Publicacao/Comunicacao
Intimação - DESPACHO
RE no AgInt nos EAREsp 2528615/RJ (2023/0442029-9)
RELATOR: MINISTRO VICE-PRESIDENTE DO STJ
RECORRENTE: ALMERINDA CONCEICAO DA SILVA
RECORRENTE: JULY ANDRADE BONZE
RECORRENTE: MATHEUS ANDRADE BONZE
RECORRENTE: KARINE SILVA DE ANDRADE
ADVOGADO: ALVARO LUIZ DOS SANTOS BRUM - RJ062325
RECORRIDO: TRANS TURISMO RIO MINHO LTDA
ADVOGADO: LUÍS SÉRGIO COUTO DE CASADO LIMA - RJ069864
DECISÃO 1. Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça que negou provimento ao agravo interno, mantendo a decisão de desprovimento do agravo em recurso especial. O julgado recorrido recebeu a seguinte ementa (fl. 994): PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. 1. Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, a deficiência na fundamentação do recurso, de modo a impedir a compreensão da suposta ofensa ao dispositivo legal invocado, obsta o conhecimento do recurso especial (Súmula n. 284 /STF). 2. Hipótese em que os agravantes limitaram-se a alegar violação dos arts. 4º, I, 6º, VIII, 14 e 17 do CDC; 7º, 8º, 22, I e II, 34, § 2º, 372, 373, I e II, 505, 489 e 1.022 do CPC, sem, todavia, cotejar e explicitar os motivos pelos quais os comandos normativos deixaram de ser aplicados ou como suas aplicações seriam capazes de modificar o acórdão recorrido, o que atrai os preceitos da Súmula 284/STF. Agravo interno improvido. Os embargos de declaração opostos na sequência foram rejeitados (fls. 1.041-1.042), seguindo-se a interposição de embargos de divergência, os quais foram liminarmente indeferidos (fls. 1.084-1.085), e agravo interno (fls. 1.089-1.101), ao qual foi negado provimento (fls. 1.117-1.123). As partes recorrentes alegam que a discussão proposta no recurso extraordinário possui repercussão geral e que há contrariedade, no acórdão recorrido, ao art. 5º, II, LIV e LV, da Constituição Federal. Requerem, assim, a admissão e o provimento do recurso. É o relatório. 2. Nos termos do art. 102, § 3º, da Constituição Federal, o recurso extraordinário deve ser dotado de repercussão geral, requisito indispensável à sua admissão. Por sua vez, o Supremo Tribunal Federal já definiu que a discussão relativa ao preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recurso anterior, de competência de outro tribunal, não possui repercussão geral. Quando o STJ não analisar o mérito do recurso de sua competência, tal como verificado nestes autos, qualquer alegação do recurso extraordinário demandaria a rediscussão dos requisitos de admissibilidade do referido recurso, exigindo a apreciação dos dispositivos legais que versam sobre tais pressupostos. No Tema n. 181 do STF, a Suprema Corte afirmou que "a questão do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recursos da competência de outros Tribunais tem natureza infraconstitucional" (RE n. 598.365-RG, relator Ministro Ayres Britto, Tribunal Pleno, julgado em 14/8/2009, DJe de 26/3/2010). O entendimento em questão incide tanto em situações nas quais as razões do extraordinário se referem ao não conhecimento do recurso anterior quanto naquelas em que as alegações se relacionam à matéria de fundo da causa. Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais, ao analisar a viabilidade prévia dos recursos extraordinários, negar seguimento àqueles que discutam questão à qual o STF não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. Como exemplos da aplicação do Tema n. 181 do STF em casos semelhantes, confiram-se: ARE n. 1.256.720-AgR, relator Ministro Dias Toffoli (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 4/5/2020, DJe de 26/5/2020; ARE n. 1.317.340-AgR, relatora Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, julgado em 12/5/2021, DJe de 14/5/2021; ARE n. 822.158-AgR, relator Ministro Edson Fachin, Primeira Turma, julgado em 20/10/2015, DJe de 24/11/2015. Da mesma forma, o recurso extraordinário deve ter o seguimento negado por aplicação do Tema n. 181 do STF também nas hipóteses em que for alegada ofensa ao art. 105, III, da Constituição da República (RE n. 1.081.829-AgR, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 1º/10/2018). 3. Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Vale registrar não ser cabível agravo em recurso extraordinário (previsto no art. 1.042 do CPC) contra decisões que negam seguimento a recurso extraordinário, conforme o § 2º do art. 1.030 do CPC. Publique-se. Intimem-se. Vice-Presidente
LUIS FELIPE SALOMÃO