Publicacao/Comunicacao
Intimação - DESPACHO
HC 796730/RJ (2023/0008039-6)
RELATOR: MINISTRO OTÁVIO DE ALMEIDA TOLEDO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJSP)
IMPETRANTE: DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
ADVOGADO: DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
IMPETRADO: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
PACIENTE: RAFAEL FREITAS DE ANDRADE
PACIENTE: FABIO ALEXANDRE DE OLIVEIRA
CORRÉU: ROMULO DE SOUZA RODRIGUES
CORRÉU: REINALDO MEDEIROS IGNACIO
CORRÉU: MONIQUE PEREIRA DE ALMEIDA
CORRÉU: RAFAEL NEVES MEDEIROS IGNACIO
CORRÉU: REINALDO MEDEIROS IGNACIO JUNIOR
CORRÉU: ANDERSON RODRIGUES DE FRANCA
CORRÉU: JAQUELINE TAVARES MEDEIROS
CORRÉU: JANDIRA TAVARES
CORRÉU: ANA MARY TAVARES MEDEIROS
CORRÉU: HENRIQUE PEREIRA BEZERRA
CORRÉU: LUIS PAULO DA SILVA PASSOS
CORRÉU: JESSICA SIQUEIRA FERREIRA
CORRÉU: ADRIANO SILVA DA CRUZ
CORRÉU: ANA CAROLINA FREIRE DE OLIVEIRA
CORRÉU: GABRIELLA LIMA ESTEVES
CORRÉU: PAULO ANDRE FERREIRA DO NASCIMENTO
CORRÉU: WESLEYANA CRISTINA SODRE LEITE
CORRÉU: LEANDRO SIQUEIRA FERREIRA
CORRÉU: ALEXANDRE RODRIGUES MEDEIROS
CORRÉU: MARCELLO DE ANDRADE
CORRÉU: LEONARDO DA SILVA CONCEICAO
CORRÉU: CLAUDENOR ESTEVAO DE MORAIS
CORRÉU: WANDERSON MARINS DINELLY
CORRÉU: MARCOS SANTANA DA CONCEICAO
CORRÉU: DIEGO ANDRADE COELHO
CORRÉU: YAN PIEDADE DA SILVA MELLO
CORRÉU: BISMARCK SOUZA DA SILVA
CORRÉU: BRENDO MARTINS CARVALHO DA SILVA
CORRÉU: RODRIGO RUTHES SODRE
CORRÉU: LEONARDO RUTHES SODRE
CORRÉU: JORGE LUIZ SILVA DA CONCEICAO
CORRÉU: MICHEL SILVA DA CONCEICAO
CORRÉU: MARCELO SIQUEIRA FERREIRA
CORRÉU: EDUARDO LUIZ BADEGA ALEXANDRE
CORRÉU: VINICIUS DA SILVA DO VALLE
CORRÉU: IAN DE FREITAS SANTOS
CORRÉU: JEAN DE FREITAS SANTOS
CORRÉU: JOÃO ANTÔNIO BRAGA
CORRÉU: LUIZ GUSTAVO MONJE DA ROSA
CORRÉU: HELTON FERNANDO MARTINS VICENTE
CORRÉU: FABIANO ANTONIO SODRE LEITE
CORRÉU: WANDER ANTONIO SODRE LEITE
CORRÉU: ADEILDO SILVA DE ARAUJO
CORRÉU: LUIZ HENRIQUE SOARES
CORRÉU: WASHINGTON MARINS SANTOS
CORRÉU: URIEL DA SILVA SANTOS
CORRÉU: DEYVID PINTO COSTA
CORRÉU: JEFFERSON DA COSTA RIBEIRO DE SOUZA
CORRÉU: JULIANO MARTINS DOS SANTOS
CORRÉU: MARLON SILVA GOMES COSTA
CORRÉU: GILBERTO HENRIQUE FIGUEIREDO
CORRÉU: NEIR PINHEIRO NASCIMENTO JUNIOR
CORRÉU: PAULO VICTOR COSTA ANGELO
CORRÉU: MAYCON LEANDRO
CORRÉU: REINALDO RIBEIRO DE ALMEIDA FILHO
CORRÉU: FELLIPE ESPINDOLA RODRIGUES
CORRÉU: FILIPE MONTEIRO GLICERIO
CORRÉU: ANDRE FELIPE DE ARAUJO RODRIGUES
CORRÉU: WELINGTON DA SILVA OLIVEIRA
CORRÉU: WANDO DA SILVA ROZA
CORRÉU: JOAO RAFAEL MARINS DE SOUZA
CORRÉU: ADALBERTO DA CONCEICAO
CORRÉU: YURI MEDEIROS KRASNOWOLSKI
CORRÉU: UYRY MEDEIROS KRASNOWOLSKI
CORRÉU: JOICE KELLI OLIVEIRA DE MOURA
CORRÉU: VALERIA DA SILVA OLIVEIRA
CORRÉU: CAIO FABIO MADUREIRA DE ANDRADE
CORRÉU: RODRIGO DAMASCENO SILVA
CORRÉU: ROSEANE SILVA DOS SANTOS CARVALHO
CORRÉU: CLEBER DE OLIVEIRA
CORRÉU: NARCISO CESARIO STOCCO
CORRÉU: GISELE ANGELO VICENTE
CORRÉU: ESTEPHANI NUNES DA SILVA
CORRÉU: ROMARIO SOUSA VIEIRA
CORRÉU: LUIZ FELIPE DA SILVA RIBEIRO
CORRÉU: LUIS CLAUDIO DE OLIVEIRA COSTA
CORRÉU: JOHN OLIVEIRA DE MOURA
CORRÉU: WAGNER LUIZ SANT'ANA LEITE
CORRÉU: JANDERSON DANTAS DA SILVA
CORRÉU: JEFFERSON ANDRE PEREIRA VASCONCELOS
CORRÉU: LUCIO MAURO CARNEIRO DOS PASSOS
CORRÉU: IGOR CARVALHO DOS SANTOS
INTERESSADO: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de RAFAEL FREITAS DE ANDRADE e FABIO ALEXANDRE DE OLIVEIRA, em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, na Apelação Criminal n. 0089471-60.2016.8.19.0002. Consta dos autos que os pacientes Rafael e Fábio Alexandre foram condenados pela prática do crime descrito no art. 35, c/c art. 40, incisos IV e VI, ambos da Lei n. 11.343/2006, às respectivas penas de 04 (quatro) anos e 08 (oito) meses de reclusão, em regime fechado, e 1.088 (um mil e oitenta e oito) dias-multa; e 05 (cinco) anos, 05 (cinco) meses e 10 (dez) dias de reclusão, em regime fechado, e 1.269 (um mil e duzentos e sessenta e nove) dias-multa. O Tribunal de origem negou provimento à apelação defensiva. Neste writ, a impetrante sustenta que as penas-base foram exasperadas sem justificativa idônea, argumentando que as circunstâncias e consequências do crime dizem respeito à gravidade abstrata do delito. Assinala que o paciente Rafael faz jus ao abrandamento do regime inicial, tendo em vista a necessária redução do quantum de pena definitivo. Requer liminarmente apenas no tocante ao paciente Rafael, a correção imediata do regime de cumprimento de pena, com transferência para local compatível com regime mais brando até o julgamento desta ação. No mérito, requer a revisão das dosimetrias das penas e a confirmação do pedido liminar. Liminar indeferida (fls. 238-241). Informações prestadas às fls. 246-294. O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do writ e, caso conhecido, pela denegação da ordem (fls. 296-303). É o relatório. DECIDO. Inicialmente, pontuo que esta Corte Superior, seguindo o entendimento do Supremo Tribunal Federal (AgRg no HC n. 180.365, Primeira Turma, rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/03/2020, e AgRg no HC n. 147.210, Segunda Turma, rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018), pacificou orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado (HC n. 535.063/SP, Terceira Seção, rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/06/2020). Na espécie, verifico que não há ilegalidade flagrante que justifique a concessão de habeas corpus de ofício, visto que, de acordo com o entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça, a dosimetria da pena insere-se dentro de um Juízo de discricionariedade do julgador, atrelado às particularidades fáticas do caso concreto e subjetivas do agente, somente passível de revisão por esta Corte no caso de inobservância dos parâmetros legais ou de flagrante desproporcionalidade (AgRg no HC n. 710.060/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 14/12/2021, DJe de 17/12/2021). No caso, o Tribunal de origem manteve a valoração negativa das circunstâncias judiciais concernentes às circunstâncias e consequências do crime, com base nas razões a seguir transcritas (fl. 53; grifamos): No caso dos autos, a pena base foi fixada nos seguintes termos: “1ª FASE: considerando as circunstâncias previstas no artigo 42, da Lei nº 11.343/06 e artigo 59 do Código Penal, verifico que o acusado é primário e de bons antecedentes. Não disponho de elementos seguros que me permitam afirmar negativamente sua personalidade ou conduta social. Não há que se falar em comportamento da vítima, já que o bem jurídico tutelado é a incolumidade pública. As circunstâncias e as consequências do crime, recomendam o agravamento da reprimenda. Como ficou assentado por ocasião do exame meritório, o réu integrava uma poderosa, complexa e violenta associação criminosa. Essa quadrilha, é importante notar, mantinha os seus pontos de venda concentrados em áreas carentes desta Comarca e, para tanto, subjugava as populações dessas localidades pela força. A abrangência e o poder econômico, por óbvio, constituem circunstâncias do delito e justificam uma elevação da pena base. É preciso considerar, por outro lado, a repercussão que a ação dessa quadrilha teve para os habitantes da cidade, sobretudo das comunidades submetidas ao seu domínio direto. Certamente, a associação criminosa de que o réu era membro, ao lado de exercer um poder contraposto ao Estado, aufere indevido e nefasto lucro financeiro ao preço da desgraça daqueles que se viciam no uso das drogas. Tais consequências, a meu sentir, determinam uma severa resposta penal, pelo que, aumento a pena base em 1/6. Com base nessas premissas, fixo a pena-base em 03 (três) anos e 06 (seis) meses de reclusão e 816 (oitocentos e dezesseis) dias-multa.” (sic) Assim, de fato, verifica-se que as circunstâncias e consequências do crime justificam o incremento da pena base no patamar operado na sentença, diante da complexidade da estruturação e poderio da facção criminosa, sendo inconteste a participação ativa dos apelantes neste contexto. Na situação destes autos, entendo que a exasperação da pena-base em razão da negativação das circunstâncias e consequências do crime está, de fato, fundamentada, tendo em vista o poder da extensão e complexidade da organização criminosa em que os réus integravam, transbordando elementos inerentes ao tipo penal. Por fim, quanto ao regime mais gravoso fixado ao paciente Rafael, destaca-se que [n]ão há ilegalidade na imposição de regime inicial fechado ao réu condenado a pena inferior a 8 anos se presente circunstância judicial desfavorável, nos termos dos arts. 33, §§ 2º, 'c', e 3º, e 59 do Código Penal (AgRg no HC n. 667.860/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 22/06/2021, DJe 28/06/2021). Ante o exposto, não conheço do pedido de habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. Relator
OTÁVIO DE ALMEIDA TOLEDO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJSP)