Processo judicial
Superior Tribunal de Justiça
Possivelmente o mesmo caso em outras instâncias, com partes em comum.
2025
© 2026 JusConsulta. Todos os direitos reservados.
Atendimento: seg a sex, 8h às 18h
AgRg no HC 968952/SP (2024/0478676-3)RELATOR:MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZAGRAVANTE:E A DOS SADVOGADO:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULOAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULOIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 08/05/2025 a 14/05/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Antonio Saldanha Palheiro e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior.
AgRg no HC 968952/SP (2024/0478676-3)RELATOR:MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZAGRAVANTE:E A DOS SADVOGADO:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULOAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULOIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOProcesso incluído na Pauta de Julgamentos da SEXTA TURMA, Sessão Virtual do dia 08/05/2025 00:00:00, com encerramento no dia 14/05/2025 23:59:59 (RISTJ, Art. 184-E).
AgRg no HC 968952/SP (2024/0478676-3)RELATOR:MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZAGRAVANTE:E A DOS SADVOGADO:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULOAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULOIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
DESPACHO
Intime-se o Ministério Público do Estado de São Paulo para, caso queira e no prazo legal, apresente contrarrazões ao agravo regimental interposto.
Depois, encaminhem-se os autos ao Ministério Público Federal para manifestação.
Relator
ROGERIO SCHIETTI CRUZ
2024
HC 968952/SP (2024/0478676-3)RELATOR:MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZIMPETRANTE:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULOADVOGADO:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULOIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:E A DOS SINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
DECISÃO
E. A. DOS S. alega sofrer constrangimento ilegal diante de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo na Apelação n. 1500563-43.2023.8.26.0638.
Extrai-se dos autos que o paciente teve contra si aplicada, em primeira instância, medidas socioeducativas de liberdade assistia e prestação de serviços à comunidade, pela prática de ato infracional análogo ao delito do art. 157, § 2º, II e VII, do Código Penal.
Irresignado, o Ministério Público recorreu. O Tribunal a quo deu provimento ao apelo para aplicar a medida de internação ao ora postulante.
Nesta Corte, a defesa sustenta que não foi devidamente fundamentada a aplicação da medida socioeducativa de internação, sobretudo por não estar evidenciada reiteração no cometimento de infrações graves.
Requer "a imediata concessão do provimento liminar, para se conceder ordem de habeas corpus, a fim de se suspender os efeitos do v. acórdão do E. Tribunal de Justiça a quo e de se determinar a pronta expedição de mandado de desinternação, com a submissão do adolescente [...], se o caso, à medida socioeducativa de liberdade assistida" (fl. 18).
O caso comporta o julgamento antecipado, visto que se adequa a pacífica orientação desta Corte para casos similares.
A imposição da medida mais gravosa foi assim justificada no acórdão impugnado (fls. 275-277, destaquei):
Consta da representação que, em 15.08.2023, por volta das 17h40, no cruzamento da rua Professor Stélio Machado Loureiro com a rua José Porfilho, Centro, na cidade de Monte Castelo-SP, o adolescente E. A. dos S., em concurso de agentes e unidade de desígnios com dois imputáveis, mediante grave ameaça exercida com emprego de uma faca, contra a vítima, subtraiu, em proveito comum, a quantia de .
AgRg no HC 968952/SP (2024/0478676-3)RELATOR:MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZAGRAVANTE:E A DOS SADVOGADO:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULOAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULOIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOVista à(s) parte(s) agravada(s) para impugnação do Agravo Regimental (AgRg).
[...]
O ato infracional praticado envolve concurso de agentes e grave ameaça contra pessoa, exercida com emprego de arma branca, dados objetivos que, por si sós, autorizavam a aplicação da internação.
Ressalta-se que a fixação de medida mais gravosa não se pautou na gravidade em abstrato do ato infracional, equiparado a crime de roubo, majorado, o que seria de pronto afastado pela Súmula 718 do Supremo Tribunal Federal ("A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena aplicada"), mas na gravidade real do ato, ou seja, a prática de conduta análoga a roubo, em concurso de pessoas, com grave ameaça com emprego de uma faca, objeto com capacidade lesiva.
A gravidade da conduta é, no caso, concreta.
Em que pese a negativa do jovem no que tange ao uso da faca, a vítima apresentou, em audiência, relato seguro de que foi abordada primeiro pelo apelante. que teria encostado a faca em suas costas e no seu pescoço, ameaçando matá-la caso não entregasse a carteira.
As circunstâncias específicas do caso e as condições pessoais do apelante recomendam a aplicação da medida socioeducativa de internação, com o objetivo principal de resguardá-lo da situação de risco em que estava no meio aberto.
Vale ressaltar que, no Relatório de Diagnóstico Polidimensional (fls. 145/149), consta que o recorrente "Em relação ao ato infracional, não apresenta crítica, sendo incapaz de compreender a gravidade e as consequências negativas de seus atos", complementando que "a equipe considera importante continuar trabalhando questões como a necessidade de E. rever seus valores, estabelecer planos e metas para sua vida relacionado a escolarização e que favoreçam o seu desenvolvimento psicossocial.". Soma-se ainda o fato de que o jovem "Não deseja pensar no futuro, apenas conseguir os bens que almeja possuir, uma motocicleta e um carro bom."
Certo é que a aplicação de medida socioeducativa de internação é a que melhor se adequa ao caso presente, principalmente como forma de afastar o adolescente, com apensar 14 anos de idade, do meio delitivo em que se encontra inserido.
Como cediço, a internação do adolescente infrator deve ser imposta quando nenhuma outra medida se mostrar mais adequada e apenas nas hipóteses do rol taxativo do art. 122 do ECA, in verbis: a) se o ato infracional for cometido mediante violência ou grave ameaça; b) quando houver reiteração no cometimento de outras infrações graves e c) no caso de descumprimento reiterado e injustificado de medida anterior.
Na espécie, não há falar em ilegalidade, pois, inobstante os argumentos defensivos sobre a ausência de reiteração delitiva do réu, a imposição de internação está justificada na prática de ato infracional com violência e grave ameaça e na situação de risco em que o menor se encontra.
Como visto, a medida está lastreada no art. 122, I, do ECA, e a motivação exarada pelo Tribunal a quo está em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior. A propósito:
AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. ECA. ATO INFRACIONAL ANÁLOGO AO DELITO DE ROUBO CIRCUNSTANCIADO. CONDUTA PRATICADA MEDIANTE VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA À PESSOA. INTERNAÇÃO. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. RECURSO DESPROVIDO.
1. A prática de ato infracional análogo ao crime de roubo circunstanciado, no qual o agente emprega violência ou grave ameaça à vítima, autoriza a imposição da medida socioeducativa de internação, por enquadrar-se na previsão do art. 122, inciso I, da Lei n. 8.069/1990, mormente quando destacada pelas instâncias de origem a gravidade concreta da conduta.
2. Agravo regimental a que se nega provimento.
(AgRg no HC n. 660.892/SC, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, 5ª T., DJe 16/12/2021)
PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 122 DA LEI N. 8.069/1990 (ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE - ECA). ATO INFRACIONAL EQUIVALENTE AO ROUBO. MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE INTERNAÇÃO. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. É cabível a aplicação de medida socioeducativa de internação em caso de ato infracional equivalente a roubo, por se tratar de conduta praticada mediante violência ou grave ameaça a pessoa, atendendo, portanto, ao disposto no art. 122, I, do ECA. Precedentes.
1.1. No caso em tela, a Corte de origem concluiu pela aplicação de medida de internação, considerando a gravidade do delito praticado e diante do histórico do adolescente que, apesar de ser primário, já se envolveu em outros atos infracionais e possui comportamento agressivo. Para alterar tal conclusão seria necessário o reexame fático probatório, vedado pela Súmula n. 7 do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. Precedentes.
2. Agravo regimental desprovido.
(AgRg no AREsp n. 1.891.169/AL, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, 5ª T., DJe 3/5/2022)
À vista do exposto, denego o habeas corpus, in limine.
Publique-se e intimem-se.
HC 968952/SP (2024/0478676-3)RELATOR:MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZIMPETRANTE:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULOADVOGADO:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULOIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:E A DOS SINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULOProcesso distribuído pelo sistema automático em 16/12/2024.