Processo judicial
Superior Tribunal de Justiça
Possivelmente o mesmo caso em outras instâncias, com partes em comum.
2026
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AgRg no HC 1033212/DF (2025/0339979-3)RELATORA:MINISTRA MARIA MARLUCE CALDASAGRAVANTE:BRYAN DE ANDRADE RODRIGUESADVOGADO:MARCO AURÉLIO DE SOUZA - PR120842AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOSIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITORIOSProcesso incluído na Pauta de Julgamentos da QUINTA TURMA, Sessão Virtual do dia 15/10/2026 11:30:00, com encerramento no dia 22/10/2026 11:29:59 (RISTJ, Art. 184-E).
AgRg no HC 1033212/DF (2025/0339979-3)RELATORA:MINISTRA MARIA MARLUCE CALDASAGRAVANTE:BRYAN DE ANDRADE RODRIGUESADVOGADO:ANTONIO DE PÁDUA PARENTE FILHO - PR120842AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOSIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITORIOSVista à(s) parte(s) agravada(s) para impugnação do Agravo Regimental (AgRg).
EDcl nos HC 1033212/DF (2025/0339979-3)RELATORA:MINISTRA MARIA MARLUCE CALDASEMBARGANTE:BRYAN DE ANDRADE RODRIGUESADVOGADO:ANTONIO DE PÁDUA PARENTE FILHO - PR120842EMBARGADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALEMBARGADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOSIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITORIOS
DECISÃO
Trata-se de embargos de declaração opostos por BRYAN DE ANDRADE RODRIGUES contra decisão de minha lavra, que indeferiu liminarmente o habeas corpus.
O embargante sustenta, em suma, a existência de omissão no julgado quanto à análise das teses da impetração, consistentes em: nulidade da citação/intimação eletrônica, inobservância do contraditório ante a produção antecipada a prova, resultado negativo do laudo, incompatível com a narrativa acusatória, recebimento da revisão criminal na origem, indicativo de fumus boni iuris e possibilidade de imposição de medidas cautelares alternativas.
Pede o afastamento da Súmula 691/STF, diante da presença de ilegalidades flagrantes.
Requer sejam acolhidos os embargos, suprindo-se as omissões suscitadas, com efeitos infringentes.
Subsidiariamente, pede a apreciação das questões para fins de prequestionamento.
É o relatório.
DECIDO.
Atendido o requisito da tempestividade, passa-se ao exame do mérito recursal.
Nos termos do art. 619 do Código de Processo Penal, é cabível a oposição de embargos de declaração quando houver no julgado ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão, hipóteses inexistentes.
Cumpre esclarecer que a obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais não impõe ao magistrado a obrigação de responder a todos os questionamentos das partes, tampouco de utilizar-se dos fundamentos que elas entendem serem os mais adequados para solucionar a causa posta em apreciação, bastando a fundamentação suficiente ao deslinde da questão. Nesse sentido: EDcl no CC 109723 / PB, relatora Ministra Assusete Magalhães, Terceira Seção, julgado em 10/10/2012, DJe 31/10/2012.
2025
HC 1033212/DF (2025/0339979-3)RELATORA:MINISTRA MARLUCE CALDASIMPETRANTE:MARCO AURELIO DE SOUZAADVOGADO:ANTONIO DE PÁDUA PARENTE FILHO - PR120842IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITORIOSPACIENTE:BRYAN DE ANDRADE RODRIGUESINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de B. D. A. R., contra decisão do TJDFT que indeferiu a liminar em revisão criminal.
O paciente cumpre pena de 15 anos, 4 meses e 24 dias de reclusão, por estupro de vulnerável.
A defesa alega constrangimento ilegal ao argumento de se tratar de “condenação lastreada em provas frágeis (contraditadas por laudo pericial) e em nulidades insanáveis (intimação inválida, ausência de contraditório na prova principal” (fl. 5)., em ofensa aos princípios da presunção de inocência, devido processo legal, contraditório e ampla defesa.
Requer a imediata expedição de alvará de soltura, para que o paciente aguarde em liberdade o julgamento da revisão criminal. No mérito, pugna pela declaração de nulidade da condenação, ou a absolvição por insuficiência probatória, ou ainda a substituição da prisão por medidas cautelares (art. 319 do Código de Processo Penal).
É o relatório.
DECIDO.
Inexistindo divergência da matéria na colenda Turma, justifica-se o imediato exame pelo relator, nos termos do art. 34, XX, do RISTJ.
A teor do disposto na Súmula 691/STF, não se admite a utilização de habeas corpus contra decisão que indeferiu a liminar em writ impetrado no Tribunal de origem, sob pena de indevida supressão de instância. Contudo, entende-se possível a mitigação do enunciado em casos excepcionais, quando a decisão combatida é teratológica ou desprovida de fundamentação.
A decisão antecedente que não concedeu a liminar assim dispôs (fls. 12-13):
No caso, a despeito dos argumentos apresentados pela defesa, não se verifica, neste juízo inicial próprio das decisões liminares, qualquer mácula evidente no pronunciamento judicial que culminou com a condenação do requerente.
EDcl nos HC 1033212/DF (2025/0339979-3)RELATORA:MINISTRA MARIA MARLUCE CALDASEMBARGANTE:BRYAN DE ANDRADE RODRIGUESADVOGADO:ANTONIO DE PÁDUA PARENTE FILHO - PR120842EMBARGADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALEMBARGADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOSIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITORIOSVista à(s) parte(s) embargada(s) para impugnação dos Embargos de Declaração (EDcl).
Como relatado, o embargante alega omissão quanto ao exame das questões de fundo.
Todavia, como se verifica da decisão embargada, as teses defensivas não foram conhecidas tendo em vista a incidência da Súmula 691/STF, o que impede o exame diretamente por esta Corte Superior, sob pena de indevida supressão de instância.
Constata-se, pois, tratar-se de mero inconformismo com o resultado do julgado, que lhe foi desfavorável, o que não se admite.
Por fim, quanto ao pedido de prequestionamento, cabe ressaltar que é inviável a apreciação de matéria constitucional por esta Corte Superior, ainda que para fins de prequestionamento, por se tratar de competência reservada ao Supremo Tribunal Federal. A propósito:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 619 DO CPP. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
1. Não está caracterizado nenhum vício previsto no art. 619 do CPP se o órgão julgador dirimiu, de modo fundamentado, as questões que lhe foram submetidas.
2. Na espécie, o acórdão embargado consignou expressamente que a jurisprudência desta Corte Superior é pacífica no sentido de que não se aplica o princípio da insignificância ao delito de descaminho quando cometido com habitualidade, pois isso acabaria por servir como verdadeiro incentivo à prática delituosa.
3. Assentou que, no caso dos autos, embora o valor do tributo elidido seja inferior a R$ 20.000,00, consta nos autos o registro de 4 processos penais com sentenças condenatórias transitadas em julgado e de 14 processos administrativos-fiscais, por condutas semelhantes ao fato que lhe é imputado, circunstância hábil a afastar a incidência do princípio da insignificância.
4. A irresignação do embargante se resume ao seu mero inconformismo com o resultado do julgado, que lhe foi desfavorável. Não há nenhum fundamento que justifique a oposição dos embargos de declaração, os quais se prestam apenas a sanar eventual omissão, contradição ou obscuridade do julgado, e não a reapreciar a causa.
5. Além disso, a jurisprudência desta Corte Superior é firme ao asseverar que "o julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses expostas no recurso, ainda que para fins de prequestionamento, desde que demonstre os fundamentos e os motivos totalmente suficientes que justificaram suas razões de decidir" (EDcl no AgRg no HC n. 758.051/PR, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, 5ª T., DJe 14/2/2023), o que foi observado na hipótese.
6. Embargos de declaração rejeitados.
(EDcl no AgRg no AREsp n. 2.265.545/PR, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 6/6/2023, DJe de 15/6/2023, grifou-se.)
PROCESSO PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRESCRIÇÃO. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS REJEITADOS.
1. Nos termos do art. 619, do Código de Processo Penal, os Embargos de Declaração destinam-se a suprir omissão, contradição e ambiguidade ou obscuridade existente no julgado, não se prestando para manifestar mero inconformismo da parte sucumbente com a decisão embargada.
2. Tendo o acórdão apreciado, de maneira aprofundada, todas as teses defensivas, não há que se falar em vício interno, não sendo possível apreciar inovações argumentativas realizadas pela parte embargante.
3. A decisão que inadmite o recurso especial no órgão de 2º grau, confirmada neste Tribunal, possui natureza meramente declaratória, fazendo retroagir o trânsito em julgado à data de escoamento do prazo para a interposição de recurso admissível, situação que afasta a ocorrência de prescrição superveniente quando o seu prazo, baseado na pena concreta, não foi superado entre a publicação do acórdão condenatório e esse mencionado termo final.
4. Embargos de declaração rejeitados.
(EDcl no AgRg no AREsp n. 1.561.073/ES, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 20/6/2023, DJe de 23/6/2023, grifou-se.)
Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração.
Publique-se.
Intimem-se.
Relator
MARIA MARLUCE CALDAS
Da análise da sentença e do acórdão impugnado, observa-se que houve exame detalhado das provas e das teses defensivas. Ademais, a pena aplicada está fundamentada nas circunstâncias do caso concreto, conforme os elementos constantes dos autos.
Não há, portanto, comprovação inequívoca das alegações que justifique a suspensão da execução da pena neste momento. Somente após o exame aprofundado do processo e das provas, em sede de revisão criminal, será possível verificar eventual injustiça apontada pelo requerente.
Ressalte-se, ainda, que a revisão criminal não possui efeito suspensivo.
Diante do exposto, indefiro o pedido de liminar.
No caso, a pretensão defensiva é questão passível de indeferimento da medida urgente, sobretudo no caso em tela, em que não há “comprovação inequívoca das alegações que justifique a suspensão da execução da pena neste momento”.
Com efeito, o Tribunal de origem não verificou de imediato, diante do exame sumário dos elementos que instruem o pedido, os requisitos necessários à concessão da medida, reputando necessária a análise da questão pelo colegiado.
Estando a decisão suficientemente motivada, não há falar em teratologia ou em manifesta ilegalidade apta a autorizar a mitigação da Súmula 691/STF, cabendo ao Tribunal de origem a análise da matéria meritória.
Outrossim, o processamento do feito implicaria inevitavelmente supressão de instância.
Ante o exposto, indefiro liminarmente o habeas corpus.
Publique-se.
Intimem-se.
Relator
MARLUCE CALDAS
HC 1033212/DF (2025/0339979-3)RELATORA:MINISTRA MARLUCE CALDASIMPETRANTE:MARCO AURELIO DE SOUZAADVOGADO:ANTONIO DE PÁDUA PARENTE FILHO - PR120842IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITORIOSPACIENTE:BRYAN DE ANDRADE RODRIGUESINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOSProcesso distribuído pelo sistema automático em 08/09/2025.