Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 1. DEFENSORIA PÚBLICA DO DISTRITO FEDERAL (IMPETRANTE), 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITORIOS (IMPETRADO)
- Advogado
- DEFENSORIA PÚBLICA DO DISTRITO FEDERAL
HC 1087649/DF (2026/0133251-9)RELATOR:MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIORIMPETRANTE:DEFENSORIA PÚBLICA DO DISTRITO FEDERALADVOGADO:DEFENSORIA PÚBLICA DO DISTRITO FEDERALIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITORIOSPACIENTE:G R SCORRÉU:D DE S CINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus impetrado em benefício de G R S – responsabilizado pela prática de ato infracional análogo ao tráfico de drogas –, em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS (Apelação Criminal n. 0705004-92.2025.8.07.0013).
Com efeito, busca a impetração o restabelecimento da medida de liberdade assistida fixada em primeiro grau pelo Juízo da 2ª Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal (Processo n. 0705004-92.2025.8.07.0013), alegando flagrante ilegalidade na imposição da medida socioeducativa de semiliberdade, uma vez que o acórdão utilizou remissões anteriores para caracterizar reiteração infracional, em contrariedade ao art. 127 do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Sustenta desproporcionalidade da medida de semiliberdade, por fundamento juridicamente inidôneo, em descompasso com os princípios da excepcionalidade e da proporcionalidade que regem a aplicação das medidas socioeducativas; arguindo que a suposta incapacidade da família para a ressocialização não autoriza a imposição de medida mais gravosa em meio semiaberto, sobretudo diante da primariedade e da ausência de violência ou grave ameaça no ato infracional.
É o relatório.
Embora a questão sobre a impossibilidade de uso de remissões anteriores para fins de configuração de reiteração infracional, em contrariedade ao art. 127 do Estatuto da Criança e do Adolescente, não tenha sido debatida pela Corte estadual, de forma que sua análise pelo Superior Tribunal de Justiça configuraria indevida supressão de instância, verifico o evidente constrangimento ilegal.
Ao dar provimento ao recurso do Ministério Público, o Tribunal de origem consignou que (fl. 50):
Diante do contexto apresentado, levando em apreço o ato infracional, as circunstâncias familiar e social do jovem (uso de drogas, incapacidade da família na sua ressocialização, evasão escolar, várias passagens pela Justiça da Infância e da Juventude), é de se aplicar a medida socioeducativa de semiliberdade, por prazo indeterminado, não superior a 3 (três) anos, com fulcro nos da (ECA), para fins de inibição de novas condutas análogas e ressocialização.
