Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (IMPETRADO), 1. LUCIENE BUENO AUGUSTINHO TRIGOLO AMORIM (IMPETRANTE)
- Advogado
- LUCIENE BUENO AUGUSTINHO TRIGOLO AMORIM (OAB 394933/SP)
HC 1005321/SP (2025/0182314-0)RELATOR:MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZIMPETRANTE:LUCIENE BUENO AUGUSTINHO TRIGOLO AMORIMADVOGADO:LUCIENE BUENO AUGUSTINHO TRIGOLO AMORIM - SP394933IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:ISAIAS DOS SANTOS ALMEIDAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
DECISÃO
ISAIAS DOS SANTOS ALMEIDA alega sofrer constrangimento ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal a quo no Agravo em Execução n. 0003939-06.2025.8.26.0521, em que foi cassada a decisão “que promoveu o agravado [...] ao regime aberto” (fl. 23).
Assere a defesa que “[o] acórdão citado, justifica a gravidade do delito para cassar a decisão e dar provimento ao agravo em execução, porém já é pacificado nos Tribunais Superiores que justificativas como gravidade do delito ou longa pena a cumprir não são motivações idôneas para se justificar a propositura do exame criminológico” (fl. 3).
Na hipótese, apontou a Corte de origem que “emerge dos autos (fl. 18) que o agravado cumpre elevada pena por homicídio qualificado e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, bem como possui histórico prisional desfavorável (anotação de falta grave, consistente em desrespeito a servidor penitenciário), peculiaridades que, de per si, recomendam avaliação aprofundada do mérito carcerário, por meio de exame criminológico” (fl. 26, grifei).
A esse respeito, urge consignar que, “[a]ntes da Lei nº 14.843/2024, embora o exame criminológico não fosse requisito obrigatório para a progressão do regime prisional, em hipóteses excepcionais, os Tribunais Superiores admitiam a sua realização para a aferição do requisito subjetivo do apenado” (AgRg no HC n. 901.317/AL, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 6/9/2024.)
Entretanto, a possibilidade de manejo do referido laudo pericial estava condicionada ao apontamento de aspectos atinentes ao curso da execução penal que justificassem a produção do exame criminológico. Tal compreensão resultou na adoção pelo Superior Tribunal de Justiça da Súmula n. 439, segundo a qual “[a]dmite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso, desde que em decisão motivada”.
Tal cenário foi profundamente modificado pela promulgação da , a qual promoveu a alteração dos requisitos necessários à progressão de regime. Após a alteração legislativa, estabeleceu-se que, “[e]m todos os casos, o apenado somente terá direito à progressão de regime se ostentar boa conduta carcerária, comprovada pelo diretor do estabelecimento, e pelos resultados do exame criminológico, respeitadas as normas que vedam a progressão” (, da Lei de Execução Penal).
