Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PÚBLICO
- Classe
- CONFLITO DE COMPETÊNCIA
- Destinatários
- 1. JUÍZO DE DIREITO DA 12A VARA DE FAZENDA PÚBLICA DO RIO DE JANEIRO - RJ (SUSCITANTE), 2. JUÍZO DE DIREITO DA 1A VARA DE FAZENDA PÚBLICA DE CIANORTE - PR (SUSCITADO)
- Advogado
- SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS
CC 222139/RJ (2026/0221612-4)RELATOR:MINISTRO SÉRGIO KUKINASUSCITANTE:JUÍZO DE DIREITO DA 12A VARA DE FAZENDA PÚBLICA DO RIO DE JANEIRO - RJSUSCITADO:JUÍZO DE DIREITO DA 1A VARA DE FAZENDA PÚBLICA DE CIANORTE - PRINTERESSADO:MUNICIPIO DE CIANORTEADVOGADO:SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS - SE000000MINTERESSADO:JUDITH REDINGER
DECISÃO
Trata-se de conflito negativo de competência suscitado pelo Juízo de Direito da 12ª Vara de Fazenda Pública da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro em face do Juízo de Direito da 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Cianorte/PR, nos autos de execução fiscal ajuizada pelo Município de Cianorte/PR contra Judith Redinger, para cobrança de dívida de IPTU.
A execução fiscal foi distribuída ao Juízo da 1ª Vara da Fazenda Pública de Cianorte/PR. Ao apreciar a competência, acolhendo alegação da devedora, o referido Juízo entendeu que o artigo 46, § 5º, do CPC determina que a execução fiscal seja proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no local em que for encontrado. Como a executada residiria no Rio de Janeiro/RJ, remeteu os autos à Comarca da Capital daquele Estado.
O Juízo da 12ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro, ao receber os autos, discordou da declinação e suscitou o presente conflito. Para o Juízo suscitante, a execução fiscal foi proposta por Município paranaense para cobrança de crédito tributário relacionado a imóvel localizado em Cianorte/PR, razão pela qual a competência não poderia ser deslocada para órgão jurisdicional de outro Estado apenas em razão do domicílio da executada. Sustentou que a jurisdição estadual deve respeitar os limites territoriais do respectivo ente federativo e que não cabe ao Judiciário fluminense processar demanda envolvendo crédito tributário de Município situado no Paraná, o que seria, inclusive, interditado por precedente do STF.
Defendeu, ainda, que o artigo 46, § 5º, do Código de Processo Civil deve ser interpretado em conjunto com o artigo 781 do mesmo diploma, que autoriza o ajuizamento da execução no foro do lugar em que ocorreu o fato que deu origem ao título. Nessa perspectiva, nas execuções fiscais ajuizadas por entes municipais ou estaduais, seria possível o processamento no foro do local do fato gerador da dívida, especialmente quando o crédito decorre de imóvel situado no território do ente exequente.
