Publicacao/Comunicacao
Intimação - DESPACHO
HC 983386/SP (2025/0058253-2)
RELATOR: MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIRO
IMPETRANTE: CASSIA MARQUES DO LAGO
ADVOGADO: CÁSSIA MARQUES DO LAGO - SP501023
IMPETRADO: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
PACIENTE: TCHAI IANOV
CORRÉU: MARCIA APARECIDA GAICHI
INTERESSADO: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em benefício de TCHAI IANOV contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação Criminal n. 1513067-16.2024.8.26.0228). Depreende-se dos autos que o paciente foi condenado, pelo crime de roubo impróprio majorado, previsto no art. 157, § 1º, do Código Penal, às penas de 5 anos e 4 meses de reclusão, em regime inicial fechado, mais 13 dias-multa, no valor unitário mínimo. Nos termos da peça acusatória, o paciente, em concurso com outra pessoa, subtraiu produtos de uma drogaria e, após a subtração, empregou grave ameaça contra as funcionárias para assegurar a impunidade do crime e a detenção da coisa (e-STJ fl. 50). Contra o édito condenatório insurgiu-se a defesa. O Tribunal de origem negou provimento ao recurso de apelação, mantendo incólume a sentença condenatória, nos termos do acórdão assim ementado (e-STJ fls. 49/55): ROUBO IMPRÓPRIO MAJORADO. Concurso de pessoas. Prova robusta da materialidade, autoria e da causa de aumento. Impossibilidade de desclassificação para furto vítima que descreveu a grave ameaça empregada para assegurar a detenção da res ou impunidade do delito. Condenação mantida. Penas que não comportam redução. Básicas fixadas nos mínimos legais. Na segunda fase, compensada a agravante da reincidência e atenuante da confissão, ainda que qualificada. Na terceira fase, aumento de um terço pelo concurso de pessoas, que se mostra adequado. Regime fechado necessário. Concessão de prisão domiciliar à apelante Prejudicado, benesse já concedida em Primeira Instância e havendo trânsito em julgado o pedido deverá ser feito no Juízo das Execuções Criminais. Apelo desprovido. No presente habeas corpus, sustenta a defesa que a condenação é indevida, pois não houve violência ou grave ameaça que justificasse a tipificação do crime como roubo impróprio. Alega, ainda, a possibilidade de desclassificação do delito para o de furto, uma vez que a subtração não foi precedida de violência ou grave ameaça. Argumenta, ainda, que a pena-base deveria ser reduzida e o regime inicial abrandado. Diante dessas considerações, requer, inclusive liminarmente, a desclassificação da conduta para furto e a consequente revisão da pena imposta. É o relatório. Decido. O writ não merece conhecimento. O Superior Tribunal de Justiça, de longa data, vem buscando fixar balizas para a racionalização do uso do habeas corpus, visando a garantia não apenas do curso natural das ações ou revisões criminais mas também da efetiva priorização do objeto ínsito ao remédio heroico, qual seja, o de prevenir ou remediar lesão ou ameaça de lesão ao direito de locomoção. Nessa linha, esta Corte, em diversas ocasiões, já assentou a impossibilidade de impetração de habeas corpus em substituição à revisão criminal, quando já transitada em julgado a condenação do réu, posicionando-se no sentido de que "[n]ão deve ser conhecido o writ que se volta contra acórdão condenatório já transitado em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte" (HC n. 730.555/SC, relator Ministro Olindo Menezes, Desembargador convocado do TRF 1ª Região, Sexta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 15/8/2022). Nesse mesmo sentido, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO DUPLAMENTE MAJORADO TENTADO. INSURGÊNCIA CONTRA ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO. MANEJO DO WRIT COMO REVISÃO CRIMINAL. DESCABIMENTO. ILEGALIDADE FLAGRANTE NÃO DEMONSTRADA. REPRIMENDA INFERIOR A QUATRO ANOS. PENA-BASE FIXADA NO MÍNIMO LEGAL. REGIME MAIS GRAVOSO. POSSIBILIDADE. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA EVIDENCIADA. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. EFEITO DEVOLUTIVO AMPLO DO RECURSO DE APELAÇÃO. BIS IN IDEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PETIÇÃO INICIAL LIMINARMENTE INDEFERIDA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Não deve ser conhecido o writ que se volta contra acórdão já transitada em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte. Precedentes da Quinta e Sexta Turmas do Superior Tribunal de Justiça. [...] 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 751.156/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 18/8/2022, grifei.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS INDEFERIDO LIMINARMENTE. TRÁFICO DE DROGAS. ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO. DOSIMETRIA. SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. NÃO INAUGURADA A COMPETÊNCIA DO STJ. INADMISSIBILIDADE. AUMENTO DA PENA-BASE. ELEVADA QUANTIDADE DE DROGAS. PROPORCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no HC n. 751.137/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 2/8/2022, DJe de 4/8/2022, grifei.) No caso, a condenação do paciente transitou em julgado, de maneira que não se deve conhecer do writ que pretende a desconstituição do acórdão proferido pela Corte local, olvidando-se a parte de ajuizar a necessária revisão criminal antes de inaugurar a competência deste Tribunal Superior acerca da controvérsia. De toda forma, não se vislumbra ilegalidade flagrante apta a ser sanada na presente via, ainda que mediante a eventual concessão de habeas corpus de ofício. Ante o exposto, indefiro liminarmente a impetração. Publique-se. Intimem-se. Relator
ANTONIO SALDANHA PALHEIRO