Publicacao/Comunicacao
Intimação - DESPACHO
HC 963557/ES (2024/0447293-0)
RELATOR: MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIOR
IMPETRANTE: LORAINE GUIMARAES SCHEIDEGGER
ADVOGADO: LORAINE GUIMARAES SCHEIDEGGER - ES023224
IMPETRADO: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
PACIENTE: TALIA SANTANA MOURA
CORRÉU: ARIADINA ROMAO TOSTES
CORRÉU: CHEYENNE BUAIRID MACIEL GOMES
CORRÉU: DAHIANI LIMA SOUZA
CORRÉU: ELIDIANE SALUSTRE CORREA
CORRÉU: FERNANDO CAROLINO ZANELI
CORRÉU: GUSTAVO QUINTEIRO
CORRÉU: HENRIQUE ARAUJO SOUTO
CORRÉU: JOAO VITOR FERREIRA MARIANO
CORRÉU: JOSEMAR ALVES
CORRÉU: JOSIMAR ALVES
CORRÉU: LEONIS LIMA PEREIRA SANTOS
CORRÉU: LUAN TELES BRITO
CORRÉU: MARCOS BENTO MONTEIRO
CORRÉU: MARIA MARTA MENEGUELI
CORRÉU: MARIANE TEIXEIRA ANGELI
CORRÉU: MATHEUS GUASTTI RIBEIRO SOARES
CORRÉU: RIAN BUAIRID
CORRÉU: ROSALIA CAROLA MENEGUELI DE CARVALHO
CORRÉU: TATIELE DE OLIVEIRA GONCALVES
CORRÉU: TATIELLI DE OLIVEIRA GONCALVES
CORRÉU: THYAGO CORADELLO GERMANO DE OLIVEIRA
CORRÉU: THYAGO CORADELO GERMANO DE OLIVEIRA
CORRÉU: VITTOR BARBOSA DE OLIVEIRA
CORRÉU: WALGLEDSON ALVES BARRETO
CORRÉU: WEVERSON NEVES DOS REIS
INTERESSADO: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
DECISÃO O presente writ, impetrado em benefício de TALIA SANTANA MOURA – presa preventivamente pela prática, em tese, dos crimes de tráfico de drogas e associação para o mesmo fim –, em que se aponta como órgão coator o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (Habeas Corpus n. 5005940- 22.2024.8.08.0000), não comporta acolhimento. Busca a impetração a substituição da segregação cautelar imposta à paciente pelo Juízo de Direito da Vara Única de Rio Bananal/ES (Autos n. 5001446-25.2024.8.08.0062) por domiciliar, baseada no fato de ser genitora de uma criança menor de 12 anos, uma vez que é presumivelmente imprescindível aos cuidados da criança. Ocorre que, além de a segregação cautelar se encontrar fundamentada na probabilidade concreta de reiteração delitiva, evidenciada pela condição de reincidente da acusada, conforme bem fundamentado no acórdão hostilizado ao denegar o pedido de revogação da custódia formulado pela defesa, a mera condição da ré ser mãe de uma criança não é suficiente para eliminar a necessidade da prisão cautelar, conforme o entendimento estabelecido pelo STF no HC n, 143.641/SP. O fato da paciente realizar atividades de tráfico próximo de sua residência, além de expor o menor à convivência com a criminalidade grave, demonstra que não há preocupação por parte da mesma em proteger e preservar o ambiente familiar do impacto negativo e perigoso dessa atividade (fls. 24/25). Conforme jurisprudência consolidada do STJ, a concessão de prisão domiciliar à mãe de criança menor de 12 anos não é automática e deve ser analisada à luz do caso concreto. Quando há evidências de que o ambiente doméstico foi utilizado para a prática criminosa, a prisão domiciliar não pode ser deferida, pois tal medida exporia ainda mais a criança a riscos (HC n. 838.754/SP, Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 22/10/2024, DJe 29/10/2024 – grifo nosso). No mesmo sentido: RCD no HC n. 923.710/DF, de minha relatoria, Sexta Turma, julgado em 9/9/2024, DJe 12/9/2024. Em face do exposto, denego a ordem. Publique-se. Relator
SEBASTIÃO REIS JÚNIOR