Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (IMPETRADO), 1. PRISCILA DIAS MODESTO (IMPETRANTE)
- Advogado
- PRISCILA DIAS MODESTO (OAB 353384/SP)
HC 987538/SP (2025/0080383-4)RELATOR:MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIROIMPETRANTE:PRISCILA DIAS MODESTOADVOGADO:PRISCILA DIAS MODESTO - SP353384IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:A K WINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado em benefício de A. K. W. no qual se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (Apelação n. 21844969620248260000).
Depreende-se dos autos que o ora paciente foi condenado à pena de 12 anos de reclusão, pela prática do crime do art. 217-A, c/c o art. 226, inciso II, ambos do Código Penal.
Com o trânsito em julgado da condenação, a defesa ajuizou revisão criminal perante a Corte a quo, que foi indeferida nos termos da ementa de e-STJ fl. 25:
REVISÃO CRIMINAL. Estupro de vulnerável. Pretensão de desconstituição do julgado por nulidade no inquérito policial. Alegação de que a condenação se sustenta em depoimentos contraditórios e laudo mal valorado. Inadmissibilidade. Conjunto probatório bem delineado. Ausência de procedimento de justificação criminal. Revisão criminal indeferida.
Daí o presente writ, no qual sustenta a defesa que a escuta especializada da vítima em descompasso com os arts. 7º, 8º e 10, todos Lei n. 13.431/2017 acarreta a nulidade absoluta dessa prova.
Argumenta que "[a] Lei 13.431/2017 determina regras específicas para a escuta de crianças vítimas de violência sexual, exigindo um ambiente seguro, sigiloso e com acompanhamento de profissionais capacitados. Isso não ocorreu no caso em questão. [...] A oitiva da vítima em sede policial foi conduzida por uma escrivã de forma inadequada, sem acompanhamento de assistente social ou psicólogo" (e-STJ fls. 5/8).
Alega a insuficiência de provas para a condenação, aduzindo que os exames periciais não atestaram a existência de vestígios materiais dos delitos.
Assere que foi elaborado laudo psicológico sem a participação do réu, o que acarretou violação ao contraditório e à ampla defesa. Reverbera que "a defesa não teve acesso prévio ao conteúdo do laudo antes da sentença, impossibilitando a formulação de quesitos ou a indicação de assistente técnico, o que compromete a legalidade da prova" (e-STJ fl. 12). Invoca afronta aos do Código de Processo Penal e ao nciso LV, da Constituição Federal.
