Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (IMPETRADO), 1. LARISSA CRISTINE SILVA PIERAZO (IMPETRANTE)
- Advogado
- LARISSA CRISTINE SILVA PIERAZO (OAB 440563/SP)
HC 1098406/SP (2026/0194788-0)RELATOR:MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZIMPETRANTE:LARISSA CRISTINE SILVA PIERAZOADVOGADO:LARISSA CRISTINE SILVA PIERAZO - SP440563IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:KAYQUI JUNIOR LELLIS DA SILVAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
DECISÃO
KAYQUI JUNIOR LELLIS DA SILVA alega sofrer coação ilegal diante de acórdão do Tribunal de origem, proferido nos autos do Agravo em Execução Penal n. 0006591-26.2025.8.26.0996.
Consta da impetração que o reeducando foi submetido a procedimento administrativo disciplinar para apuração de evento ocorrido em 11/9/2024, na Penitenciária de Marília/SP.
Segundo a defesa, o comunicado registrou que, no momento da saída dos sentenciados para banho de sol, o paciente estaria com a barba por fazer, em desacordo com as normas da unidade. O servidor teria determinado que ele retornasse à cela para fazer a barba, ocasião em que o preso teria se recusado, afirmado que iria ao pátio de sol e, posteriormente, dito: “desta vez está um a zero para vocês, mas isso não vai ficar assim”.
A impetrante sustenta que, em sua oitiva, o paciente negou ter desobedecido, desrespeitado ou ameaçado os servidores.
A defesa relata que o Juízo da Execução Penal desclassificou a conduta para falta disciplinar de natureza média, por entender que o fato se amoldaria ao art. 45, XX, da Resolução SAP n. 144/2010, consistente em “mostrar displicência no cumprimento do sinal convencional de recolhimento ou formação”.
Inconformado, o Ministério Público interpôs agravo em execução e o Tribunal de Justiça reconheceu a prática de falta grave, com fundamento no art. 50, VI, da Lei de Execução Penal, e determinou a perda de 1/3 dos dias remidos e a interrupção do lapso temporal para progressão de regime.
A impetrante sustenta que a conduta atribuída ao paciente, quando muito, configuraria infração administrativa de natureza média. Alega que o Tribunal de origem utilizou fundamentação genérica, baseada em expressões como “rebeldia” e “insubordinação”, sem demonstrar risco concreto ou consequência efetiva à disciplina carcerária. Sustenta, ainda, que o rol das faltas graves previsto nos e 52 da LEP é taxativo e não admite ampliação por analogia em prejuízo do sentenciado.
