Processo judicial
Superior Tribunal de Justiça
Possivelmente o mesmo caso em outras instâncias, com partes em comum.
2026
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AgRg no HC 1062478/MG (2025/0503865-5)RELATOR:MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIORAGRAVANTE:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRESADVOGADO:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRES - MG240587AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAISIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 13/08/2026 a 19/08/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Rogerio Schietti Cruz, Carlos Pires Brandão, Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do TJDFT) e Og Fernandes votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.
RtPaut no HC 1062478/MG (2025/0503865-5)RELATOR:MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIORREQUERENTE:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRESADVOGADO:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRES - MG240587REQUERIDO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALREQUERIDO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAISIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
DECISÃO
Por meio da petição de fls. 858/861, a defesa de J V da C S P requer destaque para que o agravo regimental em habeas corpus não seja julgado na sessão virtual designada, mas em sessão presencial ou por videoconferência, para realizar sustentação oral.
Alega que a controvérsia exige deste Colegiado a análise de um vício estrutural insanável na origem, decorrente da fixação de competência penal absoluta por meio de uma premissa fática documentalmente inexistente (fl. 858).
Ocorre que a argumentação que sustenta o pedido não evidencia nenhuma excepcionalidade que justifique sua acolhida, tampouco demonstra de que forma a metodologia de julgamento adotada prejudicaria a defesa do requerente.
Ora, a alocação dos processos na pauta virtual é uma decisão de gerenciamento processual da Corte, nos termos do art. 96, I, da Constituição Federal, que determina a elaboração dos regimentos internos, dispondo sobre o funcionamento dos órgãos jurisdicionais. No exercício dessa competência, busca-se otimizar as sessões presenciais, desafogando-as.
O procedimento das sessões de julgamento eletrônico no âmbito do Superior Tribunal de Justiça está regulamentado pela Resolução STJ/GP n. 3/2025. Nos termos do art. 10, II, dessa norma, não serão julgados em ambiente virtual os processos cujo pedido de destaque tenha sido formulado por qualquer das partes, desde que requerido até 48 horas antes do início da sessão e deferido pelo relator.
Conforme o art. 184-A, § 3º, do RISTJ, em sessão virtual assíncrona, as partes e demais habilitados nos autos podem encaminhar sustentações orais e memoriais por meio eletrônico após a publicação da pauta, dentro do prazo de 48 horas antes do julgamento.
Quer dizer, as normas regimentais garantem o contraditório e a ampla defesa nas sessões não presenciais, assegurando às partes a possibilidade de apresentar memoriais e sustentação oral para esclarecer as questões de fato e de direito do caso concreto. O zelo empregado na análise das sustentações orais em sessão virtual é o mesmo dispensado nas sessões presenciais.
AgRg no HC 1062478/MG (2025/0503865-5)RELATOR:MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIORAGRAVANTE:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRESADVOGADO:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRES - MG240587AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAISIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAISProcesso incluído na Pauta de Julgamentos da SEXTA TURMA, Sessão Virtual do dia 13/08/2026 00:00:00, com encerramento no dia 19/08/2026 23:59:59 (RISTJ, Art. 184-E).
AgRg no HC 1062478/MG (2025/0503865-5)RELATOR:MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIORAGRAVANTE:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRESADVOGADO:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRES - MG240587AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAISIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAISProcesso incluído na Pauta de Julgamentos da SEXTA TURMA, Sessão Virtual do dia 05/06/2026 00:00:00, com encerramento no dia 11/06/2026 23:59:59 (RISTJ, Art. 184-E).
HC 1062478/MG (2025/0503865-5)RELATOR:MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIORIMPETRANTE:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRESADVOGADO:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRES - MG240587IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAISPACIENTE:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRESINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus impetrado em nome de J V da C S P, condenado definitivamente à pena de 12 anos de reclusão, em regime inicial fechado, pela prática do crime do art. 217-A do Código Penal (Processo n. 0052086-97.2021.8.13.0672, da 3ª Vara Criminal e do Tribunal do Júri da comarca de Sete Lagoas/MG).
O impetrante aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, que não conheceu do HC n. 1.0000.25.442447-6/000 (fls. 20/29).
Alega violação do princípio do juiz natural, por inexistência de prevenção válida quanto à ação penal em questão, pois a competência foi fixada com fundamento em medida cautelar instaurada para apurar fatos distintos e vítima diversa, sem conexão fática ou jurídica entre os procedimentos (fls. 7/16).
Aduz negativa de prestação jurisdicional do Tribunal de origem, por não ter examinado o mérito da nulidade suscitada, limitando-se ao não conhecimento por suposta necessidade de revisão criminal após o trânsito em julgado (fls. 16/18).
Requer a imediata concessão da ordem para reconhecer a nulidade absoluta da distribuição por prevenção e declarar a incompetência do juízo que recebeu e conduziu a Ação Penal n. 0052086-97.2021.8.13.0672, com anulação integral do processo, a partir do recebimento da denúncia, inclusive da sentença condenatória, e remessa para nova distribuição por livre sorteio. Subsidiariamente, pede a concessão da ordem de ofício, e, se mantido o não conhecimento, que o Tribunal de origem aprecie o mérito da tese deduzida no habeas corpus originário (fls. 18/19).
Liminar indeferida às fls. 753/754.
Informações prestadas às fls. 763/815.
Intimado, o Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do habeas corpus, nos termos da seguinte ementa (fl. 817):
2025
HC 1062478/MG (2025/0503865-5)RELATOR:MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIORIMPETRANTE:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRESADVOGADO:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRES - MG240587IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAISPACIENTE:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRESINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAISProcesso distribuído pelo sistema automático em 19/12/2025.
Ante o exposto, indefiro o pedido.
Publique-se.
Relator
SEBASTIÃO REIS JÚNIOR
PENAL. PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. PEDIDO LIMINAR. SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. ORDEM DENEGADA NA ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. PARECER PELO NÃO CONHECIMENTO DO HABEAS CORPUS.
É o relatório.
O habeas corpus não pode ser admitido, uma vez que foi interposto como substitutivo de recurso ordinário contra a decisão do Tribunal de origem que não conheceu da impetração, de maneira que não atende ao disposto no art. 105, II, a, da Constituição da República, que apenas admite recurso dessa natureza contra decisão denegatória.
A propósito do disposto no art. 647-A do Código de Processo Penal, também não identifico qualquer ilegalidade que permita a concessão da ordem por decisão de ofício.
Com efeito, embora a defesa alegue incompetência do Juízo, do teor do acórdão que julgou o recurso de apelação (fl. 778) verifica-se que a competência foi firmada em razão de medida cautelar anteriormente ajuizada. Explicou-se, naquela oportunidade, que a Cautelar n. 0012205-16.2021.13.0672 menciona a prática de delito contra duas vítimas, dentre elas a vítima L S S, a qual se relaciona com o paciente.
A permanência dos autos no Juízo responsável pelo processamento da medida cautelar, portanto, é decorrência lógica da aplicação do art. 83 do Código de Processo Penal, que estabelece que, quando houver dois ou mais juízes competentes, a competência se dá pela prevenção daquele que tiver antecedido aos outros na prática de algum ato do processo ou de medida a este relativa, ainda que anterior ao oferecimento da denúncia ou da queixa, como é o caso das medidas cautelares.
Diante do exposto, não conheço do habeas corpus.
Publique-se.
Relator
SEBASTIÃO REIS JÚNIOR
HC 1062478/MG (2025/0503865-5)RELATOR:MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIORIMPETRANTE:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRESADVOGADO:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRES - MG240587IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAISPACIENTE:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRESINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAISProcesso distribuído pelo sistema automático em 19/12/2025.
HC 1062478/MG (2025/0503865-5)RELATOR:MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIORIMPETRANTE:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRESADVOGADO:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRES - MG240587IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAISPACIENTE:JOAO VITOR DA CRUZ SALDANHA PIRESINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus impetrado em nome de J V da C S P, condenado definitivamente à pena de 12 anos de reclusão, em regime inicial fechado, pela prática do crime do art. 217-A do Código Penal (Processo n. 0052086-97.2021.8.13.0672, da 3ª Vara Criminal e do Tribunal do Júri da comarca de Sete Lagoas/MG).
A impetrante aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, que não conheceu do HC n. 1.0000.25.442447-6/000 (fls. 20/29).
Alega negativa de prestação jurisdicional do Tribunal de origem, por não ter examinado o mérito da nulidade suscitada, limitando-se ao não conhecimento por suposta necessidade de revisão criminal após o trânsito em julgado.
Menciona violação do princípio do juiz natural, por inexistência de prevenção válida quanto à ação penal em questão, pois a competência foi fixada com fundamento em medida cautelar instaurada para apurar fatos distintos e vítima diversa, sem conexão fática ou jurídica entre os procedimentos.
Sustenta nulidade absoluta por incompetência do juízo sentenciante, por afronta às regras objetivas de competência.
Requer a imediata concessão da ordem para reconhecer a nulidade absoluta da distribuição por prevenção e declarar a incompetência do juízo que recebeu e conduziu a Ação Penal n. 0052086-97.2021.8.13.0672, com anulação integral do processo, a partir do recebimento da denúncia, inclusive da sentença condenatória, e remessa para nova distribuição por livre sorteio. Subsidiariamente, pede a concessão da ordem de ofício, e, se mantido o não conhecimento, que o Tribunal de origem aprecie o mérito da tese deduzida no habeas corpus originário.
É o relatório.
Não vislumbro o fumus boni iuris necessário à concessão da medida de urgência requerida.
À primeira vista, não há falar em negativa de prestação jurisdicional, porque o Superior Tribunal de Justiça também não admite a impetração de habeas corpus em substituição à revisão criminal. Além disso, a Corte mineira asseverou que a matéria deduzida já foi objeto de discussão em sede de julgamento de apelação criminal (fl. 26).
Ademais, o tema também foi submetido a esta Casa. No HC n. 964.275, afastei o alegado constrangimento ilegal, e a Sexta Turma decidiu conforme esta ementa (DJe 9/9/2025):
DIREITO PENAL. HABEAS CORPUS. SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. CAUSA DE AUMENTO DO ART. 226, II, DO CÓDIGO PENAL. ALEGADA NULIDADE DA DISTRIBUIÇÃO POR PREVENÇÃO. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL. NÃO OCORRÊNCIA. COMPETÊNCIA ADEQUADAMENTE FUNDAMENTADA. INÉPCIA DA DENÚNCIA. SUPERVENIÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA. PRECLUSÃO. MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS POR PROVA JUDICIALIZADA. APLICAÇÃO DA MAJORANTE. RELAÇÃO DE AUTORIDADE ENTRE PROFESSOR E ALUNO. PRECEDENTES DO STJ. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE CRIME ÚNICO. AFASTAMENTO DA CONTINUIDADE DELITIVA. OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL.
Ordem denegada.
O recurso ordinário contra esse acórdão foi remetido ao Supremo Tribunal Federal em 2/10/2025.
Indefiro o pedido liminar.
Solicitem-se informações ao Tribunal estadual acerca de eventual ajuizamento de revisão criminal pelo ora paciente.
Após, ouça-se o Ministério Público Federal.
Publique-se.
Relator
SEBASTIÃO REIS JÚNIOR