HDE 11940/EX (2025/0139814-0)RELATOR:MINISTRO PRESIDENTE DO STJREQUERENTE:M L N DE ROUTRO NOME:M L N DE R PADVOGADOS:MARIA LAURA NAVES TEIXEIRA - GO073000ADRIANO NAVES TEIXEIRA - GO045986REQUERIDO:N M J P
DECISÃO
Trata-se de ação de Homologação de Decisão Estrangeira que tem como requerente M. L. N. de R. (ou M. L. N. de R. P.) e como requerido N. M. J. P., cujo objeto é título de divórcio oriundo da Justiça portuguesa.
De início, defiro a gratuidade da justiça.
Da análise dos autos, extrai-se que se trata de divórcio consensual puro ou simples, porque no título não há disposição sobre guarda, alimentos ou partilha de bens.
Conforme disposto no art. 961, § 5º, do Código de Processo Civil e nos arts. 464 e 465 do Provimento n. 149/2023 do Conselho Nacional de Justiça, o título judicial estrangeiro de divórcio consensual simples independe de homologação judicial para produzir efeitos jurídicos no Brasil.
Nesses casos, nos termos preceituados pelo art. 1º do Provimento CNJ n. 53/2016, a averbação direta no assentamento de casamento da sentença estrangeira de divórcio consensual simples deve ser realizada perante o Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais, não sendo hipótese de competência deste Tribunal.
Outrossim, saliente-se que não basta menção à existência de filhos, bens ou pensão a ser fixada para que o título judicial estrangeiro torne-se qualificado. O tribunal estrangeiro precisa efetivamente decidir a matéria e julgar determinando imposições ou ônus a serem cumpridos por um dos ex-cônjuges ou ambos.
Dessa forma, intime-se a requerente para que, em 60 dias, esclareça se há causa que justifique a homologação de divórcio na modalidade qualificada.
Em caso positivo, a parte requerente deve apresentar (no mesmo prazo acima) a declaração de anuência do requerido ao pleito homologatório, chancelada por autoridade consular brasileira ou acompanhada de apostilamento, se assinada no exterior.