Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (IMPETRADO), 1. DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (IMPETRANTE)
- Advogado
- DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
HC 1001028/ES (2025/0156927-5)RELATOR:MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIROIMPETRANTE:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTOADVOGADO:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTOIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTOPACIENTE:A DOS S CINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado em favor de A. DOS S. C. apontando como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (Apelação n. 0002417-15.2024.8.08.0024).
Depreende-se dos autos que o Juízo de primeiro grau julgou procedente a representação movida em desfavor do paciente pela prática de ato infracional equiparado ao delito tipificado no art. 250, § 1º, alínea “c”, do Código Penal, impondo-lhe medida socioeducativa de semiliberdade (e-STJ fls. 24/32).
Irresignada, a defesa interpôs apelação perante o Tribunal de origem, o qual negou provimento ao recurso, consoante acórdão assim ementado (e-STJ fl. 15):
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. APELAÇÃO CÍVEL. ATO INFRACIONAL ANÁLOGO AO CRIME DE INCÊNDIO. MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS. MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE SEMILIBERDADE. ADEQUAÇÃO. EFEITO MERAMENTE DEVOLUTIVO DO RECURSO. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Apelação cível interposta contra sentença que julgou procedente a representação oferecida pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo, reconhecendo a prática de ato infracional análogo ao crime de incêndio (art. 250, § 1º, alínea “c”, do Código Penal). O juízo de origem aplicou ao representado a medida socioeducativa de semiliberdade. No recurso, a defesa sustenta ausência de provas suficientes para a condenação e questiona a adequação da medida imposta. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. HÁ duas questões em discussão: (i) verificar se há provas suficientes para reconhecer a prática do ato infracional análogo ao crime de incêndio pelo representado; (ii) analisar a adequação da medida socioeducativa de semiliberdade imposta pela sentença. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A materialidade do ato infracional está devidamente comprovada pelo boletim de ocorrência e pelas imagens captadas pelas câmeras de videomonitoramento da Prefeitura de Vitória/ES, evidenciando o incêndio provocado no transporte coletivo. 4. A autoria do ato infracional foi demonstrada por meio dos depoimentos dos policiais militares que efetuaram a abordagem do representado e do motorista do ônibus incendiado, sendo os relatos coerentes e harmônicos. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça reconhece a idoneidade dos depoimentos de policiais como meio de prova, cabendo à defesa demonstrar sua imprestabilidade, o que não ocorreu no caso concreto. 5. O representado, embora seja tecnicamente primário, possui outras representações por atos infracionais em curso, evidenciando a necessidade de uma medida mais severa para sua reeducação. 6. A medida socioeducativa de semiliberdade se mostra adequada às circunstâncias do caso, pois possibilita um acompanhamento mais próximo do representado, promovendo sua reintegração social por meio da escolarização e de atividades profissionalizantes, conforme determina o , do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 7. A concessão de efeito suspensivo ao recurso não se justifica, pois, no âmbito infracional, as medidas socioeducativas possuem caráter educativo e protetivo, devendo ser executadas prontamente para garantir o desenvolvimento adequado do adolescente. IV. E TESE 9. Recurso desprovido. Tese de julgamento: 1. A materialidade e a autoria do ato infracional análogo ao crime de incêndio podem ser reconhecidas com base em provas testemunhais e documentais, incluindo depoimentos de policiais militares e imagens de videomonitoramento. 2. A aplicação da medida socioeducativa de semiliberdade é adequada quando evidenciado o histórico infracional do adolescente e a necessidade de maior acompanhamento para sua reinserção social. 3. A apelação interposta contra sentença que aplica medida socioeducativa não possui, via de regra, efeito suspensivo, considerando o princípio da proteção integral e a necessidade de pronta execução da medida para garantir sua eficácia pedagógica. Dispositivos relevantes citados: CF/1988, ; ECA, , 112, § 1º, 122 e 126. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp 1813031/SP, Rel. Min. Olindo Menezes, 6ª Turma, j. 25.05.2021, DJe 31.05.2021; STJ, AgRg-HC 820.398/RJ, Rel. Min. Ribeiro Dantas, 5ª Turma, j. 30.08.2023, DJe 30.08.2023; TJES, AC 021180068625, Rel. Des. Willian Silva, 1ª Câmara Criminal, j. 27.10.2021, pub. 08.11.2021.
