Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (IMPETRADO), 1. DANIEL APARECIDO RANZATTO (IMPETRANTE)
- Advogados
- DANIEL APARECIDO RANZATTO (OAB 124651/SP), CAMILLA DE GODOI RANZATTO (OAB 368544/SP)
HC 1031308/SP (2025/0329193-2)RELATOR:MINISTRO CARLOS PIRES BRANDÃOIMPETRANTE:DANIEL APARECIDO RANZATTOADVOGADOS:DANIEL APARECIDO RANZATTO - SP124651CAMILLA DE GODOI RANZATTO - SP368544IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:CRISTIANO APARECIDO CORREAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
DECISÃO
Cuida-se de habeas corpus, com pedido de liminar impetrado em favor de CRISTIANO APARECIDO CORREA, em que se aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, no julgamento do Agravo de Execução Penal n. 0006665-50.2025.8.26.0521.
Consta dos autos que o paciente cumpre pena unificada de 10 (dez) anos, 02 (dois) meses e 15 (quinze) dias de reclusão, pela prática do crime de associação para o tráfico e organização criminosa cometidos em data anterior à vigência da Lei n. 14.843 /2024, com término previsto para 29.02.2028 (fl. 10).
A defesa relata que o Ministério Público interpôs agravo em execução penal contra a decisão que concedeu a progressão ao regime aberto, o qual foi provido pelo TJSP, determinando o retorno do paciente ao regime semiaberto para realização de exame criminológico, com posterior reexame do pedido de progressão de regime.
Sustenta que a exigência de exame criminológico, instituída pela Lei n. 14.843 /2024, não pode ser aplicada retroativamente a delitos cometidos antes de sua vigência, por configurar novatio legis in pejus, em afronta ao art. 5º, XL, da Constituição Federal e ao art. 2º do Código Penal.
Afirma que o paciente já teria cumprido cerca de 70% da pena, além de estar em liberdade há 04 (quatro) meses sem qualquer intercorrência.
Alega que a decisão que determinou a regressão de regime e a realização do exame criminológico violaria o princípio da presunção de inocência, pois um dos processos que embasa a execução penal ainda não teria sido julgado em grau de apelação.
Requer, ao final, a concessão liminar da ordem para manter o paciente no regime aberto, declarando-se a irretroatividade da e afastando-se a exigência de exame criminológico; subsidiariamente, pugna para que seja atribuído efeito suspensivo ao acórdão do TJSP até o trânsito em julgado, impedindo a regressão do paciente ao regime semiaberto.
