Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PÚBLICO
- Classe
- CONFLITO DE COMPETÊNCIA
- Destinatários
- 1. JUÍZO DE DIREITO DA VARA ESTADUAL DE ACIDENTE DO TRABALHO DE PORTO ALEGRE - RS (SUSCITANTE), 2. TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (SUSCITADO)
- Advogado
- MICHAEL SURTICA DE FREITAS (OAB 88351/RS)
CC 223596/RS (2026/0349835-4)RELATOR:MINISTRO AFRÂNIO VILELASUSCITANTE:JUÍZO DE DIREITO DA VARA ESTADUAL DE ACIDENTE DO TRABALHO DE PORTO ALEGRE - RSSUSCITADO:TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SULINTERESSADO:HERMINIO FREITAS VARGAS NETOADVOGADO:MICHAEL SURTICA DE FREITAS - RS088351INTERESSADO:INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
DECISÃO
Em análise, Conflito de Competência suscitado pelo MM. JUIZ DE DIREITO DA VARA ESTADUAL DE ACIDENTE DO TRABALHO DE PORTO ALEGRE - RS, nos autos da Ação ajuizada em face do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS.
O MM. JUIZ FEDERAL DA TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, ora suscitado, declinou da competência para julgamento do feito pois "eventual pretensão de indenização por danos morais em razão do indeferimento ou cessação do benefício não altera a competência jurisdicional, por se tratar de pretensão fundada em fatos correlatos a benefício previdenciário relacionado a acidente de trabalho", e remeteu o feito à Justiça Estadual.
O suscitante, por sua vez, defendeu, em síntese, que "a pretensão deduzida não se enquadra na exceção prevista no art. 109, I, in fine, da Constituição Federal, incidindo a regra geral de competência da Justiça Federal, por figurar autarquia federal no polo passivo" (fl. 22).
É, em síntese, o relatório.
Passo a decidir.
Inicialmente, cumpre salientar que a jurisprudência desta Corte está assentada no sentido de que competência ratione materiae, em regra, é determinada em função da natureza jurídica da pretensão deduzida, sendo está caracterizada pelo pedido e pela causa de pedir.
Assim, "a definição da competência para a causa se estabelece levando em consideração os termos da demanda (e não a sua procedência ou improcedência, ou a legitimidade ou não das partes, ou qualquer outro juízo a respeito da própria demanda). O juízo sobre competência é, portanto, lógica e necessariamente, anterior a qualquer outro juízo sobre a causa. Sobre ela quem vai decidir é o juiz considerado competente (e não o Tribunal que aprecia o conflito). Não fosse assim, haveria uma indevida inversão na ordem natural das coisas: primeiro se julgaria (ou pré-julgaria) a causa e depois, dependendo desse julgamento, definir-se-ia o juiz competente (que, portanto, receberia uma causa já julgada, ou, pelo menos, pré-julgada)" (STJ, CC 121.013/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 03/04/2012).
