Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PÚBLICO
- Classe
- CONFLITO DE COMPETÊNCIA
- Destinatários
- 1. JUÍZO DE DIREITO DA 1A VARA CÍVEL DE GOVERNADOR VALADARES - MG (SUSCITANTE), 2. JUÍZO FEDERAL DA 2A VARA CÍVEL E JUIZADO ESPECIAL ADJUNTO DE GOVERNADOR VALADARES - SJ/MG (SUSCITADO)
- Advogado
- JOAO FRANCISCO ZANOTELLI (OAB 235466/MG)
CC 223775/MG (2026/0362674-1)RELATOR:MINISTRO AFRÂNIO VILELASUSCITANTE:JUÍZO DE DIREITO DA 1A VARA CÍVEL DE GOVERNADOR VALADARES - MGSUSCITADO:JUÍZO FEDERAL DA 2A VARA CÍVEL E JUIZADO ESPECIAL ADJUNTO DE GOVERNADOR VALADARES - SJ/MGINTERESSADO:MAURO CESAR WANZELER DE OLIVEIRAADVOGADO:JOAO FRANCISCO ZANOTELLI - MG235466INTERESSADO:INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
DECISÃO
Em análise, conflito de competência suscitado pelo MM. JUIZ DE DIREITO DA 1A VARA CÍVEL DE GOVERNADOR VALADARES - MG, nos autos da ação ajuizada pela parte interessada contra o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS.
O MM. JUIZ FEDERAL DA 2A VARA CÍVEL E JUIZADO ESPECIAL ADJUNTO DE GOVERNADOR VALADARES - SJ/MG, ora suscitado, declinou da competência para julgamento do feito por entender se tratar de benefício vinculado a acidente de trabalho, e remeteu os autos à justiça estadual.
O Suscitante, por sua vez, defendeu, em síntese, que:
"No caso vertente, a exordial veiculou pedido expresso de concessão de auxílio-acidente fundado em acidente de qualquer natureza. Em nenhum momento a causa de pedir deduzida em juízo invocou a existência de acidente do trabalho típico ou doença ocupacional, inexistindo nos autos qualquer emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) pelo empregador ou pelo próprio segurado, bem como qualquer benefício acidentário pretérito concedido pela autarquia previdenciária sob a espécie 91".
É o relatório.
Passo a decidir.
A jurisprudência desta Corte está assentada no sentido de que competência ratione materiae, em regra, é determinada em função da natureza jurídica da pretensão deduzida, sendo esta caracterizada pelo pedido e pela causa de pedir.
Assim, "a definição da competência para a causa se estabelece levando em consideração os termos da demanda (e não a sua procedência ou improcedência, ou a legitimidade ou não das partes, ou qualquer outro juízo a respeito da própria demanda). O juízo sobre competência é, portanto, lógica e necessariamente, anterior a qualquer outro juízo sobre a causa. Sobre ela quem vai decidir é o juiz considerado competente (e não o Tribunal que aprecia o conflito). Não fosse assim, haveria uma indevida inversão na ordem natural das coisas: primeiro se julgaria (ou pré-julgaria) a causa e depois, dependendo desse julgamento, definir-se-ia o juiz competente (que, portanto, receberia uma causa já julgada, ou, pelo menos, pré-julgada)" (STJ, CC 121.013/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 03/04/2012).
