Publicacao/Comunicacao
Intimação - DESPACHO
HC 932758/CE (2024/0280216-2)
RELATOR: MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ
IMPETRANTE: RENNIER MARTINS VASCONCELOS
ADVOGADO: RENNIER MARTINS VASCONCELOS - CE041823
IMPETRADO: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ
PACIENTE: JENNIFER LIMA BARBOSA
CORRÉU: ADRIEL DOS SANTOS VENANCIO
CORRÉU: ADRIELE DE LIMA GOMES
CORRÉU: AILTON FERREIRA CRUZ
CORRÉU: ALEXANDRE SILVA DE ARAUJO FILHO
CORRÉU: ALINE CUNHA MARTINS
CORRÉU: ANDRE LUIS BEZERRA DE SOUZA
CORRÉU: ANTONIO GERLANDO SAMPAIO VIANA
CORRÉU: ARLINDO NETO GADELHA MONTEIRO
CORRÉU: BENEDITO RUTHYE SOUSA LOPES
CORRÉU: CARLOS HENRIQUE LIMA COSTA
CORRÉU: CARLOS PIRES DE LIMA JUNIOR
CORRÉU: CLEILSON DA CONCEICAO DE SOUSA
CORRÉU: CLEONTE BARBOSA MORAIS
CORRÉU: DANIEL DIOGENES DOS SANTOS
CORRÉU: DANIELLE SOUSA DOS SANTOS
CORRÉU: DIEGO MONTEIRO MIRANDA DA SILVA
CORRÉU: ELIAS EZEQUIEL DA COSTA NUNES SILVA
CORRÉU: EMERSON DA SILVA DOS SANTOS
CORRÉU: FABIO HENRIQUE AVELINO CHERUBIM
CORRÉU: FLAVIO MARCIO DA SILVA OLIVEIRA
CORRÉU: FRANCISCA JAQUELINE DE MOURA SANTOS
CORRÉU: FRANCISCO AISLAN PAULINO DA SILVA
CORRÉU: FRANCISCO CAUA FREIRE FORTE
CORRÉU: FRANCISCO CILAS DE MOURA ARAUJO
CORRÉU: FRANCISCO DIEGO AVILA DE FREITAS
CORRÉU: FRANCISCO JAMERSON ALVES BARROS
CORRÉU: FRANCISCO LEANDRO DA SILVA RODRIGUES
CORRÉU: FRANCISCO NAILTON DOS SANTOS TAVARES
CORRÉU: FRANCISCO PAULO SERGIO DO CARMO DE MELO
CORRÉU: FRANCISCO VITOR DE ALMEIDA RODRIGUES
CORRÉU: GABRIEL FEITOSA DA SILVA
CORRÉU: GEAN MARQUES DA SILVA
CORRÉU: GELSON DO NASCIMENTO DA COSTA
CORRÉU: GLEISON DA SILVA ANDRADE
CORRÉU: GUILHERME FEITOSA DOS REIS
CORRÉU: GUILHERME SOUSA FERREIRA
CORRÉU: HELDERVAN BARBOSA DO NASCIMENTO
CORRÉU: HELLEN KETLY OLIVEIRA MARTINS
CORRÉU: JAQUELINE DOS SANTOS SILVA
CORRÉU: JESSICA DA SILVA GOMES
CORRÉU: JESSICA VIANA DE HOLANDA
CORRÉU: JOCELIO LUCAS SOUSA SILVA
CORRÉU: JORGE DA SILVA FILHO
CORRÉU: JOSE ADELBRAN GOMES DO NASCIMENTO
CORRÉU: JOSE BERNARDO DE MORAIS ALVES
CORRÉU: JOSE GERMANO DO NASCIMENTO DIAS FILHO
CORRÉU: JOSE GLAUBERTO TEIXEIRA DO NASCIMENTO
CORRÉU: JOSE LEANDRO DOS SANTOS GONCALVES
CORRÉU: JOSE THIAGO PINTO PEREIRA FORTE
CORRÉU: KILDARY WILLIAM CAVALCANTI REBOUCAS
CORRÉU: LUCAS BORGES DE LIMA
CORRÉU: LUCAS LOURENCO DA SILVA
CORRÉU: LUIS CARLOS BARROS DA SILVA
CORRÉU: LUIS FELIPE GOMES
CORRÉU: LUIS GUILHERME MELO CUNHA
CORRÉU: MAILSON DE CASTRO RIBEIRO
CORRÉU: QUESSIO DIONNES DE SOUSA
CORRÉU: MARCOS EVERTON MARTINS FERREIRA
CORRÉU: MARCOS VENICIUS SOUSA DE SA
CORRÉU: MARIA JULIA FERREIRA DE ABREU
CORRÉU: MARIA LEIDIANA CORREIA
CORRÉU: MARIA VANUZA DE LIMA MOREIRA
CORRÉU: MISAEL SOARES
CORRÉU: NAYARA MARILIA LIMA CAVALCANTE
CORRÉU: NILSON DE SOUSA SALES
CORRÉU: PABLO DE ASSIS DE SOUSA FERREIRA
CORRÉU: PATRICK KELVY ROCHA BARROS
CORRÉU: RAFAELA FARIAS DA SILVA
CORRÉU: RONALDO BARBOSA MORAIS
CORRÉU: ROSANA PEREIRA TAVARES
CORRÉU: TAMIRES RODRIGUES FREIRE
CORRÉU: VALCLECY DO NASCIMENTO DA SILVA
CORRÉU: VICTOR DANIEL DO NASCIMENTO FERREIRA
CORRÉU: VICTOR MANOEL GARCIA DE OLIVEIRA
CORRÉU: SAVIO COELHO MAGALHAES
CORRÉU: PEDRO HENRIQUE MATOS SILVA
CORRÉU: SILVIA HELENA TAVARES DA CRUZ
CORRÉU: MARDONIO MACIEL VASCONCELOS
CORRÉU: VICTOR MANOEL MINEIRO DA SILVA
CORRÉU: RUBENS RODRIGUES DE SOUSA
CORRÉU: MATHEUS DA SILVA DE ANDRADE
CORRÉU: VITOR ROCHA FERNANDES
CORRÉU: WELLINGTON SILVA DE SOUSA
CORRÉU: WANESSA KELLY PINHEIRO LOPES
INTERESSADO: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO CEARÁ
DECISÃO JENNIFER LIMA BARBOSA alega sofrer constrangimento ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal a quo no Habeas Corpus n. 0627578-07.2024.8.06.0000, em que foi mantida sua prisão preventiva. No caso em questão, “[o]s autos originários tratam de representação formulada pela Polícia Civil do Estado do Ceará, através da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), pela decretação de prisão preventiva, busca e apreensão domiciliar e de bens, quebra de sigilo telefônico, telemático, de informática, quebra do sigilo bancário e fiscal, bloqueio de contas bancárias e sequestro de bens móveis e imóveis, de 88 (oitenta e oito) requeridos, dentre eles a paciente, apontada, supostamente, como sendo integrante de uma das facções criminosas, conforme consta do relatório de fls. 3/274 dos autos na origem, cujo objeto principal é a investigação de organizações criminosas que estariam em disputa pelo controle do tráfico ilícito de drogas no município de Caucaia/CE, bem como demais crimes conexos” (fl. 111, grifei). Na hipótese, “a defesa requerer a revogação da prisão cautelar, com ou sem medidas cautelares não prisionais, ou a conversão em prisão domiciliar, sob os argumentos de nulidade da persecução penal e das provas dela decorrentes (fishing expedition), além de ausência dos requisitos da custódia cautelar previstos no art. 312 do CPP” (fl. 165). No que tange à suposta nulidade, salientou a Corte de origem que “as alegações de nulidade arguidas pelo impetrante na exordial do presente writ, deverão ser levadas em consideração durante a instrução processual em trâmite e resolvida na decisão final, que estará sujeita aos recursos legalmente previstos” (fl. 116, grifei). Dessa forma, percebe-se o pleito não foi objeto de análise pelo Tribunal local, de modo que é, assim, defeso a esta Corte Superior adentrar o exame das questões aqui suscitadas, dada a evidente e insuperável supressão de instância. A esse respeito, mutatis mutandis: [...] nota-se que a Corte originária não analisou as referidas questões. Impossibilidade de análise desses pontos da impetração pelo STJ, sob pena de atuar em indevida supressão de instância, com a consequente ampliação inconstitucional da competência recursal ordinária (CF, art, 105, II) [...] (HC n. 486.103/MG, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, 5ª T., DJe 30/4/2019, grifei). [...] A Corte estadual não analisou a tese ora trazida pela defesa no presente mandamus consubstanciada em nulidade decorrente da falta de manifestação do juízo primevo acerca das teses defensivas apresentadas na resposta à acusação. Limitou-se o Tribunal de origem a concluir que a matéria "é sanável por recurso próprio, do qual o Habeas Corpus não pode funcionar como sucedâneo" (fl. 335). Dessa forma, este Tribunal Superior encontra-se impedido de pronunciar-se a respeito, sob pena de indevida supressão de instância [...] (RHC n. 86.893/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, 5ª T., DJe 7/11/2018, destaquei). Apontou também o Tribunal a quo que, “sobre a alegação de ausência de indícios mínimos de autoria, vale ser destacado que, em sede de pedido de habeas corpus, não é possível proferir decisão acerca da alegada inocência da paciente, por também ser questão de mérito, uma vez que necessita de dilação probatória, o que será feito durante a instrução criminal” (fl. 116). Além disso, “quanto à afirmada inidoneidade da fundamentação atinente aos indícios de autoria e materialidade criminosas, convém esclarecer que a via do habeas corpus não admite dilação probatória e que a análise do fumus comissi delicti, nesta etapa processual, é eminentemente indiciária, não se confundindo com o juízo de certeza reservado à conclusão da fase de conhecimento” (AgRg no HC n. 915.504/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 15/8/2024.) No que tange aos fundamentos da prisão preventiva, destaco que, “[c]onforme magistério jurisprudencial do Pretório Excelso, “a necessidade de se interromper ou diminuir a atuação de integrantes de organização criminosa enquadra-se no conceito de garantia da ordem pública, constituindo fundamentação cautelar idônea e suficiente para a prisão preventiva” (STF, Primeira Turma, HC n. 95.024/SP, relatora Ministra Cármen Lúcia, DJe 20/2/2009)” (RHC n. 125.773/RO, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, 6ª T., DJe 9/6/2020, destaquei). Por fim, “constata-se que o Tribunal de origem também não emitiu juízo de valor acerca da possibilidade de deferimento da prisão domiciliar” (fl. 169). À vista do exposto, com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ, denego o habeas corpus. Publique-se e intimem-se. Relator
ROGERIO SCHIETTI CRUZ