Publicacao/Comunicacao
Intimação - DESPACHO
AREsp 2896498/RJ (2025/0110176-3)
RELATOR: MINISTRO PRESIDENTE DO STJ
AGRAVANTE: FUNDO UNICO DE PREVIDENCIA SOCIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
AGRAVADO: MARLI MAXIMO CLEMENTE
ADVOGADO: ROGÃ?RIO RODRIGUES - RJ207732
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por FUNDO UNICO DE PREVIDENCIA SOCIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO ADMINISTRATIVO E PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO DE CONCESSÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE DE EX-SERVIDOR DA PMERJ. EX-CÔNJUGE. PROCEDÊNCIA PARCIAL DOS PEDIDOS. INSURGÊNCIA DOS DEMANDADOS. DIVÓRCIO DO CASAL DECRETADO EM 01/09/2004. AUTORA QUE RECEBIA PENSÃO ALIMENTÍCIA DE 8% DOS VENCIMENTOS DO EX-SERVIDOR. FALECIMENTO OCORRIDO EM 18/03/2008. APLICÁVEL A LEI VIGENTE À DATA DO ÓBITO DO SEGURADO. SÚMULA N.° 340 DO STJ. ART. 30, §1°, DA LEI N.° 285/79 COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N.° 4.320/2004. SÚMULA N.° 336 DO STJ: "A MULHER QUE RENUNCIOU AOS ALIMENTOS NA SEPARAÇÃO JUDICIAL TEM DIREITO À PENSÃO PREVIDENCIÁRIA POR MORTE DO EX-MARIDO, COMPROVADA A NECESSIDADE ECONÔMICA SUPERVENIENTE". COMPROVAÇÃO DE DEPENDÊNCIA ECONÔMICA. PROVA TESTEMUNHAI NO SENTIDO DE QUE O FALECIDO EX-SERVIDOR SE MANTEVE RESPONSÁVEL PELA MANUTENÇÃO DA AUTORA. INEXISTÊNCIA DE OUTROS BENEFICIÁRIOS. DEMANDANTE QUE FAZ JUS A BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO EM SUA TOTALIDADE. PRECEDENTES DO STJ E DESTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AUSENTE O DIREITO À PARIDADE E À INTEGRALIDADE. TEMA 396 DO STF: "OS PENSIONISTAS DE SERVIDOR FALECIDO POSTERIORMENTE À EC 41/2003 TÊM DIREITO À PARIDADE COM SERVIDORES EM ATIVIDADE (EC 41/2003, ART. 7O), CASO SE ENQUADREM NA REGRA DE TRANSIÇÃO PREVISTA NO ART. 3O DA EC 47/2005. NÃO TEM, CONTUDO, DIREITO À INTEGRALIDADE (CF, ART. 40, § 7O, INCISO I)". SEGURADO INSTITUIDOR DO BENEFÍCIO QUE NÃO SE ENQUADRA NAS REGRAS DE TRANSIÇÃO DA EC N.° 47/2005. CÁLCULO DO BENEFÍCIO QUE DEVE SE DAR NA FORMA DO ART. 40, § 7O, INC I, DA CF, COM A REDAÇÃO DADA PELA EC N.° 41/2003. REAJUSTES DA PENSÃO NA FORMA DA LEI ESTADUAL N.° 6.244/2012. CONSECTÁRIOS LEGAIS DA CONDENAÇÃO QUE DEVEM OBSERVAR O TEMA 905 DO STJ: "AS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA SUJEITAM-SE À INCIDÊNCIA DO INPC, PARA FINS DE CORREÇÃO MONETÁRIA (...) QUANTO AOS JUROS DE MORA, INCIDEM SEGUNDO A REMUNERAÇÃO OFICIAL DA CADERNETA DE POUPANÇA (ART. 1O- F DA LEI 9.494/97, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.960/2009)" E, APÓS 08/12/2021, A INCIDÊNCIA APENAS DA TAXA SELIC, SEM CUMULAÇÃO COM QUALQUER OUTRO ÍNDICE, NOS TERMOS DA EC N.° 113/2021. APLICÁVEL A SÚMULA N.° 111 DO STJ. "OS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS, NAS AÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, NÃO INCIDEM SOBRE AS PRESTAÇÕES VENCIDAS APÓS A SENTENÇA". SENTENÇA QUE MERECE REFORMA QUANTO AOS CRITÉRIOS DE CÁLCULO E REAJUSTE DO BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO A QUE FAZ JUS A AUTORA E EM RELAÇÃO AOS ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA INCIDENTES, BEM COMO PARA QUE SEJA OBSERVADA A SÚMULA N.° 111 DO STJ. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa aos arts. 948, 949 e 950 do CPC, no que concerne à impossibilidade de afastamento da aplicação da norma jurídica sem que haja declaração expressa de sua inconstitucionalidade, por força da cláusula de reserva de plenário, trazendo a seguinte argumentação: Como exposto, o r. acórdão recorrido, ao apreciar o recurso de apelação interposto pelo RIOPREVIDÊNCIA, reconheceu que a lei que rege a pensão previdenciária da Autora PREVÊ EXPRESSAMENTE que a pensão por morte deve ser paga sob o MESMO PERCENTUAL que o cônjuge separado judicialmente recebia a título de pensão alimentícia: [...] Veja-se, portanto, que o próprio decisum expôs que DE ACORDO COM O REGRAMENTO LEGAL, a Autora não faz jus a receber pensão previdenciária com percentual de 100%, mas apenas de 8%, já que era este o percentual recebido a título de alimentos fixados judicialmente. Não obstante, logo em seguida, o r. decisum produz exercício hermenêutico para afastar a aplicação da norma legal ao caso em tela e considerar que, por possuir dependência econômica em relação ao falecido segurado, “a autora faz jus à totalidade da pensão por morte na qualidade de ex-cônjuge do falecido ex-servidor ALTAMIRO CRISPIM DA SILVA”. Ora, o acórdão, embora reconheça a existência da previsão legislativa acerca do percentual que deve ser pago, a título de pensão previdenciária, aos cônjuges separados judicialmente que recebiam pensão alimentícia, AFASTA EXPRESSAMENTE A SUA INCIDÊNCIA e permite que o benefício autoral seja pago sob percentual de 100%. Com isto, deixa de observar o procedimento previsto nos artigos 948, 949 e 915 do CPC para a declaração de inconstitucionalidade de lei. [...] Como se nota, o afastamento da incidência de norma jurídica somente pode ocorrer por meio de declaração de sua inconstitucionalidade, devendo, para tanto, atender-se ao procedimento previsto na legislação processual vigente, que trata de assegurar a observância à chamada cláusula de reserva de plenário. Assim, deve o Colegiado submeter a questão ao Órgão Especial, para que seja examinada. Vale dizer, não pode o órgão fracionário declarar a inconstitucionalidade do ato normativo, por lhe faltar competência para tanto. Também não pode simplesmente “deixar de aplicar a norma”, como fez o acórdão recorrido, sem declarar expressamente a sua inconstitucionalidade. Nesse sentido, inclusive, é a Súmula Vinculante nº. 10 do Supremo Tribunal Federal, in verbis: (fls. 596-599). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, incide a Súmula n. 211/STJ, porquanto a questão não foi examinada pela Corte de origem, a despeito da oposição de Embargos de Declaração. Assim, ausente o requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "A ausência de enfrentamento da questão objeto da controvérsia pelo Tribunal a quo, não obstante oposição de embargos declaratórios, impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, nos termos da Súmula n. 211/STJ" (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.738.596/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma,;DJEN de 26/3/2025). Na mesma linha: "A alegada violação ao art. 489, § 1º, I, II, III e IV, do CPC não foi examinada pelo Tribunal de origem, nada obstante a oposição de embargos de declaração. Logo, incide a Súmula n. 211/STJ, porquanto ausente o indispensável prequestionamento" (AgInt no AREsp n. 2.100.337/MG, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025). Confiram-se ainda os seguintes julgados: EDcl nos EDcl no AgRg no AREsp n. 2.545.573/ES, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.466.924/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AREsp n. 2.832.933/GO, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 21/3/2025; AREsp n. 2.802.139/RJ, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJEN de 27/3/2025; AREsp n. 1.354.597/PR, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJEN de 20/3/2025; REsp n. 2.073.535/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.623.773/GO, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJEN de 18/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.243.277/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, DJEN de 19/3/2025; AgRg no REsp n. 2.100.417/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN de 10/3/2025; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.569.581/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.503.989/MG, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 27/2/2025. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. Presidente
HERMAN BENJAMIN