SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (IMPETRADO), 1. MARIANGELA DE JESUS PURCINO (IMPETRANTE)
Advogado
MARIÂNGELA DE JESUS PURCINO (OAB 176590/MG)
HC 1030125/SP (2025/0321935-8)RELATOR:MINISTRO JOEL ILAN PACIORNIKIMPETRANTE:MARIANGELA DE JESUS PURCINOADVOGADO:MARIÂNGELA DE JESUS PURCINO - MG176590IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:SANDRA CORREA ROTACORRÉU:CARLOS ROBERTO PORFIRIO DA SILVACORRÉU:JEFERSON SILVA DE SOUZACORRÉU:JEFERSON SILVA MOURACORRÉU:DEJACIR FIALHO DE CARVALHOCORRÉU:FABRICIO DE SÁ SOUZACORRÉU:FABRICIO DE SA SOUZA SILVACORRÉU:JOSE PAULINO TEIXEIRA NETTOCORRÉU:JOSE PAULINO TEIXEIRA NETOINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em benefício de SANDRA CORREA ROTA, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO no julgamento do Habeas Corpus Criminal n. 2099304-64.2025.8.26.0000.
Extrai-se dos autos que a paciente foi condenada à pena de 6 anos, 2 meses e 11 dias de reclusão, em regime inicial fechado, e pagamento de 35 dias-multa, pela prática dos delitos previstos no art. 2º, caput e § 3º, da Lei n. 12.850/2013, e no art. 171, caput, do Código Penal - CP.
O recurso de apelação interposto pela defesa foi parcialmente provido para readequação de pena, com reconhecimento de continuidade delitiva para os crimes de estelionato, ficando a pena definitiva em 5 anos, 1 mês e 1 dia de reclusão e 25 dias-multa.
Após o trânsito em julgado, o Magistrado singular julgou extinta a punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva quanto ao delito de estelionato e indeferiu os pedidos de suspensão do mandado de prisão, detração e abrandamento do regime prisional.
Irresignada, a defesa impetrou habeas corpus perante o Tribunal de origem, que conheceu em parte do writ e denegou a ordem nos termos do acórdão que restou assim ementado (fl. 71):
"Habeas Corpus substitutivo da revisão criminal. Pedido de abrandamento daquele regime fixado ao final do processo de conhecimento em virtude da prescrição retroativa de um dos crimes pelos quais a paciente restou condenada. Impossibilidade. Coisa julgada que não pode ser modificada pela via estreita do Habeas Corpus. Ademais, paciente que teve a reincidência reconhecida no processo de origem, circunstância que pode justificar a imposição de regime mais gravoso. Pedidos alternativos de reconhecimento da detração, remição pelo trabalho, cumprimento da pena em regime domiciliar ou monitoramento eletrônico. Pedidos que não comportam conhecimento uma vez que a sua apreciação compete ao Juízo das Execuções, perante o qual os pedidos ainda não foram apresentados, de modo que pronunciamento a este respeito representaria supressão de instância, inadmissível. Ordem conhecida em parte e na parte conhecida, denegada."
No presente writ, a defesa sustenta que a execução penal não pode ocorrer sem a devida instauração do processo de execução penal com a guia de recolhimento correta, e que a expedição de mandado de prisão sem a devida adequação da pena configura flagrante ilegalidade e excesso de execução.
Destaca a necessidade de detração penal, considerando o período de prisão provisória de 7 meses e 10 dias, o que alteraria o regime inicial de cumprimento da pena.
Enfatiza as circunstâncias pessoais humanitárias da apenada, que é a única responsável pelos cuidados de seu filho com graves limitações de saúde, justificando a análise de medidas menos gravosas.
Requer, em liminar, a suspensão do mandado de prisão, e, no mérito, a concessão da ordem para que seja realizada a detração penal e fixado o regime inicial aberto ou, subsidiariamente, o semiaberto. Subsidiariamente, postula a substituição por prisão domiciliar.
Solicita, ainda, a instauração do processo de execução penal, assegurando a expedição da guia de recolhimento devidamente atualizada, bem como a avaliação de todos os benefícios aplicáveis, abrangendo a remição da pena por meio do trabalho.
É o relatório.
Decido.
Diante da hipótese de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, a impetração não deve ser conhecida, segundo orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal e do próprio Superior Tribunal de Justiça.
Ademais, a possibilidade de análise da matéria para eventual concessão da ordem de ofício não se mostra adequada ao presente caso.
Da atenta leitura do acórdão impugnado verifica-se que o Tribunal de origem não se manifestou expressamente sobre a alegação de excesso de execução, os pedidos de detração penal e o abrandamento do regime prisional.
Desse modo, resta afastada a competência desta Corte Superior para conhecimento do feito, sob pena de incorrer em indevida supressão de instância.
Nesse sentido:
PENAL. PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ILEGALIDADE INEXISTENTE. OMISSÃO DEVE SER QUESTIONADA VIA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SUPRESSÃO. AINDA QUE NULIDADE ABSOLUTA. DESÍGNIOS AUTONOMOS. ABSORÇÃO. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. INVIABILIDADE NA VIA DO WRIT. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS NOVOS APTOS A ALTERAR A DECISÃO AGRAVADA. AGRAVO DESPROVIDO.
I - É assente nesta Corte Superior de Justiça que o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a decisão agravada por seus próprios fundamentos.
II - Ainda que a Defesa alegue que houve o prequestionamento implícito, porquanto ventilou a questão nas peças de defesa, todavia, ante a não manifestação daquela Corte, caberia o manejo dos embargos de declaração, aptos a prequestionar a matéria.
III - Ausente manifestação do Tribunal sobre a questão de fundo também ora vindicada, incabível a análise de tal matéria, no presente habeas corpus, porquanto está configurada a absoluta supressão de instância quanto ao ponto debatido, ficando impedida esta Corte de proceder à sua análise.
IV - A instância ordinária, diante do conjunto fático-probatório dos autos, concluiu por provas suficientes à condenação pelos 2 (dois) delitos, como sendo autônomos, bem como a defesa não logrou demonstrar o contrário.
V - É iterativa a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça no sentido de ser imprópria a via do habeas corpus (e do seu recurso) para a análise de teses de insuficiência probatória, de negativa de autoria ou até mesmo de desclassificação, em razão da necessidade de incursão no acervo fático-probatório.
Agravo regimental desprovido.
(AgRg no HC n. 823.044/DF, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 20/12/2023.)
AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. ROUBO CIRCUNSTANCIADO. WRIT IMPETRADO CONTRA CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL. INADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE JULGAMENTO DE MÉRITO NESTA CORTE. INCOMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. TEMAS NÃO DEBATIDOS PELA CORTE DE ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. TEMAS DEBATIDOS EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE FLAGRANTE.
1. Não deve ser conhecido o writ que se volta contra sentença condenatória já transitada em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte Superior. Nos termos do art. 105, I, e, da Constituição Federal, compete ao Superior Tribunal de Justiça processar e julgar, originariamente, as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados. Precedentes.
2. A Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça "é pacífica no sentido de que, ainda que se trate de matéria de ordem pública, é imprescindível o seu prévio debate na instância de origem para que possa ser examinada por este Tribunal Superior (AgRg no HC 530.904/PR, Rel. Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 24/9/2019, DJe de 10/10/2019) - (AgRg no HC n. 726.326/CE, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 28/3/2022).
3. Quanto aos temas efetivamente debatidos pela Corte de origem, verifica-se que não há qualquer ilegalidade flagrante a ser sanada, na medida em que o acórdão objurgado se encontra em consonância com a jurisprudência desta Corte, no sentido de que as condenações alcançadas pelo período depurador de 5 anos, previsto no art. 64, inciso I, do Código Penal, afastam os efeitos da reincidência, mas não impedem a configuração de maus antecedentes, permitindo, assim, o aumento da pena-base; bem como de que para a incidência da causa de aumento relativa ao emprego de arma de fogo, dispensável a apreensão e perícia da arma, desde que o emprego do artefato fique comprovado por outros meios de prova. Precedentes.
3. Agravo regimental improvido.
(AgRg no HC n. 842.953/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 6/2/2024, DJe de 8/2/2024.)
Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, indefiro liminarmente o presente habeas corpus.
Publique-se.
Intimem-se.
Relator
JOEL ILAN PACIORNIK
Órgão
SECRETARIA JUDICIÁRIA
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (IMPETRADO), 1. MARIANGELA DE JESUS PURCINO (IMPETRANTE)
Advogado
MARIÂNGELA DE JESUS PURCINO (OAB 176590/MG)
HC 1030125/SP (2025/0321935-8)RELATOR:MINISTRO JOEL ILAN PACIORNIKIMPETRANTE:MARIANGELA DE JESUS PURCINOADVOGADO:MARIÂNGELA DE JESUS PURCINO - MG176590IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:SANDRA CORREA ROTACORRÉU:CARLOS ROBERTO PORFIRIO DA SILVACORRÉU:JEFERSON SILVA DE SOUZACORRÉU:JEFERSON SILVA MOURACORRÉU:DEJACIR FIALHO DE CARVALHOCORRÉU:FABRICIO DE SÁ SOUZACORRÉU:FABRICIO DE SA SOUZA SILVACORRÉU:JOSE PAULINO TEIXEIRA NETTOCORRÉU:JOSE PAULINO TEIXEIRA NETOINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULOProcesso distribuído pelo sistema automático em 28/08/2025.
Órgão
SECRETARIA JUDICIÁRIA
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (IMPETRADO), 1. MARIANGELA DE JESUS PURCINO (IMPETRANTE)
Advogado
MARIÂNGELA DE JESUS PURCINO (OAB 176590/MG)
HC 1030125/SP (2025/0321935-8)RELATOR:MINISTRO PRESIDENTE DO STJIMPETRANTE:MARIANGELA DE JESUS PURCINOADVOGADO:MARIÂNGELA DE JESUS PURCINO - MG176590IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:SANDRA CORREA ROTACORRÉU:CARLOS ROBERTO PORFIRIO DA SILVACORRÉU:JEFERSON SILVA DE SOUZACORRÉU:JEFERSON SILVA MOURACORRÉU:DEJACIR FIALHO DE CARVALHOCORRÉU:FABRICIO DE SÁ SOUZACORRÉU:FABRICIO DE SA SOUZA SILVACORRÉU:JOSE PAULINO TEIXEIRA NETTOCORRÉU:JOSE PAULINO TEIXEIRA NETOINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULOProcesso distribuído pelo sistema automático em 27/08/2025.