Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO (IMPETRADO), 1. DEYVID NEVES DELBOM (IMPETRANTE)
- Advogado
- DEYVID NEVES DELBOM (OAB 23070/MT)
HC 1005450/MT (2025/0183158-1)RELATOR:MINISTRO OTÁVIO DE ALMEIDA TOLEDO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJSP)IMPETRANTE:DEYVID NEVES DELBOMADVOGADO:DEYVID NEVES DELBOM - MT023070BIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSOPACIENTE:A F DA SINTERESSADO:MINISTERIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de A F DA S contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MATO GROSSO proferido na Apelação Criminal n. 0002048-07.2014.8.11.0018.
Consta nos autos que o paciente foi condenado à pena de 18 (dezoito) anos de reclusão, em regime inicial fechado, pela prática do delito previsto no art. 217-A do Código Penal. O Tribunal de origem deu parcial provimento ao recurso de apelação interposto pela Defesa:
a fim de reduzir a fração do crime continuado para 1/5 (um quinto) e, por conseguinte, reajustar a pena final do apelante para 14 (quatorze) anos, 04 (quatro) meses e 24 (vinte e quatro) dias de reclusão, no regime inicial fechado, mantendo-se inalterada, nos demais termos, a r. sentença proferida pelo d. Juízo da Terceira Vara da Comarca de Juara/MT na ação penal n.º 0002048-07.2014.8.11.0018 (fl. 27).
O impetrante sustenta a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto a condenação é desprovida de amparo probatório concreto, baseada unicamente em declarações tardias das supostas vítimas, prestadas anos após os supostos fatos, sem qualquer corroboração externa, técnica ou testemunhal independente.
Assevera que a jurisprudência do STJ estabelece que a palavra da vítima, por si só, não é suficiente para embasar um juízo condenatório, se não corroborada por outros elementos probatórios e que há possibilidade concreta de falsas memórias em depoimentos infantis, especialmente quando há sugestão externa ou quando o relato é repetido com reforços afetivos.
Argumenta a inaplicabilidade da causa de aumento prevista no art. 226, II, do Código Penal, por não haver comprovação de ascendência moral ou afetiva entre o paciente e as vítimas e também é indevida a aplicação do art. 71 do Código Penal, por ausência de descrição pormenorizada dos supostos episódios que impeça o aumento de pena.
