Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (IMPETRADO), 1. ALINE DO AMARAL (IMPETRANTE)
- Advogado
- ALINE DO AMARAL (OAB 085670/RS)
HC 1002579/RS (2025/0166546-9)RELATOR:MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIROIMPETRANTE:ALINE DO AMARALADVOGADO:ALINE DO AMARAL - RS085670IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SULPACIENTE:MARLON CESAR GUIDININTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de MARLON CESAR GUIDIN no qual se aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (Apelação Criminal n. 5008485-03.2024.8.21.0033).
Infere-se dos autos que o paciente foi condenado à pena de 21 anos de reclusão, em regime inicial fechado, por infração aos arts. 158, § 1º, na forma do art. 14, inciso II (1º e 2º fatos), e 159, § 2° (3º fato), ambos c/c o art. 61, inciso I, tudo na forma do art. 71, caput, todos do Código Penal.
Interposta apelação, o Tribunal de ofício declarou a nulidade parcial da sentença, no ponto da dosimetria das penas, determinando a devolução dos autos à origem para correta individualização, prejudicada a apreciação do mérito recursal. O acórdão ficou assim ementado (e-STJ fls. 15/16, grifei):
APELAÇÃO CRIMINAL. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO. EXTORSÕES MAJORADAS TENTADAS E EXTORSÃO MEDIANTE SEQÜESTRO QUALIFICADA. SENTENÇA CONDENATÓRIA. INSURGÊNCIA DEFENSIVA.
PRELIMINAR DE NULIDADE POR INÉPCIA DA DENÚNCIA. Inicial acusatória que expõe as ações criminosas com todas as suas circunstâncias, especificando, suficientemente, as condições de tempo e local dos fatos que são atribuídos ao réu. Entendimento do STJ sobre a matéria. Preenchimento dos requisitos do art. 41 do CPP. Preliminar afastada.
PREFACIAL DE OFÍCIO. VÍCIO INSANÁVEL NA SENTENÇA. Caso em que o réu restou condenado pela prática dos crimes de extorsões majoradas tentadas (duas vezes) e extorsão mediante sequestro qualificada. No entanto, por entender que era aplicável, na espécie, a continuidade delitiva entre todos os crimes, a Magistrada sentenciante efetuou a análise do apenamento somente do crime mais grave, aplicando, em seguida, o aumento relativo ao crime continuado. Como se sabe, as reprimendas mínimas previstas aos crimes referidos são consideravelmente distintas - partindo, a pena da extorsão, de 04 anos, enquanto a do crime de extorsão mediante sequestro qualificada parte de 16 anos. De resto, quanto às extorsões, havia causa majorante e minorante a serem valoradas, além das diferentes circunstâncias. O aludido procedimento culmina na impossibilidade de se ter conhecimento da pena correspondente a cada um dos crimes objetivamente imputados ao réu, e pelos quais restou condenado - o que acarreta evidente prejuízo, pois impossibilita eventual readequação das reprimendas dos crimes de extorsão, por esta Corte, assim como a eventual aferição do decurso do prazo prescricional. Afronta ao princípio da individualização da pena. Nulidade absoluta por omissão de formalidade que constitui elemento essencial do ato, conforme , do CPP. Necessário o retorno dos autos à origem, para que seja realizado o cálculo individual de pena, para cada crime. Desconstituição parcial da decisão vergastada. Prejudicada a análise do mérito recursal.
