COORDENADORIA DE CLASSIFICAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE PROCESSOS
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL (IMPETRADO), 1. CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA (IMPETRANTE)
Advogados
RIAD REDA MOHAMAD WEHBE (OAB 23187/MS), DAIANE LIMA XARÃO (OAB 25180/MS), CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA (OAB 455364/SP)
HC 1093513/MS (2026/0168352-4)RELATOR:MINISTRO VICE-PRESIDENTE DO STJIMPETRANTE:CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDAADVOGADOS:RIAD REDA MOHAMAD WEHBE - MS023187CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA - SP455364DAIANE LIMA XARÃO - MS025180IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SULPACIENTE:SIXTO GONZALEZ FILHOINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SULProcesso distribuído pelo sistema automático em 29/09/2026.
AJC COORDENADORIA DE JULGAMENTO COLEGIADO DA SEXTA TURMA
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (AGRAVADO), 3. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL (AGRAVADO), 4. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL (IMPETRADO), 1. SIXTO GONZALEZ FILHO (AGRAVANTE)
Advogados
RIAD REDA MOHAMAD WEHBE (OAB 23187/MS), DAIANE LIMA XARÃO (OAB 25180/MS), CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA (OAB 455364/SP)
AgRg no HC 1093513/MS (2026/0168352-4)RELATOR:MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIORAGRAVANTE:SIXTO GONZALEZ FILHOADVOGADOS:RIAD REDA MOHAMAD WEHBE - MS023187CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA - SP455364DAIANE LIMA XARÃO - MS025180AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SULIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 10/09/2026 a 16/09/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Rogerio Schietti Cruz, Carlos Pires Brandão, Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do TJDFT) e Og Fernandes votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.
Órgão
AJC COORDENADORIA DE JULGAMENTO COLEGIADO DA SEXTA TURMA
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (AGRAVADO), 3. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL (AGRAVADO), 4. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL (IMPETRADO), 1. SIXTO GONZALEZ FILHO (AGRAVANTE)
Advogados
RIAD REDA MOHAMAD WEHBE (OAB 23187/MS), DAIANE LIMA XARÃO (OAB 25180/MS), CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA (OAB 455364/SP)
AgRg no HC 1093513/MS (2026/0168352-4)RELATOR:MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIORAGRAVANTE:SIXTO GONZALEZ FILHOADVOGADOS:RIAD REDA MOHAMAD WEHBE - MS023187CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA - SP455364DAIANE LIMA XARÃO - MS025180AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SULIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SULProcesso incluído na Pauta de Julgamentos da SEXTA TURMA, Sessão Virtual do dia 10/09/2026 00:00:00, com encerramento no dia 16/09/2026 23:59:59 (RISTJ, Art. 184-E).
Órgão
COORDENADORIA DE CLASSIFICAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE PROCESSOS
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL (IMPETRADO), 1. CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA (IMPETRANTE)
Advogados
RIAD REDA MOHAMAD WEHBE (OAB 23187/MS), DAIANE LIMA XARÃO (OAB 25180/MS), CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA (OAB 455364/SP)
HC 1093513/MS (2026/0168352-4)RELATOR:MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIORIMPETRANTE:CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDAADVOGADOS:RIAD REDA MOHAMAD WEHBE - MS023187CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA - SP455364DAIANE LIMA XARÃO - MS025180IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SULPACIENTE:SIXTO GONZALEZ FILHOINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SULProcesso distribuído pelo sistema automático em 11/06/2026.
Intimação
D
Órgão
SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (AGRAVADO), 3. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL (AGRAVADO), 4. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL (IMPETRADO), 1. SIXTO GONZALEZ FILHO (AGRAVANTE)
Advogados
RIAD REDA MOHAMAD WEHBE (OAB 23187/MS), DAIANE LIMA XARÃO (OAB 25180/MS), CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA (OAB 455364/SP)
AgRg no HC 1093513/MS (2026/0168352-4)RELATOR:MINISTRO PRESIDENTE DO STJAGRAVANTE:SIXTO GONZALEZ FILHOADVOGADOS:RIAD REDA MOHAMAD WEHBE - MS023187CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA - SP455364DAIANE LIMA XARÃO - MS025180AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SULIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL
DECISÃO
Cuida-se de agravo interposto contra decisão da Presidência.
O art. 21-E, § 2º, do Regimento Interno do STJ estabelece o seguinte:
§ 2.º Interposto agravo interno contra a decisão do Presidente proferida no exercício das competências previstas neste artigo, os autos serão distribuídos, observado o disposto no art. 9.º deste Regimento, caso não haja retratação da decisão agravada.
Não sendo, portanto, caso de retratação, determino a distribuição do agravo.
Publique-se.
Intimem-se.
Presidente
HERMAN BENJAMIN
Órgão
SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
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HABEAS CORPUS
Destinatários
2. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (AGRAVADO), 3. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL (AGRAVADO), 4. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL (IMPETRADO), 1. SIXTO GONZALEZ FILHO (AGRAVANTE)
Advogados
RIAD REDA MOHAMAD WEHBE (OAB 23187/MS), DAIANE LIMA XARÃO (OAB 25180/MS), CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA (OAB 455364/SP)
AgRg no HC 1093513/MS (2026/0168352-4)RELATOR:MINISTRO PRESIDENTE DO STJAGRAVANTE:SIXTO GONZALEZ FILHOADVOGADOS:RIAD REDA MOHAMAD WEHBE - MS023187CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA - SP455364DAIANE LIMA XARÃO - MS025180AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SULIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SULVista à(s) parte(s) agravada(s) para impugnação do Agravo Regimental (AgRg).
Intimação
D
Órgão
SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL (IMPETRADO), 1. CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA (IMPETRANTE)
Advogados
RIAD REDA MOHAMAD WEHBE (OAB 23187/MS), DAIANE LIMA XARÃO (OAB 25180/MS), CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA (OAB 455364/SP)
HC 1093513/MS (2026/0168352-4)RELATOR:MINISTRO PRESIDENTE DO STJIMPETRANTE:CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDAADVOGADOS:RIAD REDA MOHAMAD WEHBE - MS023187CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA - SP455364DAIANE LIMA XARÃO - MS025180IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SULPACIENTE:SIXTO GONZALEZ FILHOINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL
DECISÃO
Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de SIXTO GONZALEZ FILHO em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL assim ementado:
DIREITO PROCESSUAL PENAL. REVISÃO CRIMINAL. PROVA NOVA. RETRATAÇÃO DA VÍTIMA E DO INFORMANTE EM JUSTIFICAÇÃO CRIMINAL. INSUFICIÊNCIA PARA DESCONSTITUIR O ACERVO PROBATÓRIO DA AÇÃO PENAL ORIGINÁRIA. MANUTENÇÃO DA CONDENAÇÃO. REVISÃO CRIMINAL IMPROCEDENTE.
I. CASO EM EXAME
Revisão criminal ajuizada visando à absolvição, com fundamento em supostas provas novas decorrentes de retratação da vítima e de informante colhidas em ação de justificação criminal, em contraste com condenação definitiva pela prática do crime de estupro (art. 213, caput, do Código Penal) e da contravenção penal de vias de fato (art. 21 do Decreto-Lei nº 3.688/41).
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
HÁ duas questões em discussão: (i) definir se as novas declarações da vítima e de informante, prestadas em justificação criminal, configuram prova nova apta a justificar o ajuizamento e procedência da revisão criminal, nos termos do art. 621 do CPP; (ii) estabelecer se o conteúdo dessas declarações possui força probatória suficiente para abalar o conjunto de provas produzido na ação penal originária e desconstituir a condenação transitada em julgado.
III. RAZÕES DE DECIDIR
O do CPP exige que a prova nova seja idônea, relevante, segura e apta a modificar o resultado da condenação, não se prestando a revisão criminal ao simples reexame de provas já apreciadas nas instâncias ordinárias.
Intimação
D
Órgão
COORDENADORIA DE CLASSIFICAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE PROCESSOS
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL (IMPETRADO), 1. CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA (IMPETRANTE)
Advogados
RIAD REDA MOHAMAD WEHBE (OAB 23187/MS), DAIANE LIMA XARÃO (OAB 25180/MS), CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA (OAB 455364/SP)
HC 1093513/MS (2026/0168352-4)RELATOR:MINISTRO PRESIDENTE DO STJIMPETRANTE:CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDAADVOGADOS:RIAD REDA MOHAMAD WEHBE - MS023187CAIO CESAR DOMINGUES DE ALMEIDA - SP455364DAIANE LIMA XARÃO - MS025180IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SULPACIENTE:SIXTO GONZALEZ FILHOINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SULProcesso distribuído pelo sistema automático em 04/05/2026.
art. 621
A retratação da vítima foi sucinta, sem detalhamento mínimo ou explicação plausível para a mudança de versão, revelando fragilidade que impede sua utilização como elemento decisivo para afastar condenação fundada em relatos anteriores firmes, coerentes e corroborados por outras provas.
As reproduções de páginas 193–194 e 255–256, juntadas na justificação criminal, não passaram por perícia, carecendo de autenticidade e de validade probatória.
O informante J. I apresentou versão ilógica e incompatível com seu comportamento processual anterior, pois, embora alegasse manipulação de sua irmã, manteve em juízo, na ação penal originária, versão incriminadora, o que afasta a credibilidade da retratação.
As novas justificativas apresentadas pelo informante também se mostraram inverossímeis, especialmente porque os fundamentos emocionais alegados (suposta situação similar em outro processo) não encontram respaldo nos registros processuais citados pelo Ministério Público, evidenciando inconsistência e ausência de boa-fé.
A condenação se apoia em conjunto probatório robusto, abrangendo declarações firmes e coerentes da vítima, corroboradas pelos informantes F. P. e J. I, além das circunstâncias fáticas apuradas durante a instrução criminal.
A revisão criminal não pode funcionar como terceira instância recursal, sendo inadmissível rediscutir a suficiência das provas já apreciadas pelo Tribunal em sede de apelação. A coisa julgada material, como expressão da segurança jurídica (CF/1988, arts. 1º e 5º, XXXVI), somente pode ser afastada mediante prova nova incontestável, o que não se verificou no caso.
Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, a sentença condenatória estabilizada e fundada em prova minimamente consistente não pode ser rescindida mediante simples divergência interpretativa ou com base em prova nova frágil ou duvidosa.
IV. DISPOSITIVO E TESE
Revisão criminal improcedente.
Tese de julgamento:
Prova nova apta a amparar revisão criminal deve ser idônea, segura e capaz de desconstituir de forma clara e contundente o conjunto probatório que embasou a condenação transitada em julgado.
A retratação posterior da vítima ou de informante, quando frágil, lacônica ou incompatível com suas declarações anteriores, não possui força suficiente para afastar condenação fundada em provas firmes produzidas na ação penal originária.
A revisão criminal não se presta ao reexame de provas já analisadas pelas instâncias ordinárias, nem à substituição de interpretação razoável da prova adotada no julgamento condenatório.
Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 6 (seis) anos de reclusão, em regime semiaberto, pela prática do delito previsto no art. 213, caput, do Código Penal, bem como pela contravenção penal do art. 21 do Decreto-Lei n. 3.688/41.
Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto não há suporte probatório suficiente para manter a condenação, devendo ser reconhecida a absolvição do paciente.
Alega que a vítima se retratou três vezes, durante o trâmite do recurso de apelação por declaração escrita, por ata notarial lavrada após o trânsito em julgado e em juízo na ação de justificação criminal, negando integralmente a denúncia.
Argumenta que o informante, irmão da vítima, também se retratou em juízo na justificação criminal, após a leitura integral da denúncia pela defesa, afirmando que havia mentido para incriminar o paciente.
Defende que a ata notarial comprova extorsão praticada pela vítima contra o paciente, reforçando a ausência de credibilidade dos relatos incriminadores que embasaram a condenação.
Expõe que a controvérsia não demanda revolvimento fático-probatório, pois as instâncias ordinárias reconheceram as retratações e os elementos apresentados, sendo necessária apenas a revaloração jurídica para afastar o decreto condenatório por insuficiência de provas.
Requer, liminarmente e no mérito, a absolvição do paciente.
É o relatório.
Decido.
A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020).
Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício.
Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação para afastar a tese de absolvição:
Contudo, ainda assim, em Plenário, após a sustentação oral defensiva, tenho que a revisão criminal é improcedente, uma vez que as provas colhidas em justificação criminal não trouxeram fatos novos e/ou capazes de desconstituir as provas produzidas na ação penal.
No caso dos autos, a condenação do requerente não está embasada unicamente nas declarações da vítima, e sim em robusto arcabouço probatório, especialmente nas circunstâncias fáticas e nas declarações dos informantes.
Em sede de justificação criminal, a vítima afirmou que mentiu e que os abusos não aconteceram, todavia, foi deveras sucinta, limitando-se a dizer que no dia dos fatos ocorreu "só agressão", sem dar maiores detalhes sobre a mudança de versão e o motivo pelo qual teria mentido.
Outrossim, as reproduções de p. 193-194; 255-256, sequer foram submetidas à perícia, de maneira que sua veracidade não se fez corroborada.
Por outro lado, ao prestar as declarações nos autos da ação penal originária, a vítima narrou, de maneira firme e coerente, toda a dinâmica como os fatos ocorreram.
[...]
Não se olvida, ainda, que a condenação de [...] na ação penal originária levou em consideração as declarações do informante [...], o qual afirmou em juízo que a vítima lhe disse que [...] havia passado a mão em seu corpo.
Diante desse cenário, verifica-se que os depoimentos colhidos em justificação criminal não possuem segurança para fragilizar o decreto condenatório, muito menos para comprovar a inocência do sentenciado, motivo pelo qual deve ser mantida a condenação proferida.
[...]
A Srª Desª Elizabete Anache (Revisor)
Acompanho integralmente o voto do relator, acrescentando algumas considerações que, a meu ver, reforçam a conclusão alcançada.
[...]
Conforme se extrai do documento, a ata notarial limita-se a transcrever supostas mensagens trocadas em rede social entre o requerente e a vítima, a partir de imagens apresentadas unilateralmente pela parte interessada à tabeliã.
É fundamental frisar que a improcedência desta revisional não lança qualquer dúvida sobre a fé pública da serventuária ou do ato notarial em si. O que se questiona é a força probante do material que serviu de base para a sua lavratura. As capturas de tela das supostas conversas foram exibidas à tabeliã sem que tivessem sido submetidas a qualquer tipo de perícia técnica, seja nos aparelhos celulares, seja nas contas do aplicativo de mensagens. Não se sabe nem mesmo se a vítima é a titular da conta na rede social.
Em outras palavras, não houve a indispensável aferição da autenticidade e da integridade do diálogo ali retratado, o que impede a verificação de que o conteúdo não foi adulterado, editado ou que mensagens não foram suprimidas.
[...]
Ademais, não há corroboração inequívoca de seu conteúdo, pois a vítima, ouvida em audiência de justificação (f. 6861) em 14/05/2025, apresentou um depoimento vago e superficial, tendo mencionado que mentiu, mas sem detalhar os motivos, e mencionou que houve "só agressão", sem especificar a natureza dos atos. Observo que a vítima não foi inquirida especificamente sobre as referidas mensagens, o que impossibilita a confirmação de seu conteúdo e contexto, frustrando o exercício do contraditório sobre a "prova nova".
[...]
A ata notarial, embora útil, não supre a necessidade de verificação da integridade da prova digital. Ela atesta que a tabeliã viu determinada imagem em um dispositivo, mas não pode garantir que aquela imagem corresponde à realidade dos fatos, ou seja, que a conversa não foi alterada. A ausência de uma perícia técnica que analise os dados e a origem do arquivo digital compromete a chamada cadeia de custódia da prova, requisito essencial para sua admissibilidade no processo penal (fls. 148-153, grifo meu).
Segundo jurisprudência firmada no Superior Tribunal de Justiça "nos delitos sexuais, a retratação da vítima, em ação de justificação, não conduz necessariamente à absolvição, especialmente quando o novo depoimento estiver dissociado das demais provas dos autos" (AgRg no AREsp n. 2.462.400/SC, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 19.2.2024).
Na espécie, pelo trecho do julgado acima transcrito, verifica-se que a instância de origem concluiu pela existência de elementos concretos para manutenção da condenação do paciente e, para concluir em sentido diverso, acolhendo a tese absolutória, seria necessário o revolvimento de todo o conjunto fático-probatório, providência inadmissível na via estreita do habeas corpus.
Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados desta Corte: HC n. 1.016.261/PE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 15.9.2025; EDcl no AgRg no AREsp n. 2.592.140/RS, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 11.10.2024.
Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício.
Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.