Publicacao/Comunicacao
Intimação
EMBARGANTE: LAMINIT ARMAZÉNS GERAIS LTDA. Advogado: Dr. Estevão Ruchinski (OAB/PR 25.069-A)
EMBARGADO: ESTADO DO MARANHÃO Procurador: Dr. Adriano Cavalcanti Relator: Des. JORGE RACHID MUBÁRACK MALUF Ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AÇÃO ANULATÓRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. OMISSÃO RECONHECIDA. EFEITOS MODIFICATIVOS. EMBARGOS ACOLHIDOS. I. CASO EM EXAME 1. Embargos de declaração opostos contra acórdão que, à unanimidade, havia negado provimento à apelação da empresa e mantido a condenação ao pagamento de honorários advocatícios, sob fundamento de que a ação anulatória por ela proposta havia perdido o objeto após o reconhecimento da prescrição intercorrente na execução fiscal. A embargante alegou omissão quanto à análise da causalidade, sustentando que a ação anulatória foi ajuizada antes da execução fiscal e tinha por objeto o afastamento de débito já quitado, de modo que a responsabilidade pelos honorários deveria ser atribuída ao Estado. Após provimento de agravo interno no recurso especial, que reconheceu a existência de vício de omissão, os autos retornaram ao Tribunal de origem para novo julgamento dos aclaratórios. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em verificar se há omissão no acórdão recorrido quanto à análise da responsabilidade pelo pagamento dos honorários advocatícios à luz do princípio da causalidade, diante da cronologia das ações e da alegação de cobrança de débito já quitado. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O art. 1.022 do CPC impõe ao julgador o dever de enfrentar, ainda que para rejeitar, todas as questões relevantes ao deslinde da controvérsia, sob pena de omissão. 4. Constatada a ausência de manifestação expressa do acórdão embargado sobre a alegação de que a ação anulatória foi proposta antes da execução fiscal e visava afastar cobrança de débito já quitado, caracteriza-se omissão relevante a ser sanada. 5. O princípio da causalidade, previsto no art. 85, §10, do CPC, impõe a responsabilização da parte que deu causa à propositura da demanda, mesmo que esta tenha sido posteriormente extinta sem resolução de mérito. 6. Tendo em vista que a execução fiscal somente foi ajuizada após a ação anulatória, e que esta se destinava a questionar lançamento fiscal de débito já quitado, reputa-se que a Fazenda Pública deu causa ao ajuizamento da demanda, devendo, portanto, arcar com os ônus da sucumbência. 7. O reconhecimento da omissão enseja o acolhimento dos embargos com efeitos modificativos para reformar o acórdão anterior quanto à distribuição da sucumbência. IV. DISPOSITIVO E TESE 8. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. Tese de julgamento: 1. A omissão na análise da causalidade na fixação de honorários advocatícios, quando relevante e fundamentada, impõe o acolhimento dos embargos de declaração com efeitos modificativos. 2. Deve a Fazenda Pública arcar com os honorários advocatícios quando demonstrado que deu causa à propositura da ação anulatória ajuizada antes da execução fiscal, especialmente em razão de cobrança de débito já quitado. Dispositivos relevantes citados: CPC/2015, arts. 1.022, 1.023, §2º, e 85, §10. Jurisprudência relevante citada: STJ, EDcl no AgInt no REsp 1.584.428/RS, Rel. Min. Moura Ribeiro, DJe 22.05.2017; STJ, REsp 1.661.018/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 02.05.2017. A C Ó R D Ã O
Acórdão (expediente) - PRIMEIRA CÂMARA DE DIREITO PÚBLICO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA APELAÇÃO CÍVEL Nº 0000005-50.2001.8.10.0093 Vistos, relatados e discutidos estes autos, em que figuram como partes os acima enunciados, ACORDAM os Desembargadores da Primeira Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão, por unanimidade, em ACOLHER os embargos opostos, nos termos do voto do Relator. Participaram do julgamento os Senhores Desembargadores Jorge Rachid Mubárack Maluf - Relator, Kleber Costa Carvalho e Angela Maria Moraes Salazar. Funcionou pela Procuradoria Geral de Justiça o Dr. José Antonio Oliveira Bents. São Luís, 05 a 12 de março de 2026. Des. JORGE RACHID MUBÁRACK MALUF Presidente e Relator