Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA (IMPETRADO), 1. OSVALDO JOSE DUNCKE (IMPETRANTE)
- Advogados
- OSVALDO JOSÉ DUNCKE (OAB 34143/SC), MATHEUS PARANHOS MENNA DE OLIVEIRA (OAB 52862/SC), DANIEL DUNCKE (OAB 67459/SC)
HC 1084551/SC (2026/0115839-2)RELATOR:MINISTRO MESSOD AZULAY NETOIMPETRANTE:OSVALDO JOSE DUNCKEADVOGADOS:OSVALDO JOSÉ DUNCKE - SC034143MATHEUS PARANHOS MENNA DE OLIVEIRA - SC052862DANIEL DUNCKE - SC067459IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINAPACIENTE:ISADORA GILLCORRÉU:ADRIANO AUGUSTO LEAES FERREIRAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de ISADORA GILL contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA, que denegou a ordem ali impetrada.
Na origem, a paciente foi presa em flagrante e denunciada pela suposta prática dos crimes previstos no artigo 33, caput, da Lei n. 11.343/2006 (Lei de Drogas) e no artigo 330 do Código Penal. O Juízo de primeiro grau converteu a prisão em flagrante em preventiva e, na sequência, substituiu-a por prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, com base no artigo 318-A do Código de Processo Penal, em razão de a paciente ser mãe de uma criança de 8 (oito) anos de idade.
Posteriormente, a defesa formulou pedido de ampliação da área de inclusão da monitoração eletrônica para permitir o deslocamento diário da paciente ao seu local de trabalho. O Juízo singular indeferiu o pedido, sob o fundamento de que a flexibilização do perímetro nos moldes pretendidos, para trabalho externo e prolongado, não é compatível com a finalidade da prisão domiciliar.
Inconformada, a defesa impetrou habeas corpus perante o Tribunal de origem, alegando a ocorrência de constrangimento ilegal por excesso cautelar e ausência de fundamentação individualizada na decisão. Sustentou também que a negativa desconsiderava a finalidade protetiva da norma, que abrange o provimento material da criança conferido pelo trabalho materno.
O Tribunal estadual denegou a ordem. O acórdão impugnado assentou que o deferimento do labor externo diário, no período noturno, com afastamento entre 8 (oito) e 10 (dez) horas e deslocamento para município diverso, desnatura a finalidade da prisão domiciliar, cujo núcleo essencial é o recolhimento para os cuidados com a criança. Destacou, ainda, a existência de declaração da sogra da paciente assumindo os cuidados integrais da criança durante a ausência da genitora, o que contraria a tese defensiva de imprescindibilidade exclusiva da presença materna.
