DA SILVA SOUSACORRÉU:KAUANY PEREIRA DE SOUZACORRÉU:MAURO SANTOS OLIVEIRACORRÉU:LAINE RODRIGUES TAVARESCORRÉU:GILDONEY COELHO BANDEIRACORRÉU:SARA SOUZA MENDESCORRÉU:JULIO FRANCISCO FERREIRACORRÉU:VALDIVINO FILHO BATISTA RODRIGUESCORRÉU:JACIRA MACHADO CHAVESCORRÉU:ELIZEU MARINHO LOPES
DECISÃO
Trata-se de recurso em habeas corpus, com pedido liminar, interposto por WIDSON DIAS PINTO, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO no julgamento do Habeas Corpus Criminal n. 1026648-12.2026.8.11.0000.
Extrai-se dos autos que o recorrente foi preso preventivamente em 24/2/2026, e restou denunciado, pela suposta prática dos crimes tipificados no art. 2º da Lei n. 12.850/2013, art. 35 da Lei n. 11.343/2006 e art. 1º da Lei n. 9.613/1998 (organização criminosa, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro).
Irresignada, a defesa impetrou habeas corpus perante o Tribunal de origem, que denegou a ordem nos termos do acórdão que foi parcialmente juntado às fls. 13/22
Nas razões do presente recurso, a defesa sustenta a fundamentação genérica e não individualizada do decreto preventivo, em ofensa aos arts. 312, § 2º, e 282, § 6º, do Código de Processo Penal - CPP, pois a manutenção da custódia baseou-se em premissas abstratas sobre suposta posição na organização criminosa e na gravidade em tese dos delitos.
Assevera a inexistência de elementos concretos de ocultação dolosa para caracterizar condição de foragido, destacando que o lapso entre a expedição e o cumprimento do mandado não se confunde com evasão imputável ao recorrente.
Argui erro de direito na análise da prisão domiciliar, porque o pedido foi formulado com base no , do CPP (pessoa com deficiência), hipótese autônoma e sem limite etário não enfrentada pelo acórdão, sendo indevida a exigência, por analogia, de comprovação da inexistência de família extensa prevista no , parágrafo único, do ECA.
Defende a desproporcionalidade da prisão e a suficiência de medidas cautelares diversas, na forma do art. 319 do CPP, como comparecimento periódico, proibição de ausentar-se da comarca, recolhimento noturno e monitoração eletrônica.
Aduz a necessidade de ponderação da prioridade absoluta da criança e do adolescente, nos termos do art. 227 da Constituição Federal e dos arts. 3º e 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente, diante do comprometimento neurológico dos filhos do recorrente.
Requer, em liminar, a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar ou, subsidiariamente, por medidas cautelares diversas da prisão; no mérito, pugna pelo provimento do recurso para que seja revogada a prisão preventiva e, subsidiariamente, pretende a conversão da preventiva em domiciliar com fundamento no art. 318, III, do CPP, ou a substituição por medidas do art. 319 do CPP.
É o relatório.
Decido.
O recurso não pode ser conhecido.
A legislação vigente, bem como a jurisprudência desta Corte, indicam que a interposição do recurso ordinário em habeas corpus deve ser feita perante o Tribunal prolator do acórdão impugnado, que remeterá o feito a esta Corte Superior.
Nesse contexto, não se conhece do recurso ordinário interposto diretamente no Superior Tribunal de Justiça. A corroborar tal entendimento, trago à colação o seguinte julgado:
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. INTERPOSIÇÃO DIRETA PERANTE O STJ. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. DECISÃO MONOCRÁTICA MANTIDA. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE RECURSAL. INAPLICABILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de recurso ordinário em habeas corpus, interposto diretamente perante o Superior Tribunal de Justiça, sem observância das regras de competência, que determinam sua interposição perante o Tribunal de origem para posterior remessa ao STJ.
2. O Tribunal de origem havia denegado a ordem de habeas corpus, considerando a inadequação da via eleita para reavaliação de medidas protetivas de urgência em contexto de violência doméstica, além da ausência de constrangimento ilegal.
3. A parte agravante alegou equívoco formal de protocolo/endereçamento do recurso e pleiteou a aplicação do princípio da fungibilidade recursal, ou, subsidiariamente, o recebimento do recurso como habeas corpus autônomo ou a concessão de ordem de ofício.
II. Questão em discussão
4. A questão em discussão consiste em saber se é possível conhecer de recurso ordinário em habeas corpus interposto diretamente perante o Superior Tribunal de Justiça, sem observância das regras de competência que determinam sua interposição no Tribunal de origem.
5. Saber se é aplicável o princípio da fungibilidade recursal para corrigir o erro de endereçamento do recurso ordinário em habeas corpus.
III. Razões de decidir
6. O recurso ordinário em habeas corpus deve ser interposto perante o Tribunal de origem, conforme entendimento consolidado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.
7. O princípio da fungibilidade recursal não se aplica ao caso, pois não se trata de interposição equivocada de um recurso em lugar de outro, mas de erro no endereçamento do recurso, que foi apresentado diretamente ao STJ, em desacordo com as normas legais.
8. A decisão recorrida está em conformidade com a jurisprudência pacífica do STJ, que não admite o conhecimento de recurso ordinário em habeas corpus interposto diretamente perante esta Corte.
IV. Dispositivo e tese
9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no RHC 85.413/PR, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 27.06.2017, DJe 01.08.2017; STJ, AgRg no RHC 63.626/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 19.05.2016, DJe 07.06.2016; STJ, AgRg no RHC 124.470/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 09.06.2020, DJe 18.06.2020.
(AgRg no RHC n. 231.114/SP, relator Ministro Carlos Pires Brandão, Sexta Turma, julgado em 11/3/2026, DJEN de 17/3/2026.)
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. INTERPOSIÇÃO DIRETAMENTE PERANTE O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. Não há falar em violação ao princípio da colegialidade na decisão proferida nos termos do art. 34, XVIII, a, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça - RISTJ que dispõe que cabe ao relator, em decisão monocrática, "não conhecer do recurso ou pedido inadmissível, prejudicado ou daquele que não tiver impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida", lembrando, ainda, a possibilidade de apreciação pelo órgão colegiado por meio da interposição do agravo regimental.
2. É entendimento predominante de que o recurso ordinário deve ser interposto perante o Tribunal de origem para posterior remessa ao Superior Tribunal de Justiça. Precedentes.
3. Agravo regimental desprovido.
(AgRg no RHC n. 188.149/CE, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 12/12/2023, DJe de 18/12/2023.)
Ademais, conquanto impetrado por profissional legalmente habilitado, o feito está deficientemente instruído, não se verificando cópia do inteiro teor do aresto atacado, documento essencial à exata compreensão da controvérsia. Ressalte-se que, conforme é consabido, compõem o acórdão "a ementa, o relatório, o voto e a certidão de julgamento" (AgRg no Ag n. 782.587/MG, Rel. Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJ de 18/12/2006).
A despeito das razões delineadas na inicial, cabe ressaltar que, em razão da celeridade do rito do habeas corpus, incumbe ao impetrante apresentar prova pré-constituída do direito alegado, sob pena de não conhecimento da ação.
Nesse sentido, confira-se o seguinte precedente:
PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. INTERPOSIÇÃO DIRETAMENTE NO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE INTERPOSIÇÃO PERANTE O TRIBUNAL DE ORIGEM. MITIGAÇÃO DO FORMALISMO. INAPLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ESPECÍFICA EM SENTIDO DIVERSO NÃO DEMONSTRADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182/STJ. INSTRUÇÃO DEFICIENTE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO CONHECIDO.
1. O recurso ordinário em habeas corpus deve ser interposto perante o Tribunal de origem, com posterior remessa ao Superior Tribunal de Justiça, não se admitindo a interposição direta nesta Corte.
Julgados: AgRg no RHC n. 85.413/PR, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 27/6/2017, DJe de 1/8/2017; AgRg no RHC n. 63.626/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 19/5/2016, DJe de 7/6/2016.
2. A alegada instrumentalidade das formas e a primazia do julgamento de mérito não autorizam suprimir o rito próprio do recurso ordinário em habeas corpus, especialmente na ausência de flagrante ilegalidade que justifique atuação imediata desta Corte.
3. A recorrente não demonstrou que a jurisprudência específica desta Corte se firmou em sentido diverso do adotado na decisão agravada, atraindo a incidência da Súmula n. 182/STJ.
4. O recurso está deficientemente instruído, uma vez que foi apresentado apenas com cópia do acórdão recorrido, o que inviabiliza a verificação do apontado constrangimento ilegal.
5. Agravo regimental não conhecido.
(AgRg no RHC n. 230.828/MG, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 10/2/2026, DJEN de 19/2/2026.)
Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XVIII, a, do Regimento Interno do STJ, não conheço do recurso em habeas corpus.