Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (IMPETRADO), 1. LILA MARIA FERNANDES RODRIGUES NERY (IMPETRANTE)
- Advogados
- ANTONIO ANDRADE RODRIGUES (OAB 074426/SP), LILA MARIA FERNANDES RODRIGUES NERY (OAB 370953/SP)
HC 1007823/SP (2025/0199078-5)RELATOR:MINISTRO MESSOD AZULAY NETOIMPETRANTE:LILA MARIA FERNANDES RODRIGUES NERYADVOGADOS:ANTONIO ANDRADE RODRIGUES - SP074426LILA MARIA FERNANDES RODRIGUES NERY - SP370953IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:RODRIGO AMARAL GONCALVESINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de RODRIGO AMARAL GONCALVES em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO.
Depreende-se dos autos que o paciente encontra-se preso em flagrante desde 22/05/2025, acusado da prática do crime descrito no art. 217-A do Código Penal, em razão de uma relação sexual que teria sido consensual com C. B. S., supostamente diagnosticada com esquizofrenia.
A defesa sustenta que a prisão preventiva imposta ao paciente é manifestamente ilegal, pois carece de qualquer fundamento concreto nos termos do art. 312 do Código de Processo Penal, limitando-se a repisar a gravidade abstrata do delito imputado, sem demonstrar periculum libertatis ou qualquer risco real à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal.
Afirma que a decretação da prisão preventiva sem a demonstração de fatos atuais ou riscos concretos viola o princípio da contemporaneidade, conforme estabelecido no art. 312, §2º, do Código de Processo Penal.
Alega ainda a defesa que há ausência de qualquer laudo pericial que ateste a incapacidade absoluta da vítima por enfermidade mental, elemento indispensável à configuração do tipo penal insculpido no art. 217-A do Código Penal, além de indícios robustos de erro de tipo essencial, a afastar por completo a presença de dolo.
Destaca que o paciente é primário, com bons antecedentes, residência fixa e ocupação lícita, e faz uso contínuo de medicamentos controlados, em razão de tentativa anterior de suicídio, situação que torna a permanência no cárcere gravemente danosa e desproporcional, além de potencialmente letal.
