Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (IMPETRADO), 1. THEODORO BALDUCCI DE OLIVEIRA (IMPETRANTE)
- Advogados
- THEODORO BALDUCCI DE OLIVEIRA (OAB 300013/SP), FABIO ROBERTO D'AVILA (OAB 419816/SP), RODRIGO MORAES DE OLIVEIRA (OAB 418442/SP), DIETER AXT (OAB 503461/SP)
HC 1124115/SP (2026/0358215-2)RELATOR:MINISTRO REYNALDO SOARES DA FONSECAIMPETRANTE:THEODORO BALDUCCI DE OLIVEIRAADVOGADOS:THEODORO BALDUCCI DE OLIVEIRA - SP300013FABIO ROBERTO D'AVILA - SP419816RODRIGO MORAES DE OLIVEIRA - SP418442DIETER AXT - SP503461IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:MARIA VICTORIA NAIME THOME DE VASCONCELOSINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de MARIA VICTORIA NAIME THOMÉ DE VASCONCELOS contra decisão proferida no Agravo em Execução Penal n. 0001969-68.2026.8.26.0154, em trâmite no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
Extrai-se dos autos que a paciente foi condenada, por duas vezes, pela prática do crime previsto no art. 302, § 3º, c/c art. 302, § 1º, I, do Código de Trânsito Brasileiro, à pena de 7 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto, com trânsito em julgado em 24/02/2026. Consta que a paciente deu à luz em 26/02/2026 e, na execução, foi indeferida a prisão domiciliar, tendo sido apenas suspenso o início do cumprimento da pena até 26/08/2026, quando o infante completaria seis meses de vida (e-STJ fls. 6/7).
A defesa interpôs Agravo em Execução Penal e, ante a proximidade do termo final da suspensão, requereu efeito suspensivo, instruindo o pedido com relatórios médicos e pediátricos que atestam a amamentação exclusiva e a recomendação de manutenção do aleitamento materno, com indicação de benefícios nutricionais e imunológicos (e-STJ fls. 7/8 e 13/15).
O Desembargador Relator indeferiu o efeito suspensivo, sob o fundamento de inexistir enfermidade do recém-nascido que justificasse a imprescindibilidade dos cuidados maternos, determinando a remessa dos autos à mesa, sem indicação de urgência (e-STJ fls. 7/8).
No presente writ, a defesa alega que a paciente, mãe lactante de recém-nascido, condenada por crime culposo sem violência ou grave ameaça, faz jus à prisão domiciliar, à luz da interpretação extensiva do -A do CPP reconhecida em julgados desta Corte, com presunção da imprescindibilidade dos cuidados maternos até 12 anos. Aduz que o indeferimento, lastreado na ausência de enfermidade do infante, constitui restrição indevida e contrária à orientação consolidada. Sustenta o fumus boni iuris pelos julgados da Terceira Seção e o periculum in mora em razão da iminente retomada da execução em 26/08/2026, com risco direto à continuidade do aleitamento materno e aos cuidados da criança (e-STJ fls. 4/5, 8/12, 13/15 e 17).
