Processo judicial
Superior Tribunal de Justiça
Possivelmente o mesmo caso em outras instâncias, com partes em comum.
2026
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HC 1120239/PE (2026/0334050-9)RELATOR:MINISTRO MESSOD AZULAY NETOIMPETRANTE:SERGIO MURILO PEREIRA GONCALVESADVOGADO:SERGIO MURILO PEREIRA GONÇALVES - PE048963IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCOPACIENTE:ARIELE SANTOS DE ANDRADECORRÉU:JESSICA GLADYS DOS SANTOS DE ANDRADECORRÉU:FERNANDA VANESSA DA SILVAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de ARIELE SANTOS DE ANDRADE, apontando como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO, em decorrência do julgamento do habeas corpus criminal n. 0015885-64.2026.8.17.9000.
Consta dos autos que a paciente está sendo investigada pela suposta prática dos delitos de furto qualificado pelo concurso de pessoas, em continuidade delitiva, e associação criminosa, previstos no art. 155, § 4º, IV, c/c art. 71, e art. 288, caput, todos do Código Penal.
A defesa impetrou habeas corpus ao Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, que denegou a ordem (fls. 13-33).
Na presente impetração, busca-se a concessão da ordem para: (i) declarar extinto o mandado de monitoração eletrônica por decurso de prazo sem renovação, nos termos dos artigos 25 e 36 da Instrução Normativa TJPE n. 15/2016; e (ii) subsidiariamente, revogar a cautelar de monitoramento eletrônico por excesso de prazo e desproporcionalidade, ou fixar prazo máximo e improrrogável para seu encerramento, com autorização de deslocamento da paciente ao Presídio Doutor Ênio Guerra, em Limoeiro/PE, para visita ao esposo custodiado.
É o relatório. DECIDO.
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem admitido, embora não exista previsão legal, a concessão excepcional de medida liminar em habeas corpus para cessar de imediato eventual coação, desde que verificados a verossimilhança da ilegalidade do ato impugnado e o perigo decorrente da demora na prestação jurisdicional:
[...]
Tese de julgamento:
1. A concessão de medida liminar em habeas corpus exige demonstração inequívoca, de plano, de ilegalidade flagrante ou de constrangimento ilegal patente, não sendo cabível quando as alegações demandam exame aprofundado do conjunto documental e processual.
[...]
(AgRg no HC n. 1.035.583/RJ, relatora Ministra Maria Marluce Caldas, Quinta Turma, julgado em 20/5/2026, DJEN de 26/5/2026)
A jurisprudência desta Corte Superior é quanto ao não cabimento de agravo regimental ou pedido de reconsideração contra decisão do relator que, em habeas corpus, defere ou indefere medida liminar, de forma motivada. Tratando-se de medida que não encontra previsão legal, o pleito de liminar em habeas corpus deve ser deferido apenas em hipóteses excepcionalíssimas de flagrante ofensa ou ameaça ao direito de locomoção do indivíduo, mediante demonstração da plausibilidade jurídica do direito tido como violado e do perigo da demora na prestação jurisdicional invocada.
(AgRg no HC n. 893.193/SP, relator Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, julgado em 30/9/2024, DJe de 3/10/2024)
Na espécie, em análise de cognição sumária e sem adiantar juízo de mérito, não é possível identificar, de plano, o constrangimento ilegal nem a presença da plausibilidade jurídica do direito e do perigo da demora, requisitos exigidos para a concessão da tutela de urgência.
Assim, apesar dos motivos que sustentam o pedido, é imprescindível a aferição dos elementos de convicção que envolvem a controvérsia para verificar a existência das ilegalidades sustentadas.
Por tais razões, indefiro o pedido liminar.
Solicitem-se informações ao juízo de primeiro grau bem como à autoridade coatora, a serem prestadas preferencialmente por meio da Central do Processo Eletrônico deste Superior Tribunal de Justiça, bem como o fornecimento da senha de acesso aos autos de origem.
Após, encaminhem-se os autos ao Ministério Público Federal para parecer.
Publique-se. Intimem-se.
Relator
MESSOD AZULAY NETO
HC 1120239/PE (2026/0334050-9)RELATOR:MINISTRO MESSOD AZULAY NETOIMPETRANTE:SERGIO MURILO PEREIRA GONCALVESADVOGADO:SERGIO MURILO PEREIRA GONÇALVES - PE048963IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCOPACIENTE:ARIELE SANTOS DE ANDRADECORRÉU:JESSICA GLADYS DOS SANTOS DE ANDRADECORRÉU:FERNANDA VANESSA DA SILVAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCOProcesso distribuído pelo sistema automático em 13/08/2026.