Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (REQUERIDO), 3. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO AMAZONAS (REQUERIDO), 4. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO AMAZONAS (IMPETRADO), 1. M DE O A (REQUERENTE)
- Advogado
- DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO AMAZONAS
PET na HC 1064476/AM (2025/0511312-6)RELATORA:MINISTRA MARIA MARLUCE CALDASREQUERENTE:M DE O AADVOGADO:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO AMAZONASREQUERIDO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALREQUERIDO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO AMAZONASIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO AMAZONAS
DECISÃO
Trata-se de Habeas Corpus, com pedido de medida liminar, impetrado pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas em favor de M. de O. A., no qual se aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, em razão de decisão que postergou a análise de pedido liminar em ação constitucional originária para momento posterior à prestação de informações pelo Juízo de primeiro grau (e-STJ Fl. 12).
A narrativa fática apresentada nos autos demonstra que o paciente, pertencente a comunidade indígena, foi inicialmente representado pelo Ministério Público do Estado do Amazonas pela suposta prática de atos infracionais análogos a crimes contra a vida, fatos ocorridos em 9 de outubro de 2025, na sua comunidade de origem. Diante da gravidade do contexto e do risco à integridade física do próprio adolescente, o Juízo da Comarca de Barreirinha determinou a sua internação provisória, com posterior transferência para a Unidade de Internação Provisória na cidade de Manaus (UIP).
No decorrer do processo originário de apuração de ato infracional (autos nº 0001973-79.2025.8.04.2700), foi instaurado incidente de insanidade mental. Conforme o laudo médico psiquiátrico acostado aos autos, constatou-se que o paciente era portador de enfermidade mental e não possuía, ao tempo dos fatos, capacidade de compreender a ilicitude de sua conduta. Diante desse diagnóstico técnico, o Juízo de primeiro grau julgou procedente o incidente de insanidade e, por consequência, julgou improcedente a representação por ato infracional, declarando a inimputabilidade do adolescente.
Apesar do encerramento do processo infracional, o magistrado de primeiro grau determinou a aplicação de medida de proteção consistente em tratamento psiquiátrico, com fundamento no Estatuto da Criança e do Adolescente. Contudo, devido à ausência de estabelecimento de saúde adequado para o recebimento do jovem indígena e ao manifesto risco de morte caso retornasse à sua comunidade, o Juízo determinou a permanência excepcional e provisória do paciente nas dependências da Unidade de Internação Provisória de Manaus, até que o Poder Público indicasse um local apropriado para o tratamento de saúde.
