Publicacao/Comunicacao
Intimação - DESPACHO
AREsp 2450215/SE (2023/0313491-6)
RELATOR: MINISTRO AFRÂNIO VILELA
AGRAVANTE: MUNÍCIPIO DE CARIRA
ADVOGADO: ANA PAULA COSTA ALMEIDA - SE012170
AGRAVADO: JOSEFA RIBEIRO DA SILVA SANTOS
ADVOGADO: ULISSES RODRIGUES DOS SANTOS - SE006157
DECISÃO Em análise, agravo em recurso especial interposto MUNÍCIPIO DE CARIRA contra decisão que inadmitiu o recurso especial com fundamento na incidência da Súmula 7 deste STJ. Alega o Município que os pressupostos de admissibilidade do recurso especial foram atendidos, pois “a pretensão recursal deduzida no apelo especial versa sobre a qualificação jurídica dada aos fatos incontroversos descritos no acórdão, cuidando-se de questão de direito a pretensão de alteração da sua qualificação jurídica, que afasta a aplicação das citadas súmulas”. Sem contrarrazões. É o relatório. Passo a decidir. O recurso não merece prosperar. A pretensão da parte recorrente relacionada ao fato de "a matéria envolver a violação frontal a regra prevista no art. 373, I do Código de Processo Civil no que tange ao ônus probatório, cuja interpretação conferida pela Corte local, ainda diverge do entendimento que vem sendo adotado por outras Cortes Estaduais", encontra óbice na Súmula 7/STJ. Isso porque, para alterar as conclusões do órgão julgador – no que tange a ausência do processo administrativo para a demissão da Reclamante ao arrepio de procedimento formal contraditório e com violação a texto expresso de preceito constitucional (arts. 5º, LV, e 41, § 1º, II e III, da CF/88) – seria imprescindível o reexame do acervo fático-probatório dos autos, providência vedada em recurso especial. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. DEFICIÊNCIA NA ARGUMENTAÇÃO. SÚMULA 284 DO STF. RESERVA LEGAL. FALTA DE INTERESSE DE AGIR. MATÉRIA QUE DEVERIA TER SIDO SUSCITADA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA ANTERIORMENTE AJUIZADA CONTRA O RECORRENTE. REVISÃO DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. [...] 4. Para chegar a conclusão diversa da que chegou o Tribunal de origem, é inevitável novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em Recurso Especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. 5. Agravo Interno não provido (AgInt no AREsp n. 2.168.672/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 22/5/2023, DJe de 5/6/2023, grifo nosso). Isso posto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, a, do RISTJ, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Intimem-se. Relator
AFRÂNIO VILELA